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O que levar na consulta médica? Aprenda a organizar seus exames e histórico

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A falta de exames anteriores para comparação pode dificultar a avaliação médica e o acompanhamento de problemas de saúde - Envato
A falta de exames anteriores para comparação pode dificultar a avaliação médica e o acompanhamento de problemas de saúde
Por Bianca Bibiano

13/08/2026 | 08h16

São Paulo - Marcou consulta e está na dúvida sobre quais exames levar? Guardar exames médicos pode ser importante para acompanhar a evolução de uma doença, comparar resultados e ajudar o médico a entender o histórico de saúde. Mas isso não significa que seja necessário manter para sempre todos os laudos, imagens e resultados já realizados. 

Especialistas consultados pelo VIVA destacam que, em caso de resultados sem alterações, é possível armazenar apenas os últimos exames realizados. Já em casos de exames alterados, doenças crônicas ou questões específicas, deve-se guardá-los por mais tempo para comparação e avaliação médica. Entenda os detalhes no guia prático a seguir:

Quais exames levar em uma consulta médica?

A médica Daiana Zupirolli, professora do curso de medicina do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp) explica que é importante levar para a consulta médica todos os exames realizados no último ano, principalmente em casos de primeira consulta, para que o médico avalie quais documentos precisam ser mantidos para acompanhamento futuro e quais podem ser descartados.

Além dos exames, também é fundamental apresentar informações relevantes sobre o histórico de saúde, como todos os medicamentos utilizados de rotina, incluindo vitaminas e suplementos, além da carteira vacinal - item negligenciado por pacientes adultos e idosos".

A necessidade de apresentar exames anteriores pode variar de acordo com o perfil de cada paciente, suas condições de saúde e histórico médico. "Em idosos, esse acompanhamento pode ser ainda mais importante, especialmente pela maior frequência de doenças crônicas, uso contínuo de medicamentos e necessidade de monitoramento de alterações ao longo do tempo."

Já o neurologista Carlos Alberto Penatti, coordenador do Check-up do Fleury, afirma que havendo algum antecedente pessoal que não foi bem explicado na época, dúvida confrontando técnicas distintas de imagem ou mesmo duas avaliações por medições diferentes, é bom guardar os exames até que a condição conhecida seja resolvida

Tudo o que orbite ou esteja correlato com uma condição de saúde, o paciente deve ter à mão. Em uma emergência, o médico precisa saber a condição que a pessoa tem, o estágio atual e a constelação do que aconteceu em função disso."

Até quando guardar exames laboratoriais e de imagem?

A médica clínica Lizandra Carvalho Fedel, do Hospital Quali Ipanema, explica que, caso os resultados estejam normais, a regra é guardar a última versão de exames laboratoriais de rotina como hemograma, função renal (ureia e creatinina), eletrólitos como sódio, potássio e magnésio, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, lipidograma, dentre outros.

Se houver alterações, a recomendação é guardar os resultados até que a questão seja solucionada junto ao médico que fez a solicitação.

O mesmo vale para exames de imagem, como tomografias, ressonâncias e raio-X. Nesse caso, a orientação é apresentar os laudos e, se possível, as imagens impressas para o médico que fez a solicitação. Em caso de alterações, salvar também para outras consultas posteriores.

Exames adicionais para quem tem doenças prévias

A médica clínica orienta que pacientes com doenças prévias devem ter à mão os resultados de exames relacionados ao problema, já que a falta dessas informações pode dificultar a avaliação médica e o acompanhamento adequado. Por exemplo:

  • Pessoas com doenças do coração devem ter salvo o último ecocardiograma e eletrocardiograma. 
  • Se tem diabetes é importante levar o exame da glicemia de jejum e hemoglobina glicada. 
  • Em caso de doenças da tireoide, os exames do tipo T4 livre, TSH e ultrassom de tireoide mais recentes.
  • Para pacientes que usam insulina, principalmente diabéticos tipo 1 e gestantes, anotar a glicose sempre que verificar e levar em consulta. 
  • Se estiver investigando pressão alta, anotar a pressão pelo menos uma vez ao dia alguns dias antes da consulta e levar os resultados.

É melhor guardar os exames impressos ou em versão digital?

Houve um tempo em que era necessário guardar todos os exames médicos impressos, em uma pasta, e entregá-los ao médico apenas na hora da consulta. Mas atualmente, com a facilidade das versões digitais, é possível também receber resultados digitalizados e enviá-los para o médico antes mesmo da consulta.

Para facilitar essa gestão, o neurologista Carlos Alberto Penatti orienta um esquema de organização no celular.

Como salvar os exames no celular

  • Crie uma pasta no celular ou computador chamadas "Exames Médicos" ou similar.
  • Salve os arquivos digitais enviados pelo laboratório, em versão .pdf ou em imagens tipo .jpg.
  • Use títulos simples que ajudem a achar os arquivos em caso de necessidade, como "Exames de sangue - agosto 2026.
  • Se o exame estiver em papel, faça uma foto e guarde na mesma pasta.
  • Quando realizar novos exames, salve os resultados de modo semelhante. Caso não tenha alterações, descarte a versão mais antiga e fique apenas com a mais recente.

Outra pessoa pode ficar com os exames?

Organizar o próprio histórico de saúde, reunindo exames, lista de medicamentos utilizados, suplementos, vitaminas e carteira vacinal é importante ao longo de toda a vida adulta.

Porém, segundo Penatti, as famílias devem estar atenta à essa organização em caso de pacientes com dificuldades de saúde, como pessoas idosas mais debilitadas ou pessoas com condições neurológicas. "É a incapacidade de auto-organização de dados de saúde. Se você percebe que não está dando conta de se autogerir, procure ajuda", orienta.

Ainda sim, destaca, é preciso manter respeito à privacidade e à independência de cada um no seu autocuidado.

Não partam do pressuposto de que o familiar não consegue discernir por si", alerta.

No que diz respeito à legislação, o Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta que após 20 anos do último registro do paciente, os documentos (tanto digital quanto no papel) poderão ser eliminados dos arquivos de clínicas e hospitais. "Mesmo que existam recursos para esse armazenamento, a orientação aos pacientes é que façam a autogestão de seus documentos", afirma o médico.

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