Escalas de Carnaval e feriados revelam estratégia de gestão, segundo ABRH
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11/02/2026 | 17h46
São Paulo, 11/02/2026 - A organização das escalas de feriados e pontos facultativos, como no Carnaval, revela uma estratégia de gestão que torna os ambientes de trabalho mais humanos e produtivos, com os profissionais mais engajados e alinhados à cultura organizacional.
De acordo com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), a possibilidade de usufruir das pausas proporcionadas por esses períodos ao longo do ano se reverte em equilíbrio e bem-estar para os profissionais, oportunidade de convivência familiar, manutenção de vínculos sociais e recuperação emocional.
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Para as organizações, há ganho em produtividade, à medida em que os colaboradores têm a chance de relaxar nos dias de folga e feriados. “Estudos mostram que profissionais descansados têm clareza para tomar decisões relevantes e manter os níveis de concentração elevados”, informa a ABRH.
Área de produção
No entanto, nem sempre é possível estender à toda empresa essas folgas. Ao VIVA, o diretor Jurídico da ABRH, Wolnei Ferreira, diz que a participação do RH é “absurdamente estratégica” nesse processo, mas chama a atenção para a necessidade de separar as áreas administrativa e operacional e ter a participação dos líderes de operações na elaboração de escalas. Assim, leva-se em consideração as jornadas de trabalho, os horários e a forma de atuação na empresa, para não interromper a produção.
“Não pode haver queda de produtividade, porque às vezes o setor tem que atender a demanda do mercado”, diz ele, lembrando que o período de Carnaval não é feriado nacional, mas feriado bancário. “E na parte produtiva, operacional, é muito comum que haja trabalho nesses dias”, acrescenta. Segundo Ferreira, muitas vezes, as empresas envolvem os sindicatos no processo.
Área administrativa
Por isso, é preciso separar as áreas de produção e administrativa. "A parte administrativa está mais acostumada com essas escalas", diz Ferreira. “E também está mais ligada aos feriados bancários”, acrescenta. Ele lembra que o Carnaval é um feriado bancário e não um feriado nacional, remunerado, na grande maioria das cidades brasileiras. A eventual interrupção na área administrativa, portanto, não afetaria a produção.
A ABRH-SP recomenda que se observem as leis e os acordos para que prevaleçam os direitos e deveres dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, os líderes devem estar atentos não somente ao calendário, mas também às boas práticas, que associam folgas, bem-estar e resultados no trabalho.
No calendário de 2026, o Carnaval começa no próximo sábado (14/02). Segunda (16/02) e terça (17/02) são pontos facultativos. A quarta-feira de cinzas (18/02) é considerada ponto facultativo até as 12h. Alguns Estados e municípios têm regras próprias sobre feriados locais. Por esta razão, é preciso atenção às normas regionais.
Feriados e pontos facultativos
O feriado é data estabelecida por lei. Nesta situação, para o empregado, a folga deve ser remunerada. Caso precise trabalhar ou seja convocado a estar na empresa, a legislação prevê pagamento em dobro pelo dia trabalhado.
Em caso de ponto facultativo, o empregador pode decidir pela folga ou não dos funcionários. Também tem a prerrogativa de definir equipes reduzidas ou a manutenção de plantões. Nos dias considerados pontos facultativos, não há obrigação de pagamento extra.
Acordos coletivos
No entanto, se houver previsão de remuneração a partir de convenção coletiva ou acordo firmado com o empregador, o funcionário tem direito à remuneração. Para a ABRH-SP, é fundamental que haja alinhamento prévio e diálogo transparente entre trabalhadores e gestores para o aproveitamento do benefício do ponto facultativo.
O calendário de 2026 tem dez feriados nacionais, nove deles em dias úteis e sete coincidindo com segundas e sextas-feiras, configurando finais de semana prolongados. No ano, ainda estão previstos nove pontos facultativos.
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