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Idosos negros sofrem mais com a insegurança alimentar, mostra estudo

Arquivo/Agência Brasília

O grupo mais atingido entre os de 60 anos ou mais é o das mulheres negras - Arquivo/Agência Brasília
O grupo mais atingido entre os de 60 anos ou mais é o das mulheres negras
Por Paula Bulka Durães

09/05/2026 | 15h31

São Paulo - Embora o Brasil tenha saído do Mapa da Fome, a desigualdade estrutural faz com que mulheres negras, crianças e pessoas idosas autodeclaradas negras continuem enfrentando os piores cenários de privação.

É o que aponta o estudo As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023), de autoria de Veruska Prado e Rute Costa. Com base nos dados da Pnad Contínua 2023, o relatório aponta que, enquanto 83,9% dos idosos brancos vivem em situação de segurança alimentar plena, esse índice cai para 70,9% entre os negros.

A manifestação mais severa da privação, a fome, atinge 5,2% da população negra na velhice, mas apenas 2,0% dos brancos da mesma faixa etária.

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O grupo mais atingido entre os de 60 anos ou mais é o das mulheres negras. Apenas 67,1% delas vivem em segurança alimentar, e 6,2% enfrentam a fome, taxa que chega a ser o triplo da observada entre homens brancos.

Segundo o estudo, a velhice é a fase da vida com maior estabilidade no País, com 77,6% das pessoas com 60 anos ou mais em segurança alimentar e 3,6% em grave insegurança alimentar.

Contudo, a vulnerabilidade dispara entre aposentados. Nos lares chefiados por pessoas fora da força de trabalho — grupo que engloba pessoas que dependem de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) —, 7,3% vivem em situação de fome.

Os homens brancos idosos representam o topo da proteção na velhice, com 85% vivendo com acesso regular a alimentos. As mulheres brancas idosas vêm em seguida, com 81%.

Crianças e jovens têm os piores índices

O início do ciclo da vida apresenta o cenário mais grave de escassez no Brasil. A pesquisa demonstra que as crianças (0 a 9 anos) e os adolescentes (10 a 19 anos) apresentam as maiores frequências de vivência de insegurança alimentar.

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Nesses grupos, a taxa geral de lares com segurança alimentar despenca para 62,9% e 63,9%, respectivamente.

A barreira racial também se impõe: crianças e adolescentes autodeclarados negros enfrentam a fome e a incerteza com muito mais frequência do que os brancos da mesma idade.

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