Uso de IA no RH coloca o letramento digital na agenda das empresas
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São Paulo – Com a expansão do uso de inteligência artificial em recursos humanos, o letramento digital passou a ocupar lugar central na agenda das empresas. No Brasil, essa tendência já se reflete nos programas de treinamento corporativo, segundo dados da plataforma de treinamento e desenvolvimento Twygo.
A empresa realizou o estudo “Benchmarking do T&D no Brasil 2026”, que ouviu mais de 270 profissionais de RH e treinamento. O levantamento aponta uma familiaridade média de 7,25 com ferramentas de IA, em uma escala de 0 a 10.
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A mesma pesquisa aponta que as principais barreiras para o uso da inteligência artificial nas empresas envolvem a falta de conhecimento técnico, o custo das soluções e a preocupação com a privacidade e a segurança de dados.
De acordo com o CEO da Twygo, Jackson Rovina, o recorte reforça que a maturidade digital depende menos do acesso à tecnologia e mais da capacidade de utilizá-la com critério.
Onde a IA já é mais usada
Entre as aplicações mais comuns da IA no setor de recursos humanos estão a criação de conteúdos de aprendizagem, a personalização de trilhas, o diagnóstico de necessidades de capacitação e a análise de indicadores de desempenho.
Segundo Rovina, o uso da IA no treinamento corporativo precisa avançar de forma estruturada. Ele diz que a inteligência artificial pode aumentar significativamente a produtividade das equipes, mas isso só ocorre quando os profissionais compreendem os limites da tecnologia, sabem revisar os resultados e aplicam as ferramentas dentro de uma estratégia bem definida.
O levantamento HR Monitor 2026, da McKinsey & Company, mostra a importância do letramento digital. A Twygo cita que a habilidade digital foi a que mais ganhou relevância nessa pesquisa entre as competências futuras citadas por profissionais da área: saltou da 20ª posição, em 2025, para a 6ª em 2026.
Mais análise e interpretação
Para Rovina, esse salto reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho. A argumentação é de que à medida que a automação assume as tarefas operacionais, ganha força a capacidade de analisar, interpretar e aplicar os resultados produzidos pelos sistemas de IA.
O diferencial, portanto, deixa de estar atrelado apenas ao uso das ferramentas e passa a englobar o pensamento crítico, a validação das respostas e a tomada de decisão baseada em dados.
Impacto no trabalho
De acordo com a Twygo, caso a adoção da tecnologia avance em um ritmo moderado até 2030, até 30% das horas de trabalho atuais na Europa e nos Estados Unidos poderão ser automatizadas. Ao mesmo tempo, mais de 70% das habilidades atuais devem continuar relevantes, mas aplicadas em novas combinações entre as atividades humanas e os sistemas inteligentes.
O desafio das empresas, de acordo com a Twygo, não se restringe a substituir tarefas, mas sim a adaptar competências para um ambiente em que as pessoas e a IA atuem de forma integrada.
“No RH, exige-se uma atuação mais estratégica. A área passa a assumir um papel central na adaptação de cargos, no mapeamento de capacidades, na formação de lideranças, na estruturação de trilhas de aprendizagem e na formulação de regras claras para a aplicação da IA nos processos envolvendo pessoas”, informa a plataforma.
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