Saúde mental e sobrecarga ameaçam carreira feminina, aponta Deloitte
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São Paulo - A permanência das mulheres no mercado de trabalho brasileiro é ameaçada por uma combinação de fatores como crise de saúde mental, sobrecarga doméstica e falta de flexibilidade.
Entre esses, a saúde mental é a questão que mais as preocupa para 47% das brasileiras, acima dos 44% registrados globalmente, segundo a pesquisa Global Women @ Work 2025, da consultoria Deloitte.
Além disso, 34% avaliam seu bem-estar mental como ruim e 40% relatam aumento do estresse no último ano.
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O levantamento também mostra que 21% das mulheres no Brasil precisaram se afastar do trabalho por questões relacionadas à saúde mental e 25% declararam ter uma carga mental muito alta, reforçando o impacto direto do tema na rotina profissional.
Ao mesmo tempo, apenas 29% das mulheres no Brasil se sentem confortáveis em comunicar problemas de saúde mental aos gestores, e só 32% afirmam receber apoio adequado das empresas.
"As respostas das brasileiras evidenciam oportunidades importantes de evolução, especialmente em temas como saúde mental, segurança psicológica e equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, aponta Ana Leticia Godoy, sócia da Deloitte Brasil e líder da estratégia de Diversidade e Inclusão.
Microagressões no ambiente de trabalho
No ambiente de trabalho, 41% das mulheres no Brasil relatam ter sofrido microagressões no último ano, acima da média global de 28%.
Por outro lado, o País se destaca pelo alto índice de denúncia de assédio sexual: 94% das vítimas afirmam ter reportado o caso às organizações.
Os dados mostram desafios na retenção de talentos. Quase metade das brasileiras (49%) pretende permanecer no emprego atual por apenas um ou dois anos.
A falta de flexibilidade é um dos principais motivos para buscar novas oportunidades, enquanto remuneração e benefícios insuficientes foram as razões mais citadas por quem mudou de emprego recentemente.
O impacto da sobrecarga doméstica
As responsabilidades esperadas das mulheres têm relação com esse quadro, já que o levantamento também aponta a sobrecarga doméstica que enfrentam.
Entre as que vivem com parceiro, 59% assumem a maior parte dos cuidados com crianças e 54% cuidam de outros adultos. Mesmo quando são a principal fonte de renda da família, 51% continuam responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas.
Questões financeiras também preocupam: 49% citam a estabilidade financeira futura, 48% o custo de cuidados e 47% o custo de vida — todos índices superiores à média global.
Ao colocar o bem-estar das mulheres no centro das decisões e ampliar políticas de flexibilidade, suporte à saúde feminina e oportunidades de progressão de carreira, as organizações brasileiras podem avançar de forma consistente na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e sustentáveis”, acrescenta Godoy.
A pesquisa Women @ Work – A Global Outlook 2025, da Deloitte Global, foi divulgada em setembro de 2025, apenas com os dados mundiais. Agora, está sendo divulgado o recorte do Brasil. O estudo foi realizado com 7.500 mulheres, em locais de trabalho de 15 países, incluindo 500 entrevistadas no Brasil.
Foram ouvidas profissionais de diferentes faixas etárias, setores econômicos, níveis hierárquicos, formatos de trabalho e contextos familiares, oferecendo uma visão ampla e representativa das experiências femininas no mercado de trabalho contemporâneo.
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