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'Mercado promoveu uma seleção natural de coaches', diz presidente da IFC

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Ausência de regulamentação sobre coaching facilitou a explosão do número de coaches e escolas que prometiam retorno financeiro rápido - Adobe Stock
Ausência de regulamentação sobre coaching facilitou a explosão do número de coaches e escolas que prometiam retorno financeiro rápido
Por Claudio Marques

01/01/2026 | 15h09

São Paulo, 01/01/2026 - A atuação de coaches no Brasil refluiu. Durante um período, houve um crescimento expressivo no número de pessoas que passaram a se intitular coaches. “Esse movimento foi impulsionado, em parte, por uma demanda reprimida por desenvolvimento pessoal e profissional. As pessoas passaram a ter mais acesso à informação e começou-se a falar mais sobre a importância do autodesenvolvimento”, afirma Anna Mussi, presidente do capítulo Brasil da ICF, sigla em inglês para Federação Internacional de Coaching.

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A esse cenário somou-se a ausência de regulamentação, facilitando a explosão do número de novos profissionais e escolas que prometiam retorno financeiro rápido.

"Ao mesmo tempo, o foco em "fórmulas mágicas" acabou por banalizar o termo e distorcer a essência da metodologia, que é a facilitação do aprendizado, e não a entrega de receitas prontas", acrescenta.

Segundo Mussi, "o próprio mercado fez uma seleção natural" em relação a esses profissionais. “Hoje, os clientes, especialmente as organizações, estão mais informados e mais exigentes em relação a um coaching ético e profissional”, diz. Segundo ela, as organizações estão priorizando coaches certificados. A IFC fornece formações acreditadas, que seguem padrões claros de desenvolvimento pessoal, profissional e éticos. “Hoje, há menos espaço para improviso”, declara. 

Mas, afinal, do que se trata quando se fala em coaching?

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Anna Mussi diz que foco em foco fórmulas mágicas banalizaram o coaching - Divuilgação

Segundo a ICF, o coaching é uma parceria com o cliente em um processo criativo e instigante, que o inspira a maximizar seu potencial pessoal e profissional. “Trata-se de um espaço de escuta qualificada, no qual o coach atua como um parceiro de pensamento, utilizando perguntas e ferramentas para apoiar o cliente a ampliar sua capacidade de reflexão, autoconhecimento, autoconfiança e consciência”, afirma Mussi.

O foco do coaching está, portanto, no apoio a fazer o cliente se ouvir, ganhar clareza e definir ações, metas e caminhos para alcançar seus objetivos, sempre a partir do que faz sentido para ele.

Diferença entre coaching e mentoria

A principal diferença entre coaching e mentoria está no foco de cada abordagem. O coaching, segundo a ICF, é centrado no cliente e no processo de desenvolvimento, sem aconselhamento ou entrega de soluções prontas.

Já a mentoria é centrada no mentor, em sua experiência e em seu conhecimento, que são compartilhados como orientação para o mentorado. Em geral, o mentor oferece aprendizados baseados em sua própria trajetória profissional ou em um campo específico de atuação.

O que faz um coach?

De acordo com Mussi, o coach deve atuar como um parceiro em um processo de desenvolvimento pessoal e profissional, oferecendo apoio em diferentes áreas como carreira, liderança e a desafios ligados ao crescimento individual. Esse acompanhamento ocorre em um ambiente seguro, voltado à reflexão, à escuta qualificada, ao aprendizado contínuo e ao desenvolvimento de competências.

O profissional, portanto, deve contribuir para a ampliação da autoconsciência, do autoconhecimento e da autorresponsabilização do cliente, favorecendo maior clareza sobre objetivos, escolhas e caminhos a serem percorridos, sempre observando princípio éticos e de responsabilidade. Ao longo do processo, o cliente é estimulado a reconhecer tanto seus pontos fortes, quanto os aspectos que demandam desenvolvimento.

Como se preparar para ser coach?

De acordo com o ICF, a preparação para ser um coach exige uma formação sólida, mas também é necessário adotar a chamada "mentalidade de coaching". Isso significa valorizar o potencial das pessoas e parte da crença de que o outro pode se desenvolver, crescer e aprender de forma contínua.

A preparação passa, necessariamente, por um processo de desenvolvimento pessoal, que inclui o autodesenvolvimento e a maturidade emocional. Para apoiar o desenvolvimento de outras pessoas, o coach também precisa cuidar do próprio desenvolvimento. As formações acreditadas pela ICF exigem a participação em programas envolvendo o desenvolvimento de habilidades como presença, escuta, empatia, comunicação e ética.

As credenciais da ICF são:

●      ACC (Associate Certified Coach), que exige no mínimo 100 horas de prática;
●      PCC (Professional Certified Coach), com pelo menos 500 horas de prática;
●      MCC (Master Certified Coach), com 2.500 horas de prática validadas.

Quantos coaches existem no Brasil?

“Atualmente, há muitas pessoas que se intitulam coaches, o que dificulta a obtenção de um número exato. No cenário global, a ICF conta com mais de 60 mil membros e está presente em mais de 150 países. No Brasil, a comunidade de coaches vinculados à ICF gira em torno de 400 profissionais”, afirma Mussi.

Como se manter atualizado na profissão?

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Marcus Baptista diz que atualização envolve uma postura de disposição para aprender - Divulgação

Coach executivo credenciado como PCC e ACTC e com mais de 6.000 horas de prática, Marcus Baptista diz que a atualização vai além da participação em cursos ou do acompanhamento de tendências técnicas.

“Trata-se de uma postura contínua de consciência e disposição para aprender, que integra educação formal, desenvolvimento emocional e uma leitura atenta do contexto social e profissional em que os clientes estão inseridos”, afirma.

Segundo ele, o trabalho terapêutico contínuo permite ampliar o autoconhecimento e reconhecer limites pessoais e e evitar que vieses interfiram no processo de coaching. A participação em cursos como MBA, além de estudo abordagens sistêmicas e da Gestalt completam. Ao mesmo tempo, a troca de experiências com a comunidade profissional reforçam o movimento de aprendizado contínuo.

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