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'Menopausa tem sotaque': estudo vai investigar impactos nas brasileiras

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O estudo é da Science, organização de pesquisa clínica, e conta com o apoio do CNPq - Adobe Stock
O estudo é da Science, organização de pesquisa clínica, e conta com o apoio do CNPq
Por Emanuele Almeida

22/05/2026 | 14h56 ● Atualizado | 14h57

São Paulo - Com o objetivo de mapear os diferentes perfis e experiências da menopausa no Brasil, está em gestação um estudo que se propõe a ser o maior registro brasileiro sobre o assunto. Nomeado de "Embrace", o levantamento, a ser realizado em todas as capitais do País, foi anunciado nesta sexta-feira, durante o evento My Pause, focado em discutir as características locais da menopausa

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Gerenciado e executado pela Science, organização de pesquisa clínica, o projeto conta com o apoio do CNPq e de especialistas como líderes do estudo: o ginecologista, professor da Unifesp e investigador científico Ivaldo Silva e a médica ginecologista e pesquisadora especialista em menopausa, Fabiane Berta.

Segundo os profissionais, os principais objetivos e características da pesquisa são:

  • Panorama nacional e territorialidade: o estudo busca entender o processo da mulher brasileira nas capitais do País, considerando que a menopausa no Brasil possui características territoriais, hormonais e genéticas específicas que variam conforme a região;
  • Metodologia e coleta de dados: trata-se de um estudo prospectivo onde médicos (ginecologistas, endocrinologistas, geriatras, entre outros) coletam dados de suas pacientes durante as consultas. Serão avaliadas variáveis socioeconômicas, demográficas, hormonais, genéticas e o uso de terapias;
  • Foco na qualidade de vida: a pesquisa utiliza cinco questionários específicos para medir o impacto da menopausa na qualidade de vida geral, na produtividade, além de escalas para ansiedade e depressão.

O estudo busca reforçar a individualização do tratamento dos sintomas da menopausa. "Ao conhecer melhor as mulheres em sua diversidade, incluindo influências genéticas de matrizes africanas, indígenas e europeias, é possível criar movimentos de saúde e educacionais mais eficientes e específicos para a realidade brasileira", explica Silva. 

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O projeto já passou pela fase burocrática de desenho e obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Atualmente, está em fase de captação e treinamento de profissionais de saúde em diversas regiões para atuarem como investigadores na coleta de dados, assim como de investimentos externos. 

Brasil é a 'bola da vez' para estudos sobre menopausa

A diversidade demográfica causada pela miscigenação no Brasil é o fator que tornará o País um dos lugares mais propícios para estudos sobre menopausa e outros temas voltados para saúde. É o que apontou a professora de genética da USP, Lygia Pereira durante o evento. 

O Brasil é a bola da vez para realização de estudos clínicos. A nossa diversidade gera um nível de complexidade a mais, assim como a vida em ciclos das mulheres? Sim, mas hoje nós temos as ferramentas para estudar isso."

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Durante mesa de discussão, a professora lembra que antes os estudos que tratavam de hormônios, entre outros detalhes, eram focados em homens brancos europeus, que ditavam a forma como também as mulheres deveriam ser diagnosticadas e tratadas. "Não somos homens pequenos. Ainda é preciso a expansão de estudos", observa.

Ivaldo Silva, Lygia Pereira, Fabiane Berta e Paulo Roberto Ramacciotti, cirurgião vascular, da esquerda a direita
Ivaldo Silva, Lygia Pereira, Fabiane Berta e Paulo Roberto Ramacciotti, cirurgião vascular, da esquerda a direita. Emanuele Almeida/VIVA

Ivaldo Silva reforça também que, embora seja uma fase "democrática", pela qual todas as mulheres passarão, a menopausa ainda é frequentemente encarada no Brasil como um "carimbo de envelhecimento" negativo.

"No Brasil, é preciso mudar essa visão, tendo em vista que a mulher de 50 anos hoje está no seu auge produtivo. O envelhecimento deve ser visto com respeito e foco na sabedoria e individualização do tratamento, e não como algo a ser descartado e tratado de forma pejorativa", analisa o ginecologista. 

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Fabiane Berta fala que ainda hoje muitas mulheres vivem esse período de forma solitária e desafiadora, chegando a "questionar sua própria sanidade" por não compreenderem as flutuações hormonais. 

A gente nunca falou de menopausa, verdadeiramente falando, sempre passou de uma certa forma como um padrão, independente da parte socioeconômica, demográfica e epidemiológica, mas a menopausa brasileira tem sotaque, ela tem um CEP, ela é territorial, além de sintomática."

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