Brasil cria 921 mil empregos formais no 1º semestre, menor saldo desde 2020
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília - O mercado de trabalho brasileiro criou 921.645 empregos com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O saldo representa queda de 25% em relação aos seis primeiros meses de 2025 e é o menor para o período desde 2020, quando foram fechadas 1,399 milhão de vagas em meio aos impactos da pandemia de covid-19.
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Os números reforçam o quadro de um mercado de trabalho ainda aquecido, mas em processo de desaceleração sob o peso da política monetária restritiva aplicada pelo Banco Central.
Quais os setores que mais contratam
No acumulado de janeiro a junho, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividade registraram saldo positivo de empregos. O setor de serviços liderou a geração de vagas, com 571.926 postos, seguido por construção (168.962), indústria (143.442) e agropecuária (40.853). O comércio foi o único segmento com resultado negativo, ao fechar 3.514 postos de trabalho.
Entre os Estados, São Paulo apresentou o maior saldo de empregos no semestre, com 252.558 vagas, seguido por Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638). Os menores resultados foram registrados em Alagoas (-8.215), Rio Grande do Norte (716) e Roraima (1.938).
Resultado mensal
Em junho, o mercado de trabalho abriu 145.161 vagas formais, desempenho acima das expectativas do mercado. O resultado ficou mais próximo do teto da pesquisa Projeções Broadcast, de 147 mil postos criados, do que da mediana, de 110 mil. A estimativa mais baixa apontava para criação de 80 mil vagas.
Apesar da surpresa positiva, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando foram fechadas 53.381 vagas durante a primeira onda da covid-19. Em junho de 2025, haviam sido criados 161.999 empregos, na série com ajustes de declarações fora do prazo.
O saldo do mês decorreu de 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos. Com isso, o estoque de empregos celetistas no País alcançou 48.032.308 vínculos ativos.
Todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldo positivo em junho. Serviços liderou a criação de vagas, com 74.514 postos, seguido por agropecuária (22.898), comércio (19.177), indústria (14.438) e construção (12.136).
Vinte e cinco das 27 Unidades da Federação tiveram saldo positivo no mês. Em números absolutos, São Paulo (34.981), Minas Gerais (20.805) e Rio de Janeiro (16.856) lideraram a geração de empregos. Espírito Santo (-2.259), Tocantins (-135) e Rondônia (108) registraram os menores saldos.
O salário médio real de admissão somou R$ 2.404,34 em junho, 0,7% maior do que o observado em maio. Na comparação com junho de 2025, o aumento foi de 1,2%.
Taxa de juros
Os dados também serão acompanhados de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic. No último encontro, em junho, o colegiado reduziu os juros de 14,50% para 14,25%, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho como um fator de pressão sobre a inflação, especialmente no setor de serviços.
(Por Cícero Cotrim)
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