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Busca de profissionais 60+ por vagas cai à metade no 1° semestre, aponta BNE

Andrea Piacquadio /Pexels

Número de candidaturas de profissionais 60+ caiu de 29.088 para 13.943 no primeiro semestre de 2026 - Andrea Piacquadio /Pexels
Número de candidaturas de profissionais 60+ caiu de 29.088 para 13.943 no primeiro semestre de 2026
Por Claudio Marques

13/07/2026 | 16h53

São Paulo - Levantamento realizado pelo Banco Nacional de Empregos (BNE) mostra que o volume de candidaturas de emprego do público 60+ em plataformas formais caiu 52%. No primeiro semestre de 2025, o BNE registrou 29.088 candidaturas de profissionais seniores, no mesmo período de 2026, esse número recuou para 13.943.

Ao mesmo tempo que essa queda é registrada, análise da Nexus com base em dados da PNAD Contínua do IBGE mostra que o número de trabalhadores com 60 anos ou mais cresceu 53% nos últimos dez anos, passando de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões de pessoas ocupadas. Atualmente, uma em cada quatro pessoas nessa faixa etária está trabalhando, a maior taxa de ocupação registrada na última década.

Para o BNE, um site currículos com mais de 135 mil empresas cadastradas, essa desconexão reflete um misto de alta retenção de talentos no mercado formal e uma acentuada migração para o mercado invisível. A plataforma cita um estudo da pesquisadora Janaína Feijó, da FGV IBRE, mostrando que a informalidade atinge 53,8% dos trabalhadores 60+.

Segundo o diretor de operações (COO) da BNE, José Tortato, as barreiras tecnológicas também contribuem para esse cenário. A automação excessiva nos processos seletivos e o uso de inteligência artificial (IA) sem viéses auditados muitas vezes criam barreiras para os profissionais seniores, diz ele.

Se o algoritmo desclassifica um currículo por causa de uma lacuna temporal ou do ano de formação, o profissional 60+ percebe que a plataforma formal não está gerando retorno e migra para o mercado informal ou para redes de indicação direta", analisa.

O executivo defende que a acentuada redução no volume de candidaturas não deve ser interpretada como falta de interesse dos trabalhadores. "O RH precisa entender que a queda nas candidaturas não é falta de interesse do profissional, mas um sintoma de que os canais formais de recrutamento precisam ser mais inclusivos e humanizados."

Quais vagas são mais buscadas por pessoas idosas?

Os dados do BNE revelam que a busca por recolocação está concentrada em dois extremos bem definidos:

No operacional: A profissão de motorista continua sendo de grande interesse entre os profissionais 60+. Foram 1.452 candidaturas no primeiro semestre de 2025 e 674 em 2026. Funções como porteiro, auxiliar administrativo e assistente administrativo também se mantêm no topo, atraindo quem busca contratações mais diretas e rotinas estruturadas.

Senioridade corporativa: Áreas técnicas de alta qualificação e gestão de risco, como engenharia civil e análise contábil, mantiveram volumes expressivos e estáveis (ambas acima das 300 candidaturas em 2026). Isso prova que a experiência de longo prazo ainda tenta cavar seu espaço no ecossistema corporativo tradicional.

Como preparar a empresa para os 60+

Conforme o estudo, o diagnóstico revela a necessidade de três mudanças de atitude para a inclusão de profissionais mais sênior:

Revisar o funil de R & S: É preciso auditar as ferramentas de ATS (sistemas de rastreamento de candidatos) para garantir que os filtros não estejam descartando talentos automaticamente.

Combater a informalidade com inclusão: Criar programas de mentoria reversa, onde jovens e seniores trocam experiências de tecnologia e mercado, ajudando a absorver essa mão de obra qualificada que hoje é empurrada para a informalidade.

Adequação de benefícios: Benefícios tradicionais podem não atrair o público 60+. Planos de saúde robustos, jornadas flexíveis e suporte ao planejamento de aposentadoria ativa são os novos diferenciais competitivos. 

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