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Menopausa é tabu corporativo: 17% das brasileiras têm medo de falar disso

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Tabu aparece em estudo encomendado pela farmacêutica Astellas - Adobe Stock
Tabu aparece em estudo encomendado pela farmacêutica Astellas
Por Emanuele Almeida

12/06/2026 | 08h27 ● Atualizado | 08h29

São Paulo - O silêncio em torno da menopausa no ambiente corporativo brasileiro revela um cenário de insegurança e estigma. Um estudo aponta que 17% das brasileiras com experiência vivida da fase admitem ter medo de contar aos colegas sobre sua condição, enquanto 9% hesitam em conversar com seu gestor direto. 

Esse tabu foi revelado pelo "Estudo Experiência e Atitudes na Menopausa", encomendado pela farmacêutica Astellas. 

Alessandra tem cabelos médios castanhos, usa uma camisa rosa claro e está sentada com as mãos unidas
O Meno na Mesa, liderado por Avanzo, é um espaço de conversa, expressão e presença para mulheres 45+ no mercado de trabalho. Reprodução/Linkedin

O cenário revelado pela pesquisa mostra um contexto no qual a mulher ainda tem medo de ser vista como menos competente ou menos produtiva devido aos efeitos físicos e mentais causados pela menopausa, observa Alessandra Avanzo, consultora e fundadora da Meno na Mesa, que aponta que, coincidentemente, muitas mulheres chegam a esse período justamente em uma fase de maturidade da carreira, ocupando posições estratégicas ou assumindo responsabilidades cada vez maiores.

"Por isso, é fundamental que essa experiência não seja invisibilizada dentro das organizações ou trazida à tona somente em datas comemorativas", avalia.

Quando uma mulher sente que não pode falar sobre o que está vivendo no ambiente de trabalho, ela se fecha e tenta administrar sozinha sintomas físicos e emocionais. E isso pode trazer consequências importantes para sua permanência, seu desenvolvimento e seu reconhecimento profissional". 

Impacto na carreira

A falta de diálogo transparente reflete diretamente na percepção de suporte e na progressão profissional das brasileiras. Os dados mostram que:

  • 47% das mulheres no Brasil experimentam algum tipo de impacto negativo no local de trabalho devido à menopausa;
  • Dentre esses impactos, a produtividade reduzida atinge 26% das profissionais;
  • Falta apoio: 8 em cada 10 pessoas no Brasil acreditam que as mulheres não são apoiadas em suas empresas durante essa fase;
  • Como consequência, 49% dos respondentes concordam que as mulheres enfrentam barreiras reais para progredir na carreira e obter reconhecimento profissional. 

Impacto econômico

O custo desse silêncio é alto tanto para o indivíduo quanto para a economia. No Brasil, 9% das mulheres afirmam ter sofrido discriminação direta, 6% perderam aumentos ou promoções e 7% tiveram que deixar suas carreiras definitivamente devido aos sintomas da menopausa.

Até 2030, estima-se que 1,1 bilhão de mulheres em todo o mundo estarão na pós-menopausa ou vivenciando essa transição, que dura, em média, 7 anos. Estima-se que as perdas de produtividade global relacionadas à menopausa somem US$ 150 bilhões por ano. Atualmente, as mulheres já representam 41,2% da força de trabalho global, tornando a retenção desses talentos uma prioridade econômica.

Alessandra Avanzo destaca que, dentro desse contexto, o silêncio tem um custo alto para as mulheres e também para as empresas. "Quanto mais naturalizarmos essa conversa, mais condições teremos de construir ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos e capazes de reconhecer o valor e a experiência dessas profissionais", pontua.

A líder de recursos humanos da Astellas, Ana Borges, reforça que o impacto do estigma social e no local de trabalho em torno da menopausa não deve ser ignorado e pode ser prejudicial ao bem-estar das pessoas que vivenciam esse processo.

“E isso não é apenas uma questão pessoal; é uma barreira significativa para a produtividade, retenção de talentos e bem-estar geral no local de trabalho. As organizações têm a responsabilidade de mudar a narrativa em torno da menopausa e construir ambientes onde as pessoas se sintam apoiadas e capacitadas para falar sobre suas experiências", observa Borges. 

Sobre a pesquisa

O levantamento abrangeu mais de seis países, incluindo Austrália, Brasil, Canadá, Alemanha, México e EUA. Para compor um panorama detalhado, a pesquisa contou com um total de 13.800 participantes entrevistados online pelo provedor de pesquisas Opinium. Os dados foram coletados de dezembro de 2024 a janeiro de 2025. 

A metodologia incluiu a participação de homens e mulheres, mas contou com uma subamostra específica de mulheres entre 40 e 55 anos em todos os países participantes para coletar percepções mais profundas sobre a experiência real da menopausa e o impacto do estigma no ambiente corporativo. 

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