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Companheiros ou ex-parceiros respondem por 80% dos feminicídios, diz estudo

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dados constam do estudo "Retratos do Feminicídio no Brasil" - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dados constam do estudo "Retratos do Feminicídio no Brasil"
Por Estadão Conteúdo

04/03/2026 | 17h00

São Paulo, 04/03/2026 – Levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSB) aponta que, em geral, oito a cada dez feminicídios oficialmente registrados são cometidos por companheiros ou ex-parceiros das vítimas

Os dados constam do estudo "Retratos do Feminicídio no Brasil", que traz análises baseadas em 5,7 mil casos, ocorridos entre 2021 e 2024. Foram consideradas apenas as ocorrências com autoria identificada para definição do perfil dos agressores.

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Ao todo, 59,4% dos casos de feminicídio estão relacionados a ações do próprio "parceiro íntimo" das vítimas, enquanto outros 21,3% envolvem ex-cônjuges. Entre os casos com autoria conhecida, 97,3% foram cometidos por homens.

"Normalmente, quando aparece uma mulher como autora do feminicídio, também tem um homem junto aparecendo como o autor", afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSB).

O retrato, segundo ela, enseja inclusive a necessidade de trazer os homens para o debate, com a discussão de modelos de masculinidade. "Se são parte do problema, também têm de ser partes da solução."

No caso do perfil das vítimas, 62,6% se autodeclaram negras, enquanto outras 36,8% se veem como brancas. Além disso, 29,4% das vítimas têm 18 e 29 anos; 50%, entre 30 e 49; e 15,5%, mais de 50 anos.

A partir da adolescência até a terceira idade, o feminicídio é uma realidade durante todo o percurso da vida."

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Ao todo, 1.568 pessoas foram vítimas de feminicídio no ano passado, o que representa uma taxa de 1,43 morte para cada 100 mil habitantes. A alta, de 4,7% em relação a 2024, elevou mais uma vez esse tipo de crime ao maior patamar da série histórica.

Na comparação com 2021, houve aumento de 14,5% na taxa de feminicídios no País. Os Estados que apresentaram maior alta no indicador nesse recorte foram Amapá (+120,3%), São Paulo (96,4%) e Rondônia (53,8%).

Os pesquisadores destacam que, no caso de São Paulo, chama atenção também o número absoluto: o Estado passou de 136 feminicídios, em 2021, para 270, no ano passado. "A gente não está falando de um crescimento de 4 para 9 casos, como foi no caso do Amapá", diz Samira.

Praticamente duplicou o número de feminicídios no Estado (de São Paulo) em quatro anos. E é um Estado que já tinha uma consistência em relação à qualidade do registro da informação."

Desde 2015, foram ao menos 13,7 mil casos de feminicídio no Brasil. "O ‘ao menos’ é justamente pela dificuldade de mensurar o fenômeno. Dá para ver pela série histórica que os números são muito baixos, especialmente nos primeiros anos", diz a pesquisadora.

Os números de feminicídios foram contabilizados a partir dos boletins de ocorrência registrados pelas Polícias Civis dos Estados com essa tipificação.

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Cidades pequenas concentram casos

Uma das novidades é que o levantamento mapeou que, em 2024, cerca de 50% dos feminicídios aconteceram em cidades com até 100 mil habitantes. "Justamente em cidades onde não há tanta infraestrutura do Estado e unidades especializadas para fazer o atendimento dessas mulheres", afirma.

Ao todo, apenas 5% desses municípios têm delegacia da mulher e 3% têm casas abrigo, focadas no atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. "Se a gente tem metade da violência letal contra a mulher acontecendo nesses municípios pequenos, como fazer para, de fato, dar capilaridade para a política?", questiona a pesquisa.

Estudo anterior apontou que a implementação de delegacias da mulher costuma contribuir para a redução de indicadores em cidades em que foram implementadas.

Enfrentamento ao feminicídio

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi apresentado em evento com integrantes do governo federal nesta quarta, que contou ainda com a farmacêutica Maria da Penha, cuja lei de mesmo nome completa duas décadas em 2026.

O encontro marcou o lançamento do plano de ação do Pacto Pelo Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa criada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da alta de crimes de violência contra a mulher.

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