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Temperaturas extremas podem levar à morte, alertam especialistas

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Extremos climáticos podem desencadear problemas de saúde, principalmente em idosos e crianças - Adobe Stock
Extremos climáticos podem desencadear problemas de saúde, principalmente em idosos e crianças
Por Redação Viva

07/07/2026 | 19h24 ● Atualizado em 09/07/2026 | 09h10

São Paulo - As mudanças climáticas já são uma realidade e afetam cada parte do planeta de maneira específica. Os moradores do Hemisfério Norte têm enfrentado ondas de calor acima da média a que estavam acostumados. Da mesma forma, no Hemisfério Sul, as ondas de frio têm surpreendido pela intensidade e duração. Para o corpo humano, esses eventos climáticos podem causar sérios prejuízos à saúde.

“Esses fenômenos de inversão de comportamento dependem muito das alterações nas correntes oceânicas, da temperatura do mar, da elevação do nível do mar e também da modificação do regime de ventos, ditada, muitas vezes, por alterações na cobertura vegetal da Terra”, explicou o médico patologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva.

O médico é um dos mais reconhecidos pesquisadores brasileiros nas áreas de saúde ambiental, poluição do ar e seus impactos sobre a saúde humana. Ele ressalta que, nesse processo de mudança, alguns grupos são mais afetados e correm maior risco de morte, especialmente crianças e  idosos.

“E quem morre nessas horas? Morrem primeiro as pessoas que ainda não desenvolveram completamente o termostato do corpo, que ainda está em maturação, ou seja, crianças abaixo de 5 anos. E os idosos, porque o termostato já 'quebrou'. Isso faz parte da perda funcional e também de mecanismos como aterosclerose, diabetes e redução da camada de gordura subcutânea. Tudo isso faz com que exista menor capacidade de adaptação desses dois grupos”, afirmou o médico.

Os extremos climáticos podem desencadear diferentes problemas de saúde que podem levar à morte. Em situações de calor extremo, a desidratação pode ser um dos principais fatores para casos graves, pois a falta de água no organismo torna o sangue mais viscoso, comprometendo o funcionamento dos órgãos.

Quando as temperaturas ficam muito abaixo do normal, o corpo entra em um processo de vasoconstrição e aumento da pressão arterial. Em pessoas com doenças crônicas, essa resposta pode desencadear diversos problemas cardíacos, já que o organismo tenta, a todo momento, regular sua temperatura.

A qualidade do ar também é afetada durante os eventos climáticos extremos. Se o ar estiver excessivamente seco ou muito úmido, os pulmões enfrentam dificuldades para manter seu funcionamento normal, o que pode aumentar os casos de doenças respiratórias que, se não tratadas, podem levar à morte.

Saldiva destaca que, em momentos de extremos climáticos, é necessário ter atenção redobrada com idosos e crianças.

É preciso manter as pessoas hidratadas durante as ondas de calor e aquecidas durante as ondas de frio. Quando está muito quente, por exemplo, o bebê não consegue pedir água sozinho. Então, é preciso observar a cor da urina. O mesmo acontece com os idosos. Quando você perceber que a urina está ficando escura, significa que é hora de hidratar. Quando perceber que as extremidades do corpo estão frias, significa que é preciso aquecer”.

Além disso, como muitos idosos são portadores de doenças crônicas, o médico destaca que o principal cuidado é manter essas condições sob controle. “O maior cuidado seria controlar as comorbidades. É preciso prestar muito mais atenção aos indicadores de glicemia, pressão arterial e respiração das pessoas que, por ventura, tenham doenças que possam ser agravadas por essas alterações.”

Calor extremo não é exceção

Por conta das mudanças climáticas, eventos extremos tendem a se tornar cada vez mais frequentes. Um estudo do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz mostrou que, entre 2000 e 2018 as ondas de calor estiveram associadas a mais de 48 mil mortes em regiões metropolitanas do Brasil.

"As mudanças climáticas já fazem parte da nossa realidade. Muitas das mortes e dos agravamentos relacionados ao calor podem ser evitados com informação de qualidade, planejamento e ações de prevenção. Adaptar-se às mudanças climáticas significa, acima de tudo, proteger vidas e cuidar das pessoas", afirmou a pesquisadora e coordenadora do Observatório, Renata Gracie.

A pesquisadora destaca que, entre os grupos mais vulneráveis, os idosos requerem atenção porque o organismo perde parte da capacidade de regular a temperatura corporal com o envelhecimento e porque esse grupo apresenta maior frequência de doenças crônicas.

Precisamos mudar essa percepção para que a população compreenda que uma onda de calor é um evento extremo, com potencial para agravar doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, além de aumentar significativamente o risco de morte entre pessoas vulneráveis".

Como amenizar os danos do calor extremo?

Embora não seja possível controlar a chegada das ondas de calor, algumas medidas podem ser adotadas para reduzir seus impactos. Confira algumas das principais orientações da pesquisadora:

Mantenha uma boa hidratação - Mesmo sem sentir sede, é importante redobrar a atenção à hidratação nos dias mais quentes e beber a quantidade de água recomendada para manter o organismo hidratado.
Cuidado com a alimentação - Evite alimentos gordurosos e dê preferência a refeições leves e alimentos frescos.
Planeje seus horários - Nos horários de maior calor, permaneça em locais frescos e arejados. Evite praticar exercícios físicos ao ar livre e a exposição direta ao sol. Nesses dias, prefira roupas leves.

Tontura, fraqueza, dor de cabeça intensa, confusão mental ou diminuição da quantidade de urina podem ser sinais de que o organismo está sobrecarregado e encontrando dificuldades para regular sua temperatura e seu funcionamento. Se esses sintomas se agravarem, procure uma unidade de saúde o quanto antes.

Também é importante nunca deixar animais presos em veículos fechados ou expostos ao sol. Eles também podem sofrer graves consequências à saúde durante as ondas de calor.

(Por Bruno Felix, especial para o VIVA)

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