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IBGE avança na realização do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua

Foto:Marcel Naves/VIVA

Moradores em situação de rua são atendidos na Paróquia São Miguel do Arcanjo, em São Paulo - Foto:Marcel Naves/VIVA
Moradores em situação de rua são atendidos na Paróquia São Miguel do Arcanjo, em São Paulo
Por Marcel Naves

27/04/2026 | 19h36

São Paulo - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inicia nesta semana mais uma etapa importante para realizar o levantamento para o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua.

O levantamento, inédito em escala nacional, busca preencher uma lacuna histórica na produção de dados oficiais sobre esse segmento da sociedade brasileira, segundo o IBGE.

Com uma metodologia construída em conjunto com movimentos sociais, o IBGE divulga a iniciativa em Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, a partir desta segunda (27) e prossegue na terça (28) e  quinta-feira (30).

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Para Lúcio Costa,  diretor executivo do Desinstitute - Ong que atua pela garantia dos direitos humanos e pela a saúde mental no Brasil e na América Latina, a produção dessas informações deve ser encarada como uma obrigação estatal.

"Levantamentos de informações sobre a realidade das pessoas em situação de rua são importantes e devem ser produzidos de maneira contínua e sistemática por parte do poder público".

O especialista destaca que o censo é uma importante ferramenta de transformação cnso é também uma oportunidade de refinar o desenvolvimento da política pública, desconstruir mitos e convocar o Estado a olhar para as necessidades destas pessoas.

Apesar do tempo de espera por um levantamento deste porte, o diretor do Desinstitute mantém uma perspectiva positiva sobre o impacto dos novos dados. 

"Otimista sobre o levantamento em si, eu estou, porque ele poderá trazer revelações importantes. Ainda que o censo chegue com atraso, isso não diminui a importância de sua realização. Que bom que teremos logo esses dados e, com isso, a oportunidade de compreender ainda mais essa realidade."

O 1º Censo da População em Situação de Rua

O Censo Nacional da População em Situação de Rua representa uma mudança de paradigma na estatística oficial brasileira. Tradicionalmente, o Censo Demográfico realizado a cada década pelo IBGE utiliza o domicílio como unidade principal de coleta.

Esse modelo acaba por deixar invisíveis as pessoas que não possuem uma residência fixa, como as que pernoitam em calçadas, praças, viadutos ou em centros de acolhida temporários.

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Até então, o governo federal  dependia de levantamentos municipais isolados ou estimativas baseadas em cadastros de assistência social (como o Cadastro Único).

Sem um dado nacional unificado e padronizado, o Estado brasileiro enfrentava dificuldades para planejar o orçamento e a distribuição de recursos para áreas fundamentais, como habitação popular e saúde mental.

Como será o cronograma 

O projeto do 1º Censo da População em Situação de Rua entra agora em sua fase de testes práticos,  com marcos temporais bem definidos pelo governo federal e pelo IBGE.

A previsão é que, ainda no primeiro semestre, sejam publicados os editais para a contratação de aproximadamente 39 mil profissionais temporários, que atuarão diretamente na linha de frente da pesquisa em todo o território nacional.

Antes que a coleta de dados definitiva ocorra em larga escala, o IBGE executará etapas rigorosas de validação, como as Provas-Piloto e o Censo Experimental, previstas para ocorrerem ao longo de 2026.

Essas fases são cruciais para testar os seis questionários modulares e garantir que a tecnologia de georreferenciamento funcione com precisão nos diferentes contextos urbanos do país. 

Com a conclusão desses testes e o treinamento das equipes contratadas, a expectativa é que o trabalho de campo nacional seja intensificado entre o final de 2026 e o início de 2027, entregando, pela primeira vez, um retrato fiel e oficial da população de rua no Brasil.

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