CONFIRA

Novas entrevistas de emprego já são feitas por IA: é o RH ou um avatar?

Vídeo de comediante americano testando uma entrevista de emprego feita com um avatar de IA chama atenção para mudanças no papel do RH

Felipe Cavalheiro

Por Felipe Cavalheiro

16/10/2026 | 17h33

Reprodução - Youtube/ Graham Dot Zip

Um vídeo mostra dois modelos de IA realizando a entrevista de emprego - Reprodução - Youtube/ Graham Dot Zip
Um vídeo mostra dois modelos de IA realizando a entrevista de emprego
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Empresas estão adotando entrevistas de emprego conduzidas por inteligência artificial, criando avatares que interagem com candidatos e geram relatórios para o RH, o que levanta questões sobre a eficácia dessa abordagem.

A IA, como a SophIA, já realizou mais de 600 mil entrevistas, aumentando a eficiência na triagem, mas especialistas alertam que a tecnologia não substitui a análise humana, pois ainda não capta todas as habilidades essenciais.

Candidatos devem se preparar para esses novos processos, compreendendo suas competências e evitando fórmulas prontas, além de questionar como a IA será utilizada e garantir que haja revisão humana nas avaliações.

São Paulo - Com a análise de currículos por inteligência artificial virando o padrão, certas empresas já deram um passo adiante e fazem entrevistas de emprego através da IA. Diversas plataformas oferecem o “serviço completo”: a máquina cria um avatar com aparência humana, conversa com o candidato, avalia o perfil e entrega um relatório completo ao RH. 

A prática tornou-se tão comum que o comediante estadunidense Graham Dot Zip gravou um vídeo “virando o jogo” e colocando seu próprio avatar de IA para conversar com o avatar recrutador. 

A entrevista, que já alcança mais de 3 milhões de visualizações no YouTube, termina com Graham deixando ambos os robôs sozinhos, que acabam por sua vez entrando em um looping de agradecimentos e despedidas. 

Mesmo tendo propósito humorístico, o viral levanta o questionamento sobre a eficácia da ferramenta entre especialistas. 

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Como a IA ajuda o RH na seleção? 

A primeira e maior vantagem dos processos com IA está no volume. Um dos modelos famosos no Brasil, SophIA, divulga que já realizou mais de 600 mil entrevistas e diminuiu em quatro vezes o tempo de triagem. 

Foto da especialista em seu escritório, posando para a câmera
Thaís Trapp, Chief of Marketing and People Office na Nava - Divulgação/Nava

A diretora de marketing e pessoas (Chief of Marketing and People Office) da consultora de tecnologia Nava, Thaís Trapp, explica que a máquina consegue cruzar competência e requisitos em velocidade nunca antes vista, mas ainda não reconhece todo o  potencial e habilidades humanas indispensáveis.

“Por isso, acredito que as competências máquina x humano são complementares. Na minha visão, a tecnologia amplia a capacidade de análise dos recrutadores, dá velocidade aos processos e torna mais assertiva a busca, mas não substitui o discernimento humano”, reforça Trapp.

É importante lembrar que o avatar é apenas uma imagem que se baseia em um complexo algoritmo para analisar o candidato. Para o professor doutor Wesley Marcos de Almeida, da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), esse algoritmo precisa ser muito bem avaliado para saber o quão é confiável. 

Interpretar expressões, voz ou linguagem corporal como medidas confiáveis de competência, por exemplo, exige muita cautela”.
Wesley Marcos de Almeida, professor da PUC-PR

Como um candidato pode se preparar para as entrevistas por IA?


Compreender como serão os novos processos seletivos é necessário para os candidatos. Sabendo da capacidade da IA em comparar o que a empresa precisa com o perfil profissional, Trapp avalia que “mais do que nunca", é fundamental ter clareza sobre suas competências, seu nível de conhecimento e o quanto sua experiência está alinhada à posição para a qual está se candidatando. 

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Ela também alerta para os “modelos prontos” e supostas dicas infalíveis para conquistar o gosto da Inteligência Artificial. "A preparação não pode se limitar à escolha de palavras-chave ou à reprodução de padrões que o candidato vê por aí”, afirma.

Marcos de Almeida explica que a IA busca padrões de acordo com modelos estatísticos, e reconhece facilmente quando um candidato apenas montou um personagem com pedaços de ações ideais. 

O professor também recomenda transparência quanto ao uso da ferramenta, especialmente para possíveis cuidados técnicos. “Também é razoável perguntar como a IA será usada, que aspectos serão avaliados e se haverá revisão humana. Se a entrevista ocorrer por vídeo, o candidato pode testar conexão, câmera e áudio e buscar orientação sobre recursos de acessibilidade ou condições alternativas, quando necessário”, diz.

*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani

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