Sobrecarga afasta mulheres da prevenção contra câncer de mama
Médicas dão recomendações de como priorizar o autocuidado na rotina e destacam importância de realizar exames preventivos regulares
Por Bianca Bibiano
21/10/2026 | 09h10 ● Atualizado | 09h44AdobeStock
A realização de mamografias caiu 10,9% entre 2019 e 2024, com uma queda ainda maior de 11,8% entre mulheres de 50 a 69 anos, apesar do aumento no número de mulheres com plano de saúde, que chegou a 27,5 milhões.
A redução na procura por exames e consultas ginecológicas é atribuída à sobrecarga de afazeres domésticos e à falta de tempo, levando muitas mulheres a adiar cuidados de saúde, considerados um 'luxo'.
Profissionais de saúde recomendam que as mulheres priorizem o autocuidado e sugere-se a organização de consultas e exames como compromissos fixos, além de manter um histórico de exames para facilitar o acompanhamento médico.
São Paulo - Apesar da importância de fazer os exames anuais destacada nas campanhas de Outubro Rosa relacionadas à prevenção de câncer de mama, dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que a realização de mamografias caiu 10,9% entre 2019 e 2024.
A taxa é um pouco maior entre mulheres com idade entre 50 e 69 anos: 11,8%. Além disso, a procura por consultas ginecológicas do foi 12% menor na comparação entre os dois períodos ao mesmo tempo em que o número de mulheres com plano de saúde cresceu, atingindo 27,5 milhões. A dupla jornada das mulheres frequentemente é apontada como uma das principais causas dessa variação.
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Na maioria das vezes, o que existe por trás desse adiamento é falta de espaço na agenda e a sensação de que parar para se cuidar é um luxo, de acordo com a ginecologista do Lavoisier, Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves.
No consultório, a frase que mais escuto é ‘eu sei que estou atrasada, mas não deu tempo’. Consulta e exame preventivo costumam ser o primeiro compromisso cancelado quando a semana aperta."
Maria dos Anjos Chaves, ginecologista
Na mesma linha, a oncologista Bruna Zucchetti, do Hospital Nove de Julho, faz um chamado para que o autocuidado feminino seja encarado como prioridade. "Nós, mulheres, somos muito boas em cuidar das pessoas, dos filhos, dos pais... Mas esquecemos de cuidar de nós mesmas", diz.
É preciso lembrar de fazer todos os exames, que é necessário para o rastreamento, e lembrar de cuidar de si para a gente poder cuidar melhor das outras pessoas.
Bruna Zucchetti, oncologista
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as brasileiras dedicam cerca de 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com parentes, quase 10 horas a mais que os homens.
Guia prático: como colocar a saúde na agenda
Para organizar a rotina sem adiar consultas e exames preventivos, a ginecologista Maria dos Anjos orienta os seguintes cuidados:
1) Coloque a consulta na agenda como compromisso fixo: Marcar data e horário com antecedência, como se faz com uma reunião ou com a consulta de um filho, reduz a chance de o cuidado ser empurrado para depois. Lembretes no celular ajudam.
2) Escolha um mês de referência: Associar o check-up a uma data fácil de lembrar, como o mês do aniversário, ajuda a manter a regularidade ao longo dos anos.
3) Concentre os exames: Saia da consulta com todos os pedidos em mãos e veja quais podem ser feitos no mesmo dia e na mesma unidade. Antes de ir, confira o preparo de cada um (jejum, fase do ciclo menstrual, não usar desodorante ou talco no dia da mamografia) para evitar a necessidade de remarcações.
4) Guarde seu histórico de exames em um só lugar: Resultados anteriores permitem ao médico comparar exames e perceber mudanças ao longo do tempo. Manter laudos e imagens organizados, em papel ou em aplicativos de saúde, facilita esse acompanhamento.
5) Conheça o histórico familiar: Casos de câncer de mama ou ovário em parentes próximos, sobretudo em idade mais jovem, podem mudar a idade de início e a frequência dos exames. Leve essa informação para a consulta.
6) Siga indicações individuais: Check-ups, consultas e exames preventivos precisam respeitar idade, gênero, histórico familiar e indicação médica. Não existe um pacote único que sirva para todo mundo. Mas algo vale para todas as pessoas: o acompanhamento de saúde não deve começar apenas quando alguma coisa vai mal.
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