MTE divulga lista de trabalho escravo com BYD e Amado Batista incluídos
Romulo Serpa/Ag. CNJ
São Paulo - O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira, 7, uma atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. A nova lista inclui 169 nomes e eleva o total para 614 empregadores, um aumento de 6,28% em comparação com a versão anterior.
O cadastro é atualizado duas vezes por ano, em abril e outubro, com o objetivo de dar transparência às ações de combate ao trabalho análogo à escravidão no País.
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Entre os incluídos na nova versão está a multinacional chinesa BYD, responsável por uma unidade industrial em Camaçari, na Bahia. Também consta o nome de Amado Batista, autuado em fiscalização realizada em 2024.
O cantor Amado Batista foi incluído após fiscalização em propriedades rurais ligadas ao agronegócio. Segundo o MTE, foram identificados 10 trabalhadores em condições irregulares, com jornadas exaustivas e alojamentos precários.
Em nota enviada a Agência Brasil, a assessoria do cantor e empresário informou que um acordo foi firmado com o Ministério Público do Trabalho e que as obrigações foram cumpridas.
No caso da BYD, a fiscalização ocorreu entre dezembro de 2024 e maio de 2025. Os auditores da inspeção do trabalho identificaram 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil. Desse total, 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.
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A investigação apontou responsabilidade direta da empresa na contratação e na entrada irregular dos trabalhadores, além da caracterização de vínculo empregatício conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
As inspeções também identificaram indícios de fraude migratória e manutenção de trabalhadores em condições incompatíveis com as normas legais. Entre os problemas encontrados estavam jornadas superiores a 10 horas diárias, ausência de descanso regular e restrição de locomoção.
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Nos alojamentos, os auditores constataram falta de estrutura básica, com os trabalhadores dormiam sem colchões, compartilhavam poucos banheiros e armazenavam alimentos em condições inadequadas. Em alguns casos, as refeições eram feitas nas próprias camas e a água consumida não era tratada.
Em janeiro, a empresa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) no valor de 40 milhões de reais.
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