Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Como funciona o exame toxicológico para obter a CNH?

Envato

Anfetamina, cocaína, morfina, heroína são algumas das substâncias que podem ser detectadas - Envato
Anfetamina, cocaína, morfina, heroína são algumas das substâncias que podem ser detectadas
Por Estadão Conteúdo

23/03/2026 | 17h27

São Paulo - Desde dezembro de 2025, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) passou a exigir a realização de exames toxicológicos de larga janela para quem busca obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pela primeira vez nas categorias A (motocicletas) e B (carros). Antes, a exigência era restrita às categorias C (caminhões), D (ônibus) e E (carretas).

De acordo com Álvaro Pulchinelli Junior, médico patologista clínico, toxicologista e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o teste é feito a partir da análise da queratina.

Para isso, podem ser utilizadas amostras de cabelo, pelos ou até mesmo unhas, a fim de identificar o uso de substâncias ilícitas pelo candidato.

O processo possui três etapas. Primeiro, a amostra é coletada e enviada ao laboratório. Em seguida, o cabelo passa por processos de trituração, moagem e dissolução, o que permite a extração das substâncias. Por fim, o material é analisado em um equipamento capaz de identificar a presença dos compostos.

Leia também: CNH: confira novas regras de acordo com o manual de Exames de Direção

"Em média, quando uma pessoa tem contato com determinada substância, é possível identificá-la nos cabelos por cerca de 90 dias", explica Pulchinelli. "Já quando a coleta é feita em pelos do corpo, essa janela de detecção se estende para até 180 dias", acrescenta.

O exame analisa a presença das seguintes substâncias:

  • Anfetamina;
  • Metanfetamina;
  • MDA;
  • MDMA;
  • Anfepramona;
  • Femproporex;
  • Mazindol;
  • Carboxy THC (canabinoide);
  • Cocaína;
  • Benzoilecgonina;
  • Cocaetileno;
  • Norcocaína;
  • Morfina;
  • Codeína;
  • Heroína.

As mais comuns

De acordo com Jean Haratsaris, químico e superintendente do laboratório Chromatox, da Dasa, as substâncias mais frequentemente identificadas entre os participantes são cocaína, maconha (canabinoides), opiáceos (morfina, codeína e heroína), anfetaminas e metanfetaminas.

Haratsaris ainda destaca que não existe um método seguro para acelerar a eliminação das substâncias no organismo, como dietas ou xampus.

A única forma de garantir um exame negativo é um tempo de abstinência. Se um usuário não parar de consumir as substâncias, com certeza será detectado."

Leia também: Renovação automática da CNH beneficiou 685 mil motoristas; veja quem tem direito

É igual ao exame antidoping?

Não. O exame é diferente do teste antidoping realizado por atletas, mas existem semelhanças.

"Uma coisa que existe tanto no antidoping quanto no exame toxicológico é o rigor com a cadeia de custódia. Ou seja, o rigor com a coleta, a identificação e o processamento da amostra de forma a não confundir uma pessoa com outra, ou não dar um resultado errado, invertido ou trocado", cita Pulchinelli.

Outra semelhança é a possibilidade de confusão entre o uso de remédios receitados e o uso de substâncias ilícitas.

Há uma lista de substâncias que podem ser confundidas nos testes. Isso acontece porque, em alguns casos, a pessoa pode estar usando um medicamento com prescrição médica, ou seja, há um uso justificado. O que não pode ocorrer é o uso injustificado dessas substâncias."

Se um indivíduo com dor crônica, por exemplo, estiver utilizando morfina, o medicamento vai constar na análise. Mas, se houver uma justificativa, como uma prescrição médica válida, o uso é considerado legítimo. Nesse caso, o resultado positivo é comunicado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), mas com a observação de que há justificativa clínica.

"Por outro lado, existem substâncias que não têm qualquer possibilidade de uso justificado, como a cocaína. Não há medicamentos que possam ser confundidos com ela. Já outros casos precisam ser analisados com mais cuidado. É aí que entra o papel do médico revisor. Todo laboratório que realiza testes toxicológicos de larga janela conta com esse profissional capacitado, responsável por avaliar cada situação individualmente", pondera Pulchinelli.

Leia também: Cartão de estacionamento do idoso: veja como pedir e usar corretamente

Por que os exames são necessários?

Para Haratsaris, a principal finalidade do exame é prevenir acidentes graves no trânsito. "Por ter uma janela de detecção mais ampla, a análise também permite verificar se o candidato é um usuário crônico ou se fez uso recente, o que a torna mais confiável do que testes de urina e saliva, cuja detecção se limita a poucos dias."

Já Pulchinelli destaca que o consumo de substâncias ilícitas não traz nenhum benefício ao condutor. "Pelo contrário: a curto prazo, a pessoa coloca a própria vida em risco, pois (o uso) compromete a capacidade de dirigir e de tomar decisões. A longo prazo, essas substâncias provocam danos ao sistema cardiovascular, renal, hepático e ao sistema nervoso central."

Leia também: 5 principais infrações de trânsito de São Paulo; veja penalidades

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias