Governo quer que INSS automatize pagamento de recursos com decisão favorável
Segurados enfrentam aumento no tempo de análise de recursos, enquanto volume de benefícios negados cresce no primeiro semestre
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São Paulo - Diante de um acumulado de análises favoráveis, o Ministério da Previdência Social solicitou ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à Dataprev a criação de um sistema para automatizar os pagamentos dos cidadãos que vencem recursos no Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A informação foi confirmada ao VIVA.
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O objetivo do governo é dar andamento a 336,8 mil processos que já possuem decisão favorável aos segurados, mas que aguardam a operacionalização e a liberação dos valores por parte do INSS. A medida busca concluir os pagamentos pendentes e evitar a judicialização dessas demandas.
Atrasos no cumprimento de decisões
A solicitação ocorre em meio ao aumento expressivo no tempo médio que a autarquia leva para cumprir as etapas solicitadas pelo conselho.
De acordo com dados do CRPS, a espera sofreu forte piora em 2026. Para o cumprimento de diligências, o tempo médio saltou de 790 dias no primeiro trimestre para 1.413 dias no segundo trimestre – uma espera superior a três anos e dez meses.
Quanto à conclusão e ao pagamento, o prazo que o INSS leva para operacionalizar a decisão – após o CRPS julgar o recurso e devolver o caso – passou de 76 dias no primeiro trimestre para 130 dias no segundo trimestre deste ano.
Em contrapartida, a fila geral do órgão apresentou uma redução expressiva desde janeiro de 2026, quando as solicitações ultrapassavam a marca de 3,07 milhões, recuando para 1,54 milhão de pedidos acumulados em julho. Contudo, essa queda está atrelada a um alto índice de rejeições.
Recorde de pedidos negados
Os dados do Boletim Estatístico da Previdência Social (Beps) confirmam que o número de negativas tem superado a quantidade de benefícios concedidos.
Em junho de 2026, o INSS concedeu 792.531 benefícios e negou 938.180 requerimentos, o que representa 145.649 recusas a mais do que aprovações naquele mês.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, os indeferimentos cresceram 69,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 4.319.336 pedidos negados. Já as concessões registraram crescimento bem menor, de 13,4%, somando 4.239.522 amparos aprovados.
Com esse grande volume de indeferimentos na fase inicial, uma parte significativa dos cidadãos acaba recorrendo à segunda instância administrativa, o que transfere o gargalo da demanda justamente para o CRPS.
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