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Sua playlist de rock pode ajudar na recuperação de um AVC; entenda porquê

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Ouvir músicas com forte conexão emocional ativa estruturas profundas do cérebro que gerenciam nossas emoções, motivações e tomada de decisões - Adobe Stock
Ouvir músicas com forte conexão emocional ativa estruturas profundas do cérebro que gerenciam nossas emoções, motivações e tomada de decisões
Por Emanuele Almeida

13/07/2026 | 10h42

São Paulo - Se você é fã de alguma banda de rock, com certeza vai lembrar de algum mega show que foi, ou até mesmo festivais de banda cover que participou com os amigos e gritou, pulou e "bateu-cabeça". E, quem diria, que essas lembranças podem ajudar na recuperação de um Acidente Vascular Cerebral (AVC)?

O uso da música em tratamentos tem se consolidado como uma intervenção terapêutica crucial em hospitais e centros de reabilitação para pacientes que sofreram AVC.  Neste 13 de julho, data em que o mundo celebra o Dia do Rock, a ciência comprova que o impacto de uma boa melodia vai muito além do entretenimento e é capaz de reestruturar o cérebro e acelerar de forma contundente a recuperação motora e cognitiva de pacientes que sofreram AVC. 

Música libera dopamina

Muito antes de os roqueiros arrastarem multidões, a ideia de que sons influenciam a mente já permeava a humanidade. Hoje, a neurociência explica o porquê: ouvir músicas com forte conexão emocional ativa estruturas profundas do cérebro, como o córtex pré-frontal, o sistema límbico e o núcleo accumbens, que gerenciam nossas emoções, motivações e tomada de decisões.

Isso desencadeia a liberação de dopamina, gerando motivação e bem-estar, um mecanismo muito semelhante ao de atividades como a prática de exercícios físicos.

Segundo a coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN),  Elisa de Paula França Resende, a ativação provocada por uma canção é vasta e instantânea.

A música engaja diversas áreas cerebrais simultaneamente, fortalecendo redes e vias neurais relacionadas a processos sensoriais, motores, emoção, afeto e memória". 

Como o rock ajuda nesse processo?

O uso da música como um instrumento no tratamento pós-AVC reúne dois pontos principais: a memória afetiva do paciente e a resposta rítmica do mesmo. Sendo assim, se "Chop Suey!" do System of a Down era a música favorita da pessoa, ela pode ativar o circuito de recompensa do cérebro de forma muito mais intensa do que ouvir um delicado concerto de música clássica, por exemplo. 

homem em uma cama de hospital com fones de ouvido e computador
A música retoma lembranças afetivas e memória rítmica do paciente.Adobe Stock

Mas estudos de neuroimagem mostram que os benefícios cognitivos e emocionais da música só atingem seu potencial máximo quando o paciente escuta o gênero de que realmente gosta

Pesquisas conduzidas pelo neurocientista Teppo Särkämö, referência na área, mostram que a audição diária de músicas escolhidas pelo paciente nas primeiras semanas após o AVC resulta em uma recuperação significativamente maior da memória verbal, da atenção focada e na redução da depressão.

Por que o Rock funciona aqui? Se o Rock é a preferência do paciente, ele induz uma liberação massiva de dopamina e neurotrofinas , substâncias químicas essenciais para reparar tecidos e estimular a neuroplasticidade nas áreas lesionadas.

Essa capacidade de recrutar múltiplas redes cerebrais consolidou a musicoterapia como uma ferramenta clínica essencial, especialmente para sobreviventes de AVC. Esses pacientes frequentemente lidam com disfunções físicas, problemas cognitivos e depressão severa.

As intervenções musicais são particularmente benéficas na reabilitação motora após AVC. A estimulação auditiva rítmica melhora distúrbios da marcha, e a terapia de entonação melódica é utilizada com sucesso na reabilitação de pacientes com afasia (problema na fala) não fluente", relata Elisa de Paula. 

Resposta mais rápida do AVC com música

Para comprovar a eficácia dessa abordagem não medicamentosa, um recente estudo publicado na revista Cerebrovascular Diseases examinou 72 ensaios clínicos, envolvendo mais de 5.500 indivíduos pós-AVC. Os resultados trouxeram evidências  de que a intervenção musical tem um efeito rápido e transformador: em apenas duas semanas de tratamento, os pacientes já apresentam reduções significativas na depressão e melhoria nos déficits cognitivos.

Os pesquisadores observaram que esse alívio emocional e cognitivo precoce cria um ciclo de recuperação estruturado. Entre quatro e oito semanas de terapia contínua, os benefícios evoluem para melhorias concretas nas atividades de vida diária, na função neurológica geral e na recuperação motora dos membros.

Do ponto de vista biológico, exames revelaram que a musicoterapia eleva os níveis de serotonina no sangue dos pacientes, um hormônio fundamental que serve como indicador biológico para o alívio do quadro depressivo.

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