Intercâmbio: brasileiros 50+ buscam idiomas, autonomia e novas experiências
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São Paulo - Os programas de intercâmbio deixaram de ser algo apenas para o público adolescente e ganham espaço entre brasileiros com mais de 50 anos. São vistos, por esse público, como oportunidade para aprender idiomas, conhecer outras culturas e viver novas experiências. É o caso da empresária Rosana Sara Leandrini, de 64 anos, e do advogado Nelson Nogueira, de 56 anos.
Leandrini está em Roma para aprender italiano como parte de um programa da EF Intercâmbios. Ela chegou em janeiro com a intenção de ficar até o começo de junho, mas a experiência superou sua expectativa e decidiu estender a permanência até 2 de outubro, completando nove meses na Itália.
O país era um sonho antigo. A empresária tem ascendência italiana, com bisavós nascidos no Vêneto, e já havia visitado a Itália. A decisão de passar uma temporada no país veio depois que uma das filhas estudou durante um ano em Florença. Quando ela voltou, Rosana decidiu fazer algo por si mesma.
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Para ela, a experiência é uma oportunidade de fazer algo por si mesma.
Temos que fazer alguma coisa por nós mesmos, porque só fazemos pelos outros. Temos que fazer alguma coisa para o nosso eu”, afirma.
Ela escolheu o curso intensivo. As aulas, de 3 horas de duração, são ministradas de segunda a sexta-feira, em horários variados. A EF também oferece um programa específico para pessoas com mais de 50 anos, com estadias flexíveis e atividades próprias para esse público.
Leandrini chegou a Roma sem saber falar italiano. Agora, já consegue se comunicar nas ruas, embora ainda cometa erros. Durante a estadia, continua trabalhando remotamente na área financeira da empresa de transporte da família.
A experiência incluiu ainda uma rotina mais independente. Morando sozinha, passou a cuidar da casa, fazer compras, cozinhar e lavar roupa – atividades que não fazia no Brasil. Para ela, a experiência trouxe uma sensação de independência e leveza.
A maior dificuldade, segundo ela, foi ficar longe da família – ainda que a filha tenha passado 15 dias com ela em julho. Em contrapartida, fez amizades com estudantes de diferentes idades e nacionalidades e começou um relacionamento com um italiano.
“Eu descobri uma coragem que eu não sabia que existia”, afirma. Ela aconselha outras pessoas 50+ que pensam em fazer um intercâmbio: “Venha sem medo, venha livre porque vale muito a pena”.
Advogado foi para Manchester estudar inglês
Assim como Leandrini, o advogado Nogueira também considera que seu maior desafio foi a distância da família. Ele escolheu Manchester, na Inglaterra, para estudar inglês durante cinco meses. “Eu senti muita falta da minha família, dos meus filhos, da minha esposa”, diz.
O motivo que o levou a optar pelo intercâmbio, segundo ele, não foi profissional, mas pessoal. “É para crescimento pessoal”, afirma. A decisão surgiu a partir da adoção do que chama de “meia aposentadoria”, na qual pretende trabalhar menos e viajar mais com a esposa.
Como já havia enfrentado dificuldades em viagens internacionais por não dominar o idioma, decidiu estudar inglês para ganhar autonomia.
A comunicação fora do país é uma barreira muito grande. Eu escolhi fazer esse intercâmbio para acelerar esse processo.”
Nogueira continuou trabalhando durante os cinco meses no exterior. Como atua na área cível, especificamente com direito imobiliário, e não tem horários fixos, conseguiu organizar as atividades do escritório em torno das aulas.
A experiência também mudou sua percepção sobre quem faz intercâmbio. Antes
da viagem, ele esperava encontrar principalmente adolescentes e jovens.
“Meu receio, quando se falava em intercâmbio, é de que ele é para jovens”, conta. Em Manchester, porém, encontrou estudantes com mais de 50, 60 e até 70 anos, de países como Espanha, Japão, Coreia do Sul, Suíça, China e Arábia Saudita. Além das aulas, participou de atividades organizadas pela escola e conheceu cerca de 15 cidades.
“Não volto 100% fluente, mas volto me comunicando, volto no nível intermediário”, afirma. Para ele, o intercâmbio representa uma oportunidade de investir em si mesmo. “É uma fase da vida interessante em você investir em você mesmo.”
Mulheres são maioria entre os 50+
Dados da EF Intercâmbios de 2026 mostram que as mulheres representam 61,73% dos intercambistas 50+. Entre os destinos mais procurados estão Malta, que concentra 29,14% das viagens, além de Nova York, Manchester e Roma.
Os programas de quatro semanas são os mais procurados, correspondendo a 29,56% das viagens, seguidos pelos de duas semanas (23,72%), três semanas (15,33%) e seis semanas (10,58%).
De acordo com Heloisa Dirani, gerente de Grupos da EF Brasil, o programa 50+ foi estruturado considerando que esse público não é homogêneo. Segundo ela, os alunos 50+ demonstram alto grau de dedicação.
O que eu noto é que esse público é extremamente dedicado. Então, quando eles vão para lá, é 100% de presença. Quando eles querem participar das atividades, é em 100% das atividades.”
Segundo a EF, o público 50+ tem perfis e objetivos diversos. Por isso, os programas e a preparação consideram diferentes necessidades.
- Programas específicos: há cursos destinados exclusivamente ao público 50+, com duração flexível de duas a 52 semanas. Os alunos têm onboarding específico, com recepção diferenciada, atividades exclusivas e acompanhamento da adaptação.
- Atividades culturais: além das aulas, há experiências voltadas à cultura e aos interesses dos alunos, incluindo atividades de culinária e passeios, dependendo do destino.
- Diferentes objetivos: os cursos podem ser direcionados tanto ao aprendizado do idioma quanto a interesses específicos, como culinária. Para quem ainda está trabalhando, há opções relacionadas a business English, soft skills e networking.
- Acomodações: a EF oferece opções específicas para diferentes perfis, incluindo quartos individuais, cozinhas compartilhadas e, em alguns destinos, estúdios. As acomodações consideram faixa etária e gênero para tornar a experiência mais adequada ao perfil dos alunos.
- Seguro: há a opção de um seguro de saúde próprio, disponível para alunos de todas as idades.
- Medicamentos de uso contínuo: a preparação começa na matrícula, quando o aluno informa quais medicamentos utiliza e que tipo de suporte poderá precisar no destino. A EF orienta sobre os cuidados com a medicação, inclusive sobre a necessidade de levar os medicamentos em suas embalagens originais e de verificar se é necessária uma receita em inglês para apresentação.
- Destino e clima: os consultores fazem uma entrevista com o interessado para entender expectativas, orçamento, preferências inclusive sobre clima e o que é considerado indispensável na viagem. Hpa mais embarques em abril, maio, setembro e outubro, períodos de meia-estação.
- Perfil dos alunos: segundo a EF, 75% dos alunos 50+ nunca haviam feito intercâmbio.
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