Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Viajar contribui para melhor bem-estar e saúde entre pessoas 60+

Acervo pessoal

Julieta Cappellini, de 80 anos, viaja para lazer ao menos duas vezes por ano e sente impactos dessa experiência na saúde física e mental - Acervo pessoal
Julieta Cappellini, de 80 anos, viaja para lazer ao menos duas vezes por ano e sente impactos dessa experiência na saúde física e mental
Por Bianca Bibiano

16/08/2026 | 10h26

São Paulo - Ao menos duas vezes ao ano, a aposentada Julieta Cappellini, de 80 anos de idade, viaja pelo Brasil ou pelo mundo. Já passou por oito países e inúmeras cidade na companhia da família e das amigas. Muito além do que turismo, ela considera esse hábito um cuidado com seu bem-estar

Eu me sinto mais feliz, mais completa e mais realizada quando viajo. Minha disposição muda completamente. Normalmente eu tomo calmante para dormir. Mas, durante as viagens, eu caminho tanto, conheço tantos lugares e vivo tantas experiências que fico naturalmente cansada. Muitas vezes, nem preciso dele para dormir."
aposentada Julieta Cappellini, em foto de acervo pessoal
Julieta Cappellini intercala longas caminhadas e momentos de descanso durante suas vianges - Acervo pessoal

Apaixonada por novidades, ela afirmou em entrevista ao VIVA que sente os benefícios antes mesmo de embarcar. "Até a preparação passa a fazer parte da experiência. Vou arrumando minhas coisas aos poucos, pensando no que vou fazer, nos lugares que quero conhecer. A rotina vai, naturalmente, se transformando na expectativa da viagem".

A aposentada diz ainda que não se importa em caminhar "um país inteiro" para conhecer um lugar novo. "Quando canso, penso que é o momento perfeito para parar em um café ou em um restaurante, descansar um pouco e recarregar as energias", complementa.

Medicina e ciência respaldam benefícios

Do ponto de vista médico, a geriatra Alessandra Rodrigues Fiuza destaca que o turismo pode ser um aliado para a construção de novos vínculos e para tirar a pessoa de um ciclo de isolamento e depressão.

Idosos que viajam com mais frequência têm envelhecimento mais ativo, com mais engajamento social e menos depressão. Esses fatores acabam sendo um dos riscos modificáveis de demência mais difíceis de mudarmos no dia a dia de consultório, pois se correlaciona a uma construção comportamental ao longo da vida". 

A médica afirma ainda que alguns estudos populacionais mostram que viagens de lazer, especialmente de longa distância, associam-se a melhor função cognitiva em idosos, reforçando seu valor terapêutico no envelhecimento saudável. "Corroborando com isso, o estudo ELDEST mostrou que a qualidade de vida física e mental autorreferida melhorou durante e após viagem em viajantes acima de 60 anos", acrescenta. 

Para quem deseja se beneficiar dessa prática, Fiuza recomenda cuidados extras com a saúde antes e durante os passeios, especialmente entre idosos com múltiplas comorbidades ou que façam uso de medicamentos distintos para doenças crônicas. "É importante sempre consultar o médico para orientações e cuidados específicos para viagens, principalmente as mais longas e que exijam mais esforço físico", explica. Para ler uma lista completa de cuidados, clique aqui.

Destinos turísticos estão de adaptando ao público 60+

Um dos receios apresentados pelo público 60+ em relação ao turismo é não encontrar locais adaptados às suas necessidades. Porém, segundo o especialista em hospitalidade Daniel Pereira, da Equipotel, a alta procura desse grupo está fazendo com que o setor passe a olhar cada vez mais para a diversidade de perfis e necessidades dos viajantes. 

Não se trata de criar uma experiência completamente diferente, mas de oferecer ambientes mais acessíveis, confortáveis e flexíveis, que permitam ao hóspede aproveitar a viagem com autonomia."

Ele ressalta que, durante a hospedagem, elementos como acessibilidade, camas e mobiliário confortáveis, banheiros seguros, boa iluminação, facilidade de deslocamento e atendimento atencioso fazem diferença. "Também é importante pensar na programação: atividades culturais, gastronômicas, de lazer e bem-estar que possam ser adaptadas a diferentes interesses e ritmos. Opções com elevadores, transportes para locomoção e horários flexíveis são ótimas", acrescenta.

A tecnologia também pode ser uma aliada, desde que venha para facilitar, e não para criar barreiras. "Check-in simplificado, informações acessíveis e canais de atendimento eficientes ajudam a tornar a jornada mais fluida", diz, e finaliza: "O que esse viajante procura é a mesma coisa que qualquer pessoa: ser bem recebido, ter autonomia e sentir que suas necessidades foram consideradas".

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias