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Para 89% dos líderes de RH, questões de saúde mental elevam custos

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Avanço da IA, estruturas mais enxutas e aumento da cobrança por performance afetam a saúde mental dos profissionais - Pexels
Avanço da IA, estruturas mais enxutas e aumento da cobrança por performance afetam a saúde mental dos profissionais
Por Claudio Marques

28/05/2026 | 08h21

São Paulo - A combinação entre avanço da IA, estruturas mais enxutas e aumento da cobrança por performance vem levando a saúde mental e bem-estar ao centro das estratégias de produtividade, retenção e competitividade. E o resultado é sentido no aumento de custos das empresas. É o que aponta a pesquisa global do Wellhub com 1.515 líderes de RH em dez países.

Segundo o estudo ROI do Bem-Estar 2026, a dinâmica do trabalho intelectual está se tornando estruturalmente mais complexa. O levantamento também diz que, embora as ferramentas digitais tenham agilizado a coordenação de tarefas, elas também multiplicaram o volume e a velocidade das comunicações.

No Brasil, 89% dos líderes de RH afirmam que questões ligadas à saúde mental elevam os custos organizacionais, o maior índice entre os países pesquisados. Globalmente, o índice é de 72%. 

Segundo o estudo, esse quadro não é apenas uma constatação sobre o clima organizacional, mas é um alerta financeiro, que conecta o peso que os funcionários carregam ao aumento das despesas corporativas.

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O reflexo dessa situação é a fragmentação constante da atenção e uma jornada de trabalho que parece interminável, tornando o direito à desconexão quase impossível. Tanto que, segundo a pesquisa, 85% dos líderes de RH afirmam que essa “sobrecarga de informações” no ambiente de trabalho prejudica diretamente a saúde mental das equipes. 

O paradoxo da era da IA é que ela não está substituindo o fator humano, mas está sobrecarregando o indivíduo que permaneceu na empresa após as reestruturações motivadas pela automação”, afirma o  líder do Wellhub no Brasil, Ricardo Guerra.

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Os líderes de RH entrevistados apontam que os fatores negativos principais para a saúde mental dos colaboradores são estresse crônico e carga excessiva de trabalho.

Fatores negativos para saúde mental

  • Estresse crônico ou burnout - 23%
  • Carga execessiva de trabalho ou expectativas irrealísticas - 21%
  • Falta de limite entre vida profissional e pessoal - 15%
  • Estresse financeiro ou pressão com o custo de vida - 15%
  • Pouca flexibilidade ou controle de horários - 8%
  • Falta de apoio da liderança ou gestores - 7%
  • Isolamento social ou falta de conexão no trabalho - 5%
  • Insegurança no emprego ou mudança organizacional - 5%
  • Problemas em relação ao retorno do trabalho presencial - 2%

E qual o efeito disso nos negócios? Os gestores de RH indicam como os problemas de saúde mental entre os colaboradores afetam suas empresas:

  • Queda na produtividade ou no desempenho - 51%
  • Maior absenteísmo ou presenteísmo - 37%
  • Aumento no custo do plano de saúde ou de benefícios - 32%
  • Menor engajamento dos colaboradores - 29%
  • Aumento da carga de trabalho dos gestores - 28%
  • Perda de grandes talentos - 28%

Retorno financeiro e retenção de talentos

Diante desse quadro, não é de estranhar os dados mostrarem que programas de bem-estar começam a ser vistos como ferramenta de performance e retorno financeiro. No Brasil, 98% das empresas afirmam que essas iniciativas aumentam a produtividade e ajudam na retenção de talentos; 95% relatam redução nos custos com saúde.

Globalmente, 95% das empresas que medem retorno sobre programas de bem-estar registram ROI positivo - sendo ROI sigla em inglês para "retorno sobre investimento". Quase 25% relatam retorno superior a 100%, equivalente a US$ 2 para cada US$ 1 investido.

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Nesse sentido, saúde e mental e bem-estar desempenham papel importante na retenção de talentos.

No Brasil, 98% das empresas afirmam que reter profissionais de alta performance será prioridade em 2026, acima da média global de 88%. Além disso, 74% dos líderes de RH dizem temer perder talentos com habilidades em IA, ante 62% no mundo.

Realizado entre 6 e 26 de janeiro de 2026, o estudo ouviu líderes de RH de Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, México, Argentina, Espanha, Itália, Alemanha, Holanda e Irlanda.

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