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Pesquisa: restrição a celular nas escolas melhora concentração e ansiedade

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

92% das escolas já adotaram a restrição aos celulares e maioria vê ampliação na participação dos estudantes nas aulas - Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
92% das escolas já adotaram a restrição aos celulares e maioria vê ampliação na participação dos estudantes nas aulas
Por Bianca Bibiano

30/06/2026 | 13h19

São Paulo - Um ano após a entrada em vigor da lei que restringiu o uso de celulares nas escolas de educação básica, gestores de todo o País relatam impactos positivos no ambiente escolar.

Pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que 92% das escolas já adotaram a medida. Dentre essas, 97% enxergam ampliação na participação dos estudantes nas atividades pedagógicas, enquanto 95% percebem melhora na concentração durante as aulas.

O levantamento também aponta redução da ansiedade, do cyberbullying e dos conflitos entre alunos, sem prejuízo ao uso pedagógico das tecnologias digitais. Desde o início de 2025, os aparelhos celulares passaram a ser permitidos apenas quando solicitados pelos professores para atividades pedagógicas.

Durante a apresentação dos resultados, a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, afirmou que a proposta da legislação nunca foi eliminar o uso da tecnologia nas escolas, mas estabelecer limites para seu uso.

A lei tenta posicionar o lugar da tecnologia no fazer educacional, não só nas crianças e adolescentes, mas também nos adultos, que também têm grande impacto. Sobre as crianças e adolescentes, a gente consegue resultado, sobre os adultos temos mais resistência."

Schweickardt reforçou que a tecnologia deve continuar presente no processo de aprendizagem, desde que utilizada de forma adequada. "A tecnologia não é inimiga da humanidade. O que torna inimigo é o modo como a gente usa. Isso é o problema." Ela destacou ainda que o MEC teve "preocupação em não demonizar o uso de tecnologias e celulares, mas restringir o mau uso".

Uso pedagógico da tecnologia 

A pesquisa também indica que a restrição ao uso dos celulares não reduziu o uso de recursos digitais nas atividades pedagógicas. Dentre os gestores entrevistados, 86% afirmam que as atividades pedagógicas com tecnologias digitais foram mantidas ou ampliadas após a entrada em vigor da lei.

Além disso, 71% discordam da ideia de que a restrição prejudica o desenvolvimento de habilidades digitais pelos estudantes.

Os dados mostram também que 87% das escolas já realizaram ou pretendem realizar ações para ampliar a educação digital. Em 2025, 51% ampliaram atividades relacionadas ao tema, embora apenas 36% já tenham planejamento definido para 2026.

Segundo representantes do MEC, a medida buscou responder a um problema relatado pelas escolas antes da mudança na legislação. "A gente já vinha enfrentando reclamação dos professores em relação à dispersão no processo de ensino e aprendizagem, dificuldade de garantir a adesão nas atividades, e isso melhorou."

Ao mesmo tempo, a pasta reconhece que muitas instituições ainda enfrentam dificuldades para ampliar o letramento digital,devido à falta de equipamentos. "A gente sabe que às vezes existem poucos equipamentos nas escolas para trabalhar o letramento digital dos alunos."

Para a secretária, o objetivo da política é equilibrar o uso das tecnologias. "Nossa preocupação foi restringir o uso que estava gerando ansiedade, desconcentração, que ele fosse retirado do cotidiano das escolas, mas incentivando cada vez mais o uso positivo dessa tecnologia de forma pedagógica."

Mais convivência e menos conflitos

crianças pulam corda em escola pública do Rio de Janeiro
60% dos gestores apontam necessidade de investir em reformas em pátios e áreas de convivência - Tomaz Silva/Agência Brasil

Os gestores também apontaram mudanças no comportamento dos estudantes após a restrição ao uso dos celulares. Segundo a pesquisa, 95% concordam que a medida estimulou a socialização presencial entre os alunos. Outros 67% observaram aumento de atividades manuais, lúdicas e artísticas, enquanto 56% perceberam crescimento das atividades pedagógicas realizadas fora da sala de aula.

Além disso, 55% afirmaram ter registrado diminuição de conflitos e agressões físicas no ambiente escolar.

A pesquisa também identificou impactos relacionados ao bem-estar dos estudantes. De acordo com os gestores, 86% concordam que a restrição ao uso dos celulares contribuiu para reduzir a ansiedade dos alunos. Já 88% avaliam que a medida ajudou a diminuir conflitos, agressões digitais e casos de cyberbullying no ambiente escolar.

Questionados sobre os próximos passos para fortalecer a política, os gestores apontaram como prioridade ampliar as parcerias com as famílias para estabelecer limites ao tempo de exposição às telas, opção citada por 67% dos entrevistados.

Outras necessidades destacadas foram a formação de professores em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar, mencionada por 61%, e investimentos em espaços de lazer, incluindo reformas em pátios e áreas de convivência, apontados por 60%.

Como foi feita a pesquisa

O levantamento reúne informações sobre a percepção dos gestores escolares sobre o primeiro ano de vigência da Lei nº 15.100/2025 nas redes públicas e privadas de ensino e mostra os desafios enfrentados e as estratégias adotadas desde a entrada em vigor da norma.

A pesquisa foi realizada com gestores de escolas públicas e privadas, a partir de uma amostra probabilística nacional definida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que desenvolveu o estudo em parceria com o Instituto Alana e a Unesco no Brasil.

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