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Como cultivar o hábito da leitura em tempos de inteligência artificial

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A inteligência artificial mudou a lógica da leitura por meio de resumos, mas pode ser tanto aliada quanto barreira para a prática - Adobe Stock
A inteligência artificial mudou a lógica da leitura por meio de resumos, mas pode ser tanto aliada quanto barreira para a prática
Por Felipe Cavalheiro

23/04/2026 | 18h14 ● Atualizado | 18h20

São Paulo - Manter a prática da leitura, ou incentivá-la  para filhos, netos e alunos pode parecer uma batalha perdida, quando é necessário competir com resumos imediatos e personalizados feitos por meio da inteligência artificial

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Os modelos de IA têm acesso a milhares de livros, usados para seu treinamento. O conteúdo de praticamente qualquer livro, especialmente em domínio público, pode ser reduzido em poucos parágrados, facilitando o conhecimento da trama. 

Foto de Welington Andrade sentado em uma cadeira
Welington Andrade é defensor dos livros físicos - Reprodução - Linkedin

Diretor Pedagógico Geral da Rede Alfa CEM Bilíngue, Bruno Amaral considera que essa facilidade pode empobrecer o aprendizado dos jovens. 

“A substituição da leitura completa pelo resumo priva o estudante da experiência estética e reflexiva proporcionada pela obra, limitando o desenvolvimento da capacidade de interpretação crítica, análise de linguagem e aprofundamento temático”, afirma. 

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O doutor em Literatura Brasileira e crítico literário da Revista CULT, Welington Andrade, avalia que a eficiência dos resumos não é algo positivo, pois a literatura é como um jogo: mesmo quando um jogador perde para uma máquina, o resultado pouco importa, pois somente o humano teve prazer ao jogar. 

"Literatura não é só colher informação, é um prazer estético e um vínculo emocional. Mesmo que a internet vença de 10 a 0 ao dar as respostas diretas, leitura precisa significar antes de informar"

O cansaço dos adultos com a leitura digital

A pesquisa "Meu Kindle, meu jeito", realizada pela Amazon com dois mil leitores brasileiros, indicou que 75% dos entrevistados da Geração Z se frustram quando as ferramentas de leitura não refletem a forma como leem hoje, enquanto 72% afirmam que é mais difícil sustentar a leitura diante de distrações constantes e múltiplas demandas. 

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Andrade é defensor ferrenho dos livros físicos, e explica que leitores digitais acabam relacionando a leitura à produtividade, indicando número de páginas e até o tempo restante para terminar uma obra.  Para o especialista, a falta do contato físico e da noção de um "fim" do objeto também prejudicam a experiência da leitura. 

"Os leitores digitais são infinitos, mas é importante deixar que um livro 'morra' na sua mão. Ver as páginas terminando e sentir um luto pelo fim da história é vital." 

Inteligência artifical pode ser aliada? 

Resumos não são o único uso possível da IA para a leitura. Andrade reconhece um uso positivo da ferramenta para buscar termos pontuais, ou entender contextos da época. 

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Amaral pensa que uma aplicação em sala de aula também pode ser bem vinda, desde que respeite os limites e seja um complemento, sem substituir o livro.

"A IA pode ser usada para contextualizar obras, apresentar adaptações iniciais com linguagem mais acessível, criar perguntas, propor conexões com a realidade dos alunos ou até simular diálogos com personagens, despertando o interesse pela obra original", afirma o diretor. 

Dica para manter o hábito da leitura

Até mesmo Welington Andrade admite "sofrer na pele" a dificuldade com o hábito da leitura diante da conexão constante do mundo virtual, que sempre parece mais estimulante.

Ele entende que, em um contexto no qual contato com outras pessoas é instantâneo graças a internet, é necessário estar "sozinho com a história"

A estratégia do especialista para ler "religiosamente" por 3 horas todos os dias é transformar o momento da leitura em um ritual, buscando um local tranquilo, desligando o celular e outros aparelhos e se desconectando do resto do mundo. 

"Eu tenho que estar  apartado de tudo, e nem pensar em responder o WhatsApp, porque aí tudo é muito mais estimulante, muito mais prazeroso." 

* Estagiário sob suypervisão de Claudio Marques

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