Viajar contribui para melhor bem-estar e saúde entre pessoas 60+
Acervo pessoal
São Paulo - Ao menos duas vezes ao ano, a aposentada Julieta Cappellini, de 80 anos de idade, viaja pelo Brasil ou pelo mundo. Já passou por oito países e inúmeras cidade na companhia da família e das amigas. Muito além do que turismo, ela considera esse hábito um cuidado com seu bem-estar.
Eu me sinto mais feliz, mais completa e mais realizada quando viajo. Minha disposição muda completamente. Normalmente eu tomo calmante para dormir. Mas, durante as viagens, eu caminho tanto, conheço tantos lugares e vivo tantas experiências que fico naturalmente cansada. Muitas vezes, nem preciso dele para dormir."
Apaixonada por novidades, ela afirmou em entrevista ao VIVA que sente os benefícios antes mesmo de embarcar. "Até a preparação passa a fazer parte da experiência. Vou arrumando minhas coisas aos poucos, pensando no que vou fazer, nos lugares que quero conhecer. A rotina vai, naturalmente, se transformando na expectativa da viagem".
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A aposentada diz ainda que não se importa em caminhar "um país inteiro" para conhecer um lugar novo. "Quando canso, penso que é o momento perfeito para parar em um café ou em um restaurante, descansar um pouco e recarregar as energias", complementa.
Medicina e ciência respaldam benefícios
Do ponto de vista médico, a geriatra Alessandra Rodrigues Fiuza destaca que o turismo pode ser um aliado para a construção de novos vínculos e para tirar a pessoa de um ciclo de isolamento e depressão.
Idosos que viajam com mais frequência têm envelhecimento mais ativo, com mais engajamento social e menos depressão. Esses fatores acabam sendo um dos riscos modificáveis de demência mais difíceis de mudarmos no dia a dia de consultório, pois se correlaciona a uma construção comportamental ao longo da vida".
A médica afirma ainda que alguns estudos populacionais mostram que viagens de lazer, especialmente de longa distância, associam-se a melhor função cognitiva em idosos, reforçando seu valor terapêutico no envelhecimento saudável. "Corroborando com isso, o estudo ELDEST mostrou que a qualidade de vida física e mental autorreferida melhorou durante e após viagem em viajantes acima de 60 anos", acrescenta.
Para quem deseja se beneficiar dessa prática, Fiuza recomenda cuidados extras com a saúde antes e durante os passeios, especialmente entre idosos com múltiplas comorbidades ou que façam uso de medicamentos distintos para doenças crônicas. "É importante sempre consultar o médico para orientações e cuidados específicos para viagens, principalmente as mais longas e que exijam mais esforço físico", explica. Para ler uma lista completa de cuidados, clique aqui.
Destinos turísticos estão de adaptando ao público 60+
Um dos receios apresentados pelo público 60+ em relação ao turismo é não encontrar locais adaptados às suas necessidades. Porém, segundo o especialista em hospitalidade Daniel Pereira, da Equipotel, a alta procura desse grupo está fazendo com que o setor passe a olhar cada vez mais para a diversidade de perfis e necessidades dos viajantes.
Não se trata de criar uma experiência completamente diferente, mas de oferecer ambientes mais acessíveis, confortáveis e flexíveis, que permitam ao hóspede aproveitar a viagem com autonomia."
Ele ressalta que, durante a hospedagem, elementos como acessibilidade, camas e mobiliário confortáveis, banheiros seguros, boa iluminação, facilidade de deslocamento e atendimento atencioso fazem diferença. "Também é importante pensar na programação: atividades culturais, gastronômicas, de lazer e bem-estar que possam ser adaptadas a diferentes interesses e ritmos. Opções com elevadores, transportes para locomoção e horários flexíveis são ótimas", acrescenta.
A tecnologia também pode ser uma aliada, desde que venha para facilitar, e não para criar barreiras. "Check-in simplificado, informações acessíveis e canais de atendimento eficientes ajudam a tornar a jornada mais fluida", diz, e finaliza: "O que esse viajante procura é a mesma coisa que qualquer pessoa: ser bem recebido, ter autonomia e sentir que suas necessidades foram consideradas".
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