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Durigan: 'Aprendemos com o Desenrola 1 e estamos corrigindo o curso'

Divulgação/TV Cultura

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira, 4 de maio - Divulgação/TV Cultura
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira, 4 de maio
Por Broadcast

05/05/2026 | 09h29

São Paulo e Brasília - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na noite desta segunda-feira, 4, que o governo corrigiu falhas do primeiro Desenrola na nova edição do programa de renegociação de dívidas, cuja medida provisória foi assinada na segunda-feira. O programa começa a valer já nesta terça-feira, 5.

“A gente aprendeu com o Desenrola 1 e estamos corrigindo o curso em algumas questões para o Desenrola 2”, afirmou o ministro, em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura.

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Durigan destacou que o novo programa tem acesso mais simples em relação à primeira edição, na qual foi criada uma plataforma de leilão de dívidas, com vários intermediários. Para acessar a plataforma, era preciso estar cadastrado no portal do governo, o Gov.br, com nível de acesso ouro.

Teve uma certa fricção para acesso. Agora, no Desenrola 2, nós estamos fazendo de maneira muito simplificada. Os próprios bancos têm interesse, nós pactuamos com eles, eles próprios vão buscar as pessoas e vão fazer o atendimento”.

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Motivos de insatisfação

Segundo o ministro, há um conjunto de "fatores difíceis" que estariam por trás da insatisfação da população com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). e sustentou que cabe às autoridades entenderem os motivos.

“A questão do endividamento pode pegar, a taxa de juros acho que pega um pouco e a segurança pública pega um pouco. Tem uma oposição muito forte, muito renhida, muito presente nas redes sociais. Então, acho que tem um conjunto de fatores difíceis”, disse.

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Durigan afirmou ainda que sente as pessoas mais angustiadas com questões de trabalho e com as guerras no mundo. “Tem muitas questões em jogo, tem um gap comunicacional nas redes, o que é viral e o que é real.”

Caso Master

Durigan classificou o caso do Banco Master como “bastante grave” e “o maior escândalo do nosso sistema financeiro”. “As pessoas receberam, de alguma forma, por conta do FGC [Fundo Garantidor de Créditos], mas o FGC foi bastante abalado, os bancos todos tiveram que ratear. No fundo, é dinheiro dos poupadores, do sistema, que está sendo utilizado para isso”.

Ele disse que não há como amenizar o problema causado e salientou que a responsabilidade primordial é de quem acompanhou o processo no Banco Central, da autorização do Master até as últimas aprovações de aquisição de banco, de 2019 a 2024, na gestão do presidente anterior da autoridade monetária, sem citar nominalmente Roberto Campos Neto.

“Do ponto de vista das investigações, acho que a lei tem que ser exercida, tem que ser colocada em prática com rigor no País”, completou.

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Salário mínimo

Sobre projetos de revisão de gastos pelo governo, afirmou que não é o momento. “É claro que agora - nós estamos em maio, temos eleição em outubro - não vamos conseguir aprovar e discutir temas no Congresso Nacional que façam revisão de gasto”, disse.

O ministro revelou ter tentado, com o ex-ministro Fernando Haddad, tocar matérias do tipo no fim de 2024, “e não conseguimos em vários casos”.

Ainda assim, o ministro defendeu que a discussão sobre os gastos públicos é “um debate contínuo” no País.

Sobre a política de reajuste do salário mínimo, Durigan lembrou que o atual governo já revisou o mecanismo. “A política de reajuste do salário mínimo foi revista no fim de 2024. E debates como esse não são tabu, a gente pode voltar a discutir. O que estou dizendo é que, de maio a outubro, é praticamente impossível que o Ministério da Fazenda, a equipe econômica apresente uma política de revisão de gastos, quando, na verdade, ninguém quer tratar desse tema agora.”

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Crise mundial

O titular da Fazenda admitiu a possibilidade de “alguma crise” mundial no horizonte futuro e citou especificamente uma turbulência financeira global envolvendo as empresas de tecnologia.

“Elas têm uma valorização hoje nos mercados que é muito acima do que a gente consegue apurar em termos de produtos, serviços”, disse Durigan, citando conversas que teve em Washington, por ocasião das Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em abril.

“Tem muita gente preocupada, há uma alavancagem brutal em três, quatro empresas, e isso pode gerar uma crise para o sistema financeiro."

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Ele reiterou que a política monetária está sendo pressionada pelos impactos da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis, e não pela política fiscal e pelo excesso de gastos do governo.

“O que pressiona a política monetária hoje? É o fiscal? Não, é a guerra. O que pressionou a política monetária, por exemplo, em vários outros momentos, em que você teve crise no Rio Grande do Sul, em que você teve tarifaço do Trump? Pode não ter sido o fiscal, e isso é importante notar”.

O ministro ressaltou que a equipe econômica tem o desafio de equilibrar a necessidade de organizar as contas públicas com as demandas sociais e por investimentos em infraestrutura. O arcabouço fiscal, assegurou, veio para ficar, ainda que com possíveis mudanças de parâmetros, e que os gastos obrigatórios precisam ser contidos, como colocado por Fernando Haddad.

Conforme Durigan, a situação fiscal tem melhorado, e o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) prevê para o ano que vem um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo incorporando os pagamentos de precatórios em montante superior ao que se previa. “Sem calote, tudo às claras, com limite de crescimento de despesa com pessoal”, declarou o ministro.

(Por Eduardo Laguna e Flávia Said)

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