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Insegurança alimentar recua mais de 70% entre brasileiros mais vulneráveis

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Almoço gratuito no projeto Fraternidade na Rua pessoas em situação de vulnerabilidade - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Almoço gratuito no projeto Fraternidade na Rua pessoas em situação de vulnerabilidade
Por Pedro Marques

19/06/2026 | 10h33

São Paulo - A insegurança alimentar grave diminuiu mais de 70% entre grupos historicamente mais afetados pela fome no Brasil entre 2022 e 2024. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) na quinta-feira (18).

Nos domicílios chefiados por mulheres, a redução chegou a 77,7% no período. Entre as famílias lideradas por mulheres negras, a queda foi de 75,5%. O cenário também melhorou entre lares com crianças e adolescentes menores de 18 anos e entre aqueles chefiados por pessoas negras, com recuos de 72,4% e 73,4%, respectivamente.

Os números resultam da comparação entre o levantamento da Rede Penssan, realizado em 2022, e os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024. As informações foram apresentadas pela secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, durante o painel “Soberania Alimentar em debate: quem alimenta o Brasil?”, realizado no evento Sustentar 2026, em Florianópolis (SC).

Durante o encontro, Burity destacou a retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), em 2023, como um passo fundamental para a criação do Plano Brasil Sem Fome. A iniciativa reuniu ações econômicas e sociais voltadas à geração de renda, valorização do trabalho, fortalecimento da proteção social e ampliação do acesso à alimentação adequada, com foco especial nos grupos mais vulneráveis.

Segundo a secretária, o plano foi estruturado a partir do reconhecimento de que fatores como classe social, raça e gênero influenciam diretamente a incidência da fome. Por isso, as políticas públicas foram direcionadas de forma prioritária para as populações mais afetadas.

Para Burity, os resultados indicam que a estratégia vem alcançando seus objetivos. Ela ressaltou que a redução foi mais intensa justamente entre crianças e adolescentes, famílias chefiadas por mulheres e lares liderados por pessoas negras, reforçando o compromisso de combater a fome e, ao mesmo tempo, enfrentar as desigualdades sociais.

Os dados também revelam que 2024 registrou os menores índices históricos de insegurança alimentar grave na Região Norte, com 6,2%, na Região Nordeste, com 4,8%, e nos domicílios rurais, onde o índice ficou em 4,6%.

De acordo com o MDS, o avanço da segurança alimentar no País ocorreu em paralelo à redução das desigualdades e ao fortalecimento da proteção social. Entre 2022 e 2025, cerca de 5,2 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza e 21 milhões saíram da condição de pobreza. O período também foi marcado pelo crescimento da economia, pela desaceleração dos preços dos alimentos, pela queda do desemprego e pela retomada da política de valorização do salário mínimo.

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