Peso volta 4 vezes mais rápido ao suspender injeções do que ao parar dietas
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09/01/2026 | 16h23
São Paulo, 09/012026 - Quem utiliza medicamentos modernos para emagrecer, como a semaglutida e a tirzepatida, presente em canetas emagrecedoras como Mounjaro ou Wegovy, deve estar atento: uma nova análise científica revelou que a interrupção do tratamento com esses medicamentos leva a um rápido reganho de peso, podendo ser até quatro vezes mais rápido do que a suspensão de dietas convencionais e exercícios físicos.
Segundo a pesquisa publicada nesta semana no British Medical Journal, após a interrupção da medicação, o peso dos pacientes tende a voltar ao patamar inicial em cerca de um ano e meio.
Os dados mostram que, ao parar com o uso desses remédios, as pessoas recuperam, em média, quase um quilo por mês (0,8 kg). Além disso, os benefícios conquistados — como a melhora na pressão arterial, no colesterol e na glicemia — desaparecem em pouco tempo, revertendo-se em aproximadamente 1,4 anos.
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O estudo comparou o uso dos fármacos com dietas comuns e a conclusão foi que o peso volta mais rápido após a interrupção dos medicamentos do que após o fim de programas baseados apenas em dieta e exercícios.
As análises da pesquisa provêm de ensaios clínicos. Sendo assim, mais estudos sobre os efeitos a longo prazo das novas injeções para emagrecimento são necessários para reforçar o comportamento do corpo com o abandono do tratamento com canetas emagrecedoras.
O corpo luta para recuperar a gordura
O diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Fabio Moura, esclarece que o metabolismo desacelera para poupar calorias. O problema se agrava se houver perda de massa muscular: "Quanto mais massa magra eu perco, maior será a adaptação metabólica", alerta Moura, reforçando que a perda de músculos facilita o ganho de gordura posterior.
O especialista ressalta que pessoas que buscam o remédio por fins estéticos, sem obesidade clínica, têm maior chance de sofrer com o efeito sanfona. "Esse fato ratifica a mensagem de que o medicamento não deve ser utilizado por estética", afirma.
A nutricionista do Departamento de Nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), Renata Bressan, explica que o uso estético geralmente é de curto prazo (para um evento ou verão, por exemplo), mas que há riscos. Isso porque, ao usar por estética, a pessoa ignora que o corpo cria mecanismos de defesa que aumentam a fome e reduzem o gasto energético após a perda de peso, tornando a manutenção insustentável sem o fármaco
Fome volta com força total
Bressan reforca também que os remédios atuam como um "freio" na fome. Sem a medicação, o corpo aumenta a produção da grelina, o hormônio da fome.
O indivíduo voltará a sentir mais fome e terá dificuldade em lidar com a vontade de comer, diz a nutricionista.
Ela alerta que, se durante o tratamento o paciente apenas reduziu a quantidade de comida porque o remédio tirou a fome, sem fazer a mudança no estilo de vida e alimentação, ele não aprendeu a comer de forma equilibrada e poderá sofrer com o reganho de peso e falta de controle da fome quando parar com os remédios.
O ciclo de perda e ganho de peso inflama o corpo. Segundo o Fábio Moura, quanto maior a variação, mais o tecido adiposo inflama, o que pode deixar a saúde metabólica do paciente pior do que antes do tratamento.
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Mudança de hábitos é indispensável
O medicamento não substitui a reeducação alimentar. Se o paciente apenas reduz as porções sem aprender a comer melhor, o ganho de peso ao parar é quase certo. Devido a essa rapidez no reganho, a medicina passa a encarar essas drogas como tratamentos contínuos, comparáveis aos de hipertensão ou diabetes.
"Possivelmente, a maior parte desses pacientes precisará usar a droga de maneira contínua, talvez pelo resto da vida", avalia Moura. Tendo isso em vista, o uso exige acompanhamento médico, dieta e exercícios, especialmente musculação para proteger o corpo, destaca o especialista.
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