Menopausa é tabu corporativo: 17% das brasileiras têm medo de falar disso
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São Paulo - O silêncio em torno da menopausa no ambiente corporativo brasileiro revela um cenário de insegurança e estigma. Um estudo aponta que 17% das brasileiras com experiência vivida da fase admitem ter medo de contar aos colegas sobre sua condição, enquanto 9% hesitam em conversar com seu gestor direto.
Esse tabu foi revelado pelo "Estudo Experiência e Atitudes na Menopausa", encomendado pela farmacêutica Astellas.
O cenário revelado pela pesquisa mostra um contexto no qual a mulher ainda tem medo de ser vista como menos competente ou menos produtiva devido aos efeitos físicos e mentais causados pela menopausa, observa Alessandra Avanzo, consultora e fundadora da Meno na Mesa, que aponta que, coincidentemente, muitas mulheres chegam a esse período justamente em uma fase de maturidade da carreira, ocupando posições estratégicas ou assumindo responsabilidades cada vez maiores.
"Por isso, é fundamental que essa experiência não seja invisibilizada dentro das organizações ou trazida à tona somente em datas comemorativas", avalia.
Quando uma mulher sente que não pode falar sobre o que está vivendo no ambiente de trabalho, ela se fecha e tenta administrar sozinha sintomas físicos e emocionais. E isso pode trazer consequências importantes para sua permanência, seu desenvolvimento e seu reconhecimento profissional".
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Impacto na carreira
A falta de diálogo transparente reflete diretamente na percepção de suporte e na progressão profissional das brasileiras. Os dados mostram que:
- 47% das mulheres no Brasil experimentam algum tipo de impacto negativo no local de trabalho devido à menopausa;
- Dentre esses impactos, a produtividade reduzida atinge 26% das profissionais;
- Falta apoio: 8 em cada 10 pessoas no Brasil acreditam que as mulheres não são apoiadas em suas empresas durante essa fase;
- Como consequência, 49% dos respondentes concordam que as mulheres enfrentam barreiras reais para progredir na carreira e obter reconhecimento profissional.
Impacto econômico
O custo desse silêncio é alto tanto para o indivíduo quanto para a economia. No Brasil, 9% das mulheres afirmam ter sofrido discriminação direta, 6% perderam aumentos ou promoções e 7% tiveram que deixar suas carreiras definitivamente devido aos sintomas da menopausa.
Até 2030, estima-se que 1,1 bilhão de mulheres em todo o mundo estarão na pós-menopausa ou vivenciando essa transição, que dura, em média, 7 anos. Estima-se que as perdas de produtividade global relacionadas à menopausa somem US$ 150 bilhões por ano. Atualmente, as mulheres já representam 41,2% da força de trabalho global, tornando a retenção desses talentos uma prioridade econômica.
Alessandra Avanzo destaca que, dentro desse contexto, o silêncio tem um custo alto para as mulheres e também para as empresas. "Quanto mais naturalizarmos essa conversa, mais condições teremos de construir ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos e capazes de reconhecer o valor e a experiência dessas profissionais", pontua.
A líder de recursos humanos da Astellas, Ana Borges, reforça que o impacto do estigma social e no local de trabalho em torno da menopausa não deve ser ignorado e pode ser prejudicial ao bem-estar das pessoas que vivenciam esse processo.
“E isso não é apenas uma questão pessoal; é uma barreira significativa para a produtividade, retenção de talentos e bem-estar geral no local de trabalho. As organizações têm a responsabilidade de mudar a narrativa em torno da menopausa e construir ambientes onde as pessoas se sintam apoiadas e capacitadas para falar sobre suas experiências", observa Borges.
Sobre a pesquisa
O levantamento abrangeu mais de seis países, incluindo Austrália, Brasil, Canadá, Alemanha, México e EUA. Para compor um panorama detalhado, a pesquisa contou com um total de 13.800 participantes entrevistados online pelo provedor de pesquisas Opinium. Os dados foram coletados de dezembro de 2024 a janeiro de 2025.
A metodologia incluiu a participação de homens e mulheres, mas contou com uma subamostra específica de mulheres entre 40 e 55 anos em todos os países participantes para coletar percepções mais profundas sobre a experiência real da menopausa e o impacto do estigma no ambiente corporativo.
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