Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Crime digital no Brasil é coisa de profissional, aponta relatório

Adobe Stock

Em 2026 o crime digital está mais lucrativo e profissional do que nunca, mostra relatório da Fortinet - Adobe Stock
Em 2026 o crime digital está mais lucrativo e profissional do que nunca, mostra relatório da Fortinet
Por Felipe Cavalheiro

05/05/2026 | 08h18

São Paulo - O crime digital já foi isolado e amador, se valendo de golpes e poucos indivíduos anônimos buscando lucro com seu conhecimento de sistemas. Hoje, o Cenário Global de Ameaças, da empresa de cibersegurança Fortinet, revela uma indústria completa. E no Brasil, o avanço é impressionante: em 2025, o País registrou 187,5 milhões de distribuições de vírus, um número mais de cinco vezes superior ao do ano anterior. 

Leia também: Brasil recebeu 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025

O country manager da Fortinet Brasil, Frederico Tostes, alerta que empresas devem encarar a cibersegurança como um fator direto de risco financeiro . 

"Se existe uma certeza para os próximos anos é que o crime cibernético vai operar cada vez mais como uma indústria organizada, incorporando automação, especialização e inteligência artificial."

Chamado de Crime as a Service (CaaS - crime como serviço), o modelo de serviço conseguiu democratizar a aplicação de golpes: vírus, pacotes de e-mails phishing e redes de "computadores zumbis" (as botnets) são vendidos na darkweb, permitindo que iniciantes possam realizar ataques complexos. 

Inteligência Artificial nos ataques cibernéticos

Foto de Alexandre Bonatti
Crime digital está se profissionalizando, diz Alexandre Bonatti, diretor de Engenharia de Soluções da Fortinet - Reprodução/Linkedin

Pior que isso: o conhecimento necessário para realizar crimes online se reduziu com o uso de Inteligência Artificial.

A Fortinet identificou agentes como WormGPT, FraudGPT, HexStrike AI e BruteForceAI. Ao contrário das IAs conhecidas no mercado, estes modelos não possuem "travas éticas", e podem ser comandados a gerar golpes complexos. 

O levantamento da Fortinet conta que em 2025 ocorreram  743 bilhões de tentativas de ataques de negação de serviço  – quando um hacker comanda uma "botnet" para tentar derrubar um site – mais que o dobro dos ataques deste tipo registrados em 2024. 

Também houve 5 milhões de tentativas de dowloand de programas não autorizados e 1 milhão de arquivos maliciosos de Pacote Office.

Apesar do crescimento geral, as tentativas de ataques de força bruta globais  tiveram uma queda de 22%.  O diretor de Engenharia de Soluções da Fortinet, Alexandre Bonatti explica que o número também revela a tendência de profissionalização. 

Mesmo que um volume maior fosse possível, as táticas agora são mais inteligentes: os criminosos estão fazendo menos tentativas contra alvos melhor selecionados".

Comparsas do crime online

Enquanto a educação é sempre a aposta de especialistas para a maior cibersegurança, Bonacci atenta que os criminosos não conseguem as informações sigilosas apenas através de phishing, mas também buscando colaboradores internos.  

Leia também: Criminosos pagam até US$ 25.000 a funcionários por dados de empresas e bancos

Quando as defesas de uma empresa são muito robustas, o especialista explica que basta aos criminosos convencerem um empregado com acesso à senha da rede privada (VPN), oferecendo parte de seus lucros. 

Menores de idade também são cooptados pela rede do cibercrime, sendo recrutados através de jogos e redes sociais para servir como laranjas para a lavagem de dinheiro, e recebendo instruções de como justificar aos pais os lucros repentinos. 

Uma prática comum entre empresas de cibersegurança é compartilhar o máximo possível de informações com as concorrentes sobre as falhas que foram exploradas e quais golpes estão em alta. 

Leia também: Identificados mais de 300 sites falsos para fraudar idosos

Bonacci conta que esta colaboração ainda não é bem vista por muitas empresas, que preferem esconder os detalhes de seus vazamentos. Trata-se de uma barreira  cultural no combate ao crime digital. 

Um ataque bem sucedido em um banco será replicado em outros. Todo o ecossistema tem que estar seguro para evitar a expansão do cibercrime, por isso compartilhar informações é indispensável".

Mas algumas soluções neste âmbito já são estudadas no Brasil. A Lei Geral da Cibersegurança, atualmente em tramitação no Senado, serve como exemplo ao prever a criação de um centro anônimo de compartilhamento de vulnerabilidades. 

Uma iniciativa parecida é o Cybercrime Bounty, criada em conjunto pela Fortinet e a Crime Stoppers International . O canal serve como um centro de denúncia, para que pessoas comuns e hackers éticos possam colaborar de forma anônima informando sobre pontos fracos encontrados online. 

*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias