Profissional 50+ resiste menos a assédio moral e mais ao sexual, diz pesquisa
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São Paulo - Profissionais 50+ não costumam reagir a situações que outros podem vir a considerar como assédio moral. Por terem já vivido ou presenciado práticas do tipo no ambiente corporativo anteriormente, os sêniores tendem a normalizar comportamentos abusivos, dificultando a distinção entre cobrança profissional e assédio. Já no tocante a assédio sexual, é o contrário: os 50+ se posicionam mais contra esse tipo de abuso.
Essa é uma das conclusões de um estudo da S2 Consultoria sobre a resiliência ética de 24.326 profissionais de 174 organizações frente a situações de assédio moral e sexual. Em relação ao assédio moral, a resistência diminui com o avanço da idade: 51% dos trabalhadores de 18 a 29 anos apresentaram alta resiliência, índice que cai para 38% entre aqueles com 50 anos ou mais (50+).
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Em relação ao assédio sexual, a resiliência ética cresce progressivamente com a idade. O índice de alta resiliência é de 47% na faixa de 18 a 29 anos, passa para 52% entre 30 e 39 anos, atinge 54% dos 40 aos 49 anos e chega ao ápice de 55% entre os profissionais 50+.
O que é resiliência
O conceito de resiliência refere-se à capacidade individual de reconhecer, resistir e rejeitar condutas inadequadas sob pressão ou dilemas éticos. Assim, altos níveis de resiliência indicam maior capacidade de posicionamento, enquanto níveis baixos sinalizam vulnerabilidade a tolerar, praticar ou relativizar esses comportamentos.
Os resultados, segundo a pesquisa, evidenciam que a idade isoladamente não define a resiliência, dependendo também do contexto e das vivências acumuladas. A psicóloga e sócia da S2, Alessandra Costa, diz que a maturidade profissional não atua como proteção uniforme. Pressões como o receio de substituição e a necessidade de manter a posição no mercado também podem desestimular reações e denúncias.
Questões como a manutenção da carreira, o receio de substituição e a necessidade de preservar sua posição profissional podem influenciar a disposição para confrontar situações inadequadas ou denunciar abusos. Isso não significa que esses profissionais sejam mais frágeis, mas que determinados contextos podem aumentar a dificuldade de reagir a certas situações”.
Diante desse fato, a S2 destaca a necessidade de as empresas adaptarem suas estratégias de prevenção, indo além do foco na atração e retenção de jovens. Alessandra Costa ressalta a importância de estruturar canais de denúncia seguros, treinamentos e programas de mentoria voltados a todas as faixas etárias, sem criar estereótipos geracionais, mas reconhecendo os riscos específicos enfrentados por cada grupo.
O cenário ganha relevância, segundo Costa, com as mudanças demográficas no ambiente corporativo. Nesse sentido, ela lembra os dados da plataforma Nexus apontando que o total de trabalhadores com 60 anos ou mais subiu 53% na última década, somando quase 8,8 milhões de pessoas — ritmo superior ao crescimento da população idosa no período (37%).
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