Fraude no INSS: Presidente da Conafer se entrega à PF após meses foragido
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
São Paulo - O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, se entregou à Polícia Federal (PF) na noite desta quarta-feira, 12. Ele estava foragido desde novembro de 2025 e tinha um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lopes é investigado por suspeitas de corrupção e outros crimes relacionados aos descontos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vinculados à Conafer. A defesa do presidente da entidade não havia se manifestado até a publicação desta nota.
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O presidente da Conafer foi alvo de uma das fases da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em novembro de 2025. Na ocasião, os agentes não conseguiram localizá-lo para cumprir a prisão preventiva.
Segundo investigadores, Lopes se escondeu em um território indígena no sul da Bahia. A região é considerada de difícil acesso, o que dificultou o cumprimento do mandado de prisão pela Polícia Federal. Desde então, ele permanecia foragido.
Fraude no INSS
A Conafer é a entidade investigada que registrou o maior aumento, em valores absolutos, nos descontos realizados em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024.
Os descontos associados à entidade passaram de cerca de R$ 400 mil em 2019 para R$ 277 milhões em 2024, apontam dados da investigação.
Segundo o Estadão, a Polícia Federal também apontou suspeitas de irregularidades na atuação da entidade e investigou a existência de uma estrutura organizada para a realização dos descontos.
Recentemente, Carlos Lopes foi indiciado pela PF por crimes como corrupção e organização criminosa, com divisão de funções e diferentes núcleos de atuação. Outras pessoas ligadas à Conafer também foram incluídas no relatório da investigação.
Durante a investigação, os policiais encontraram planilhas que registravam supostos pagamentos de propina. A PF também identificou transferências bancárias que, segundo os investigadores, correspondiam aos valores registrados nos documentos.
O caso envolve a apuração de descontos realizados diretamente em benefícios do INSS e faz parte das investigações sobre possíveis fraudes contra aposentados e pensionistas.
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