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Canetas emagrecedoras do Paraguai são iguais as brasileiras? Entenda riscos

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Produtos vindos do Paraguai não passam pelo rigoroso processo de registro da Anvisa - Freepik
Produtos vindos do Paraguai não passam pelo rigoroso processo de registro da Anvisa
Por Emanuele Almeida

09/07/2026 | 12h31

São Paulo - Com o aumento da procura por tratamentos para perda de peso, muitos consumidores buscam alternativas no mercado paralelo. No entanto, surge a dúvida: as canetas emagrecedoras do Paraguai são iguais as brasileiras? Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a resposta é não, e as informações que circulam sobre uma suposta equivalência são falsas.

Estudo analisou possível equivalência

Recentemente, o Laboratório de Toxicologia Analítica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) realizou uma investigação técnica em amostras dessas canetas contrabandeadas. É fundamental entender que o objetivo da análise da Unicamp foi realizar uma triagem inicial para verificar se os produtos continham o princípio ativo tirzepatida e se havia mistura com outras substâncias.

A Unicamp esclarece que essa análise de bancada é apenas uma etapa preliminar e não substitui o controle sanitário nem atesta a segurança ou eficácia do medicamento. O centro não realizou estudos de bioequivalência, que são testes complexos necessários para garantir que um remédio funcione exatamente como o original no corpo humano.

Qual é o perigo da superdosagem?

Embora a molécula de tirzepatida tenha sido encontrada nas amostras, os resultados revelaram uma falha grave de controle de qualidade: uma das canetas analisadas apresentou uma concentração 60% superior à indicada no rótulo.

Essa quantidade excessiva do fármaco configura uma superdosagem aguda, que pode sobrecarregar o organismo e levar a complicações imediatas, como:

  • Choque gastrintestinal: vômitos e diarreia severa, causando desidratação perigosa;
  • Falência renal: perda extrema de líquidos que pode paralisar os rins;
  • Hipoglicemia severa: queda brusca do açúcar no sangue, com risco de desmaios e convulsões;
  • Pancreatite aguda: inflamação grave do pâncreas que exige internação;
  • Arritmias cardíacas: taquicardia e estresse extremo ao coração.

Por que comprar no Paraguai é arriscado?

Diferente das canetas registradas no Brasil, os produtos vindos do Paraguai não passam pelo rigoroso processo de registro da Anvisa. Isso significa que não há garantia sobre:

  • Pureza do fármaco: a presença da molécula não prova que o remédio está livre de contaminantes ou metais pesados;
  • Esterilidade: não se sabe se a solução é estéril ou se foi fabricada em condições higiênicas adequadas;
  • Processo produtivo: as empresas fabricantes não tiveram suas Boas Práticas de Fabricação (BPF) certificadas pela agência brasileira.

Para garantir a sua saúde, a recomendação oficial é utilizar apenas medicamentos registrados e adquiridos em farmácias autorizadas, evitando o uso de substâncias de procedência desconhecida.

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