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Sobre a coluna

Arquiteta de talentos, co-fundadora da Talento Sênior, mestre em Gestão para Competitividade pela FGV com pós-MBA em Marketing e Liderança pela FDC/Kellogg


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Trabalhabilidade na era da IA: o que o profissional 50+ precisa construir

O conceito de trabalhabilidade envolve a capacidade contínua de transformar experiência, conhecimento, competências e relacionamentos em valor

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Estabilidade não é mais uma condição para o modelo de trabalho - Envato
Estabilidade não é mais uma condição para o modelo de trabalho
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A transformação do mercado de trabalho exige uma nova abordagem sobre a relevância profissional, onde a estabilidade e a linearidade da carreira foram substituídas pela necessidade de adaptação e reposicionamento contínuo das habilidades e experiências.

O conceito de trabalhabilidade se destaca, enfatizando a capacidade de um profissional de gerar valor e oportunidades independentemente do formato de trabalho, focando em como a experiência é apresentada e percebida no mercado.

As empresas ainda enfrentam desafios para se adaptar a essas novas dinâmicas, mas profissionais que antecipam essas mudanças e reposicionam suas experiências estão mais bem preparados para se destacar e contribuir na construção de novos formatos de trabalho.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Depois de tudo o que já discutimos nas colunas anteriores – a IA expondo o erro do modelo de trabalho, a necessidade de redesenhar a 'Arquitetura de Talentos' e os efeitos da convivência entre humanos e tecnologia – o que sustenta a relevância de um profissional quando o próprio trabalho muda de natureza? Durante muito tempo, bastava acumular experiência, construir uma trajetória consistente e manter-se atualizado dentro de uma determinada função. Esse caminho, com variações, sustentou gerações inteiras.

Mas, esse modelo dependia de uma condição que deixou de existir: estabilidade na forma como o trabalho era organizado. Hoje, o que está em transformação não é apenas o conteúdo do trabalho, mas o próprio sistema que define como o valor é reconhecido. Isso exige um reposicionamento que vai além de adquirir novas habilidades ou acompanhar tendências tecnológicas.

Exige reconstruir a forma como a própria trajetória é apresentada, percebida e aplicada no mercado. É aqui que entra o conceito de trabalhabilidade, a capacidade contínua de transformar experiência, conhecimento, competências e relacionamentos em valor percebido, oportunidades e geração de renda, independentemente do formato de trabalho, não como substituta da empregabilidade, mas como uma ampliação necessária. 

Uma nova pergunta

Enquanto a empregabilidade pergunta o quão apto um profissional está para ocupar uma vaga, a trabalhabilidade desloca a questão para outro lugar: quais são as condições que permitem que esse profissional continue gerando valor ao longo do tempo, independentemente do formato de trabalho?

Essa mudança de pergunta não é teórica. Ela altera profundamente o comportamento esperado. Por que, em um ambiente em que a tecnologia acelera a execução, o valor deixa de estar no que se faz e passa a estar em como se pensa, decide e articula.

Para o profissional com mais de 50 anos, isso não significa recomeçar, mas reinterpretar. A experiência acumulada continua sendo um ativo. O que muda é a forma como esse ativo precisa ser apresentado ao mercado."

Durante anos, foi comum organizar a trajetória como uma sequência de cargos, responsabilidades e tempo de permanência. Esse formato fazia sentido em um sistema onde a progressão era linear e relativamente previsível.

O que o mercado de trabalho busca, hoje?

Hoje, essa narrativa se mostra insuficiente. O mercado não busca mais apenas histórico. Busca capacidade de resolver problemas atuais e isso exige traduzir experiência em impacto.

Primeiro – Não basta dizer o que foi feito. É necessário explicitar quais decisões foram tomadas, quais contextos foram enfrentados e quais resultados foram gerados. Mais do que isso: é preciso tornar visível a lógica por trás dessas decisões. Aquilo que não aparece no currículo tradicional, mas que, na prática, sustenta o valor do profissional. Esse é um primeiro movimento e talvez o mais negligenciado.

Segundo – O segundo diz respeito ao papel que o profissional escolhe ocupar. À medida que a IA avança, a execução tende a ser cada vez mais automatizada. O espaço de relevância se desloca para a interpretação, a integração e a tomada de decisão.

Permanecer restrito à lógica operacional não é apenas limitante, é arriscado.
Isso não significa abandonar o que se sabe fazer, mas reposicionar esse conhecimento em um nível mais estratégico. Conectar diferentes áreas, antecipar cenários, orientar decisões e traduzir complexidade passam a ser competências centrais. É nesse ponto que a experiência deixa de ser memória e passa a ser instrumento.

Terceiro – Há ainda um terceiro movimento, menos visível, mas igualmente importante: a forma de se relacionar com o próprio mercado. Durante décadas, a principal via de atuação foi o emprego formal. Ainda que continue relevante, ele já não organiza sozinho a vida profissional. Projetos, consultorias, atuação sob demanda e múltiplas fontes de renda passam a compor o cenário de forma cada vez mais consistente. Ignorar essa realidade não preserva a estabilidade, apenas reduz possibilidades.

A trabalhabilidade, nesse contexto, implica ampliar o repertório de atuações como uma forma de aumentar a capacidade de gerar valor em diferentes formatos. Isso exige clareza sobre o que se oferece, para quem e em que contexto. Exige, também, disposição para testar, ajustar e evoluir, algo que, paradoxalmente, se torna mais viável quando se tem experiência acumulada.

Do lado das empresas, esse movimento ainda não está plenamente acompanhado. Muitas organizações seguem operando com modelos que não absorvem bem trajetórias não lineares ou contribuições fora do formato tradicional."

Mas esse desalinhamento tende a diminuir à medida que a própria lógica de trabalho se transforma.

E aqui há uma oportunidade importante: profissionais que conseguem antecipar esse movimento e reposicionar sua experiência tornam-se mais preparados para ocupar espaços existentes e para atuar na construção de novos formatos de trabalho. Esse talvez seja o ponto mais relevante.

A longevidade deixou de ser apenas uma questão demográfica. Tornou-se uma variável estratégica do trabalho e a trabalhabilidade passa a ser o elemento que conecta essa longevidade à capacidade real de continuar relevante. Não se trata de acompanhar o futuro. Trata-se de participar da sua construção.

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