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Brasil bateu recorde de denúncias de trabalho escravo em 2025

Gabriela Oliva/MDHC

Canal nacional recebeu 4.516 denúncias no ano, crescimento de 14% em relação a 2024 - Gabriela Oliva/MDHC
Canal nacional recebeu 4.516 denúncias no ano, crescimento de 14% em relação a 2024
Por Marcel Naves

28/01/2026 | 20h19

São Paulo, 28/01/2026 - No dia nacional de combate do trabalho escravo, comemorado hoje, o País tem poucos motivos para festejar. Em 2025, registrou-se o maior número anual de denúncias da série histórica desde 2011, quando o Disque 100 passou receber este tipo de delação. Foram feitos 4.516 registros, o que representa um aumento de 14% se comparado com 2024, quando foram 3.959 .

O crescimento dos registros confirma que este tipo de crime ainda persiste e exige o fortalecimento permanente das ações de enfrentamento. Por outro lado, para a coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze, os números deixam claro o avanço dos instrumentos de denúncia no País.

A elevação dos números evidencia uma população mais consciente e menos receosa de denunciar, especialmente por se tratar de um canal sigiloso, que também presta informações e orientações, impulsionando registros e contribuindo para a responsabilização de violadores de direitos humanos”, disse Franciely Loyze.

As denúncias

As informações referentes ao trabalho escravo  que chegam ao Disque 100 são encaminhadas ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania · MDHC, que acompanha todo o processo.

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Dados do MTE, por intermédio da Secretaria de Inspeção do Trabalho- SIT, mostram que 2025, ano em que o país completou 30 anos do reconhecimento oficial da existência de formas contemporâneas de escravidão, foram realizados 2.772 resgates em 1.594 ações realizadas em todo o território nacional. Também foi registrado o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas.

A situação nos Estados

Em 2025, São Paulo concentrou o maior número de registros com 1.129 denúncias, seguido por Minas Gerais (679), Rio de Janeiro (364), Bahia (255) e Rio Grande do Sul (245). Também apresentaram volumes expressivos Estados como Goiás (219), Paraná (211) e Ceará (137).

No mesmo ano, São Paulo também teve o maior número de ações fiscais com 215 casos, seguido por Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102). Já os Estados com maior número de trabalhadores resgatados foram Mato Grosso (607), Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253).

Além dos resgates, mais de 48 mil trabalhadores e trabalhadoras tiveram os direitos trabalhistas assegurados. Mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de trabalho análogo à escravidão, outros direitos foram garantidos pela atuação dos auditores fiscais do Trabalho em campo

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Perfil das violações

As denúncias recebidas em 2025 incluem casos de trabalho escravo infantil, além de ocorrências envolvendo adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, servidão por dívida e restrição de liberdade.

Como denunciar

O Disque 100 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e permite o registro de denúncias relacionada a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento, de maneira identificada ou anônima.

Para entrar em contato com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, basta discar 100 do telefone fixo ou celular. O canal também pode ser acessado por meio do WhatsApp (61) 99611-0100; Telegram (digitar "direitoshumanosbrasil" na busca do aplicativo); ou ainda pelo site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, disponível também para videochamadas em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

A data que marca os esforços pelo fim do trabalho escravo e análogo à escravidão no Brasil foi instituída pela Lei nº 12.064/2009. O dia 28 de janeiro foi escolhido em memória dos auditores fiscais do trabalho assassinados em 2004, durante uma operação de fiscalização no município de Unaí (MG).

O caso, conhecido como a "Chacina de Unaí", evidenciou os riscos enfrentados na luta contra a exploração, e a necessidade de fortalecimento dos mecanismos de prevenção e combate ao trabalho escravo no Brasil. O mandante do crime, Norberto Mânica, foi preso em janeiro de 2025.

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