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Pesquisa revela falhas e prisões supostamente indevidas pelo Smart Sampa

Rovena Rosa/Agencia Brasil

O Smart Sampa,  programa de monitoramento da prefeitura de São Paulo, conta atualmente com 40 mil camêras - Rovena Rosa/Agencia Brasil
O Smart Sampa, programa de monitoramento da prefeitura de São Paulo, conta atualmente com 40 mil camêras
Por Marcel Naves

06/02/2026 | 09h26

São Paulo, 06/02/2026 - O sistema de videomonitoramento e reconhecimento facial do município de São Paulo tem gerado falsos positivos, prisões indevidas e riscos à privacidade. É o que aponta a nota técnica “Smart Sampa: Transparência para quem? Transparência de quê?”, recém divulgada.

O estudo sobre falhas no sistema de vigilância da prefeitura de São Paulo foi elaborado pelas organizações LAPIN - Laboratório de Políticas Públicas e Internet, Instituto de Referência Negra Peregum e Rede Liberdade, a partir do Relatório de Transparência da prefeitura, divulgado em junho de 2025, e com informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação (LAI).

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Prisões supostamente indevidas

Segundo a análise, a partir de informações obtidas pela LAI, identificou-se que mais de 90% do que foi categorizado como “outros” eram prisões por pensão alimentícia. Para as entidades, o fato de os mandados relacionados à pensão alimentícia estarem entre os principais crimes evidencia que parte das prisões não têm relação com a segurança pública.

O estudo destaca também que o perfil das pessoas presas reflete o viés racial e territorial do sistema, já que 25% são negras (18,49% pardas e 6,60% pretas) e 16,01% são brancas, enquanto 58,9% dos registros não trazem qualquer informação sobre raça.

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O coordenador da Lapin, Felipe Rocha da Silva, aponta falta de transparência nos dados de prisões em SP - Divulgação

Para o coordenador geral da Lapin, Felipe Rocha da Silva, o programa da Prefeitura não tem transparência, e atende a uma política de expansão de câmeras.

"Os chamados relatórios de transparência apresentados pela Prefeitura, bem como a mobilização comunicacional que os acompanha, operam menos como instrumentos efetivos de prestação de contas e mais como retórica de defesa acrítica, voltada à legitimação e à promoção de um modelo lucrativo baseado na expansão de câmeras, e não à construção de uma política de transparência substantiva”, afirma  Felipe Rocha.

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Smart Sampa

O programa teve início em agosto de 2023 e hoje conta com 40 mil câmeras, distribuídas  em vários locais da  capital paulista. Desde o seu começou  foi responsável por 3.650 prisões em flagrante e na captura de 2.719 foragidos. No ano passado, foram 2.732 solicitações, que resultaram na localização de 1.024 pessoas.

O que diz a Prefeitura

Em um comunicado encaminhado ao VIVA, a Prefeitura de São Paulo contestou os dados apresentados pela pesquisa. De acordo com a PMSP, o programa  aém de atender aos seus objetivos está plenamente em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

"A Prefeitura de São Paulo repudia qualquer tentativa de descredibilizar o Programa Smart Sampa, que não possui nenhum registro de prisões injustas ou equivocadas decorrentes de abordagens iniciadas pelo sistema, conforme relatório de transparência. Todos os alertas gerados pelas câmeras são obrigatoriamente validados por agentes humanos.

Além disso, os resultados do Smart Sampa são notórios: prisão de 2.719 foragidos da Justiça, 3.650 prisões em flagrante, localização de 155 pessoas desaparecidas e o atendimento de 2.088 ocorrências envolvendo veículos.

O programa também consolidou-se como ferramenta essencial para a investigação de crimes pela Polícia Civil. 

Imagens de 559 ocorrências já foram compartilhadas com o órgão. As câmeras são utilizadas exclusivamente para fins de segurança pública, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e apresentam índice de assertividade de 99,5%. Dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, divulgados nesta sexta-feira, dia 30, mostram que, em 2025, a cidade de São Paulo registrou queda de 14,6% nos roubos em geral, redução de 21% nos roubos de veículos e diminuição de 25% nos latrocínios.

Por fim,  pesquisas realizadas em 2025 pelos institutos IPESPE e Real Time Big Data indicam que o Smart Sampa tem aprovação superior a 89% da população".

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