Mais de 70% dos profissionais não põem em prática cursos das empresas
Levantamento do DOT Digital Group revela falta de aplicação prática no aprendizado corporativo em grandes empresas brasileiras
Por Claudio Marques
06/10/2026 | 08h31Adobe Stock
Uma pesquisa do DOT Digital Group revela que 71,5% dos profissionais não percebem a conexão entre treinamentos e suas necessidades no trabalho, indicando uma falha na aplicação prática do aprendizado nas empresas brasileiras, que obteve uma pontuação média de 58,5 no Índice de Maturidade da Aprendizagem.
A pesquisa, realizada com 1.088 trabalhadores de 154 grandes empresas, mostra que apenas 28,5% dos profissionais sentem que a aprendizagem se relaciona com suas rotinas, enquanto 32,4% têm recursos disponíveis, mas sem adaptação às suas necessidades específicas.
O CEO do DOT Digital Group, Luiz Ferla, enfatiza a importância de um ambiente organizacional que integre a aprendizagem ao trabalho, sugerindo que a aplicação de tecnologias, como inteligência artificial, deve ser feita dentro de uma estrutura que valorize o aprendizado contínuo e sua relevância para o desempenho profissional.
São Paulo - Será que os cursos oferecidos pelas empresas são considerados úteis pelos funcionários? A resposta, infelizmente, é não, de acordo com estudo realizado pelo DOT Digital Group, edtech de soluções de educação corporativa. A conclusão é que 71,5% dos profissionais não veem ligação do que aprendem em treinamentos e cursos internos com suas necessidades no ambiente de trabalho.
Destes, a maior parcela, de 32,4%, atua em empresas com verba e ferramentas disponíveis, mas sem adaptação às rotinas individuais. Outros 17,5% afirmam ter ferramentas e conteúdos, porém sem tempo e orientação adequada, enquanto 21,6% não percebem a aprendizagem como parte da experiência profissional.
Apenas 28,5% dos profissionais pesquisados estão no estágio em que a aprendizagem se conecta à rotina, às metas da área e ao desenvolvimento pessoal.
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O estudo avaliou o Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA) nas grandes empresas do País, que atingiu 58,5 pontos em uma escala de 0 a 100, evidenciando uma distância entre o investimento em infraestrutura educacional e a capacidade das organizações de converter treinamento em execução prática. O levantamento foi feito com 1.088 trabalhadores usuários de programas de treinamento e desenvolvimento de 154 empresas de grande porte.
IA é prioridade para 49% dos líderes
Em relação ao uso de inteligência artificial, o interesse por qualificação cresce conforme a senioridade do cargo: a pauta é tratada como prioridade por 49% da liderança formal e 47% dos profissionais experientes ante 23% dos iniciantes.
O levantamento ainda aponta que as áreas com mais fragilidade na aprendizagem são Cultura (52,4 pontos) e Práticas e Processos (53,0 pontos), em contraste com pontuações mais altas nos pilares de Impacto (68,3 pontos) e Tecnologia e Ecossistema (62,5 pontos).
Ao mesmo tempo, o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é reconhecido por apenas 39,1% dos profissionais como um guia ativo para capacitação.
Aprendizagem e geração de impacto
"Durante anos, o mercado corporativo perguntou o que precisava ensinar aos seus colaboradores. Os dados mostram que essa é a pergunta errada. A questão real é o que precisa acontecer dentro da organização para que as pessoas consigam aprender, aplicar o que aprenderam e gerar impacto de negócio com isso", afirma o CEO e fundador do DOT Digital Group, Luiz Ferla.
Para o executivo, não existe jornada de aprendizagem eficaz sem tempo planejado, sem liderança presente ou sem rituais que sustentem o hábito.
Tecnologia e inteligência artificial ajudam, mas só quando aplicadas sobre uma estrutura organizacional que já reconhece a aprendizagem como parte do trabalho, e não como uma atividade paralela a ele"
Luiz Ferla, CEO e fundador do DOT Digital Group
O estudo destaca, ainda, que ferramentas classificadas como fáceis de usar, mas sem utilidade direta para o trabalho, acabam gerando forte aproveitamento operacional em 44% dos casos, enquanto plataformas que unem facilidade de navegação e utilidade direta atingem taxa de aplicação bem-sucedida de 84%.
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