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A história é sua: leitores do VIVA contam suas lembranças sobre São Paulo

Paulo Pinto/Agência Brasil

A Avenida Paulista, marco da cidade, que neste domingo comemora 472 anos de muita história e  transformação constante - Paulo Pinto/Agência Brasil
A Avenida Paulista, marco da cidade, que neste domingo comemora 472 anos de muita história e  transformação constante
Por Marcel Naves

25/01/2026 | 08h52

São Paulo, 25/01/2026 - A cidade de São Paulo está completando hoje 472 anos de muita história e  transformação constante. São fazendas que viraram bairros, rios que cederam espaço para avenidas para acomodar cada vez mais gente na metrópole que não para. As mudanças fazem parte da história de muitos moradores, como os leitores do Portal VIVA, que enviaram suas lembranças para a redação.

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Nos últimos dias, recebemos relatos emocionantes dos leitores com a cidade. Dentre os selecionados para esta homenagem à cidade de São Paulo está o aposentado Pedro Nastri, 69 anos, que se recorda com detalhes dos tempos de colégio.

Em seu relato constam os velhos uniformes escolares, a fila no pátio para entrar na sala de aula, e claro, não faltam menções à saudosa "professorinha". Vale recordar os bons tempos com o texto de Nastri.

A primeira professora


Todos nós temos recordações, memórias de um tempo que passou e que por mais que desejemos, não volta mais. Mas remexendo no meu baú de memórias (e este tempo de chuva lembra a isso, faz-me ficar saudoso e muito melancólico), encontrei algumas lembranças muito bonitas e que me deram enorme  prazer em recordar.

Lembrei-me da primeira professora, dona Antonieta, que juntamente com o diretor Aristides Silva Filho, tinham pelo Grupo Escolar “Eduardo Prado” (era assim mesmo que me ensinaram a escrever o nome da escola, com aspas e tudo) um zelo surpreendente. Esta escola ficava no bairro do Brás, mais precisamente na Rua Almirante Barroso com Rua Mendes Júnior.

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Os alunos do Colégio Eduardo Prado - Arquivo Pessoal

Ao entrar na escola formávamos fila, de um lado as meninas com suas saias azul marinho, cheias de pregas, camisa branca,  meia ¾, sapato tipo boneca e uma enorme fita branca na cabeça.

Do  outro lado ficavam os meninos com suas calças curtas, também na cor azul marinho, camisas brancas, gravatas azul marinho, meias brancas e sapatos pretos.

Após cantarmos o Hino Nacional, dona Antonieta nos conduzia para a sala de aula, que tinha ao fundo um enorme armário onde eram guardados os cadernos de linguagem, caligrafia e desenho além do apagador, da caixa de giz, da grande régua e de todos outros apetrechos das aulas diárias.

Lembrei-me também da primeira cartilha Caminho Suave, onde aprendi as vogais, depois as consoantes e mais tarde a formar palavras. Assim, saí do primeiro ano primário sabendo ler e escrever.

Lembro do meu primeiro dia de aula. Minha mãe levou-me à escola, eu estava  eufórico com a nova experiência. Queria aprender o be-a-bá. Quando percebi a ausência de minha mãe, comecei a chorar, foi quando naquele instante, Dona Antonieta abraçou-me e conduziu-me para o pátio. A Diretora do curso primário, Dona Doralice, começou, então, a ler as regras que deveríamos seguir dali para frente. Tenho saudades daqueles tempos.

Quantos que aqui estão não passaram por experiências iguais? Quantos não foram alfabetizados pelas páginas da Cartilha “Caminho Suave”? Lembrando o imortal Ataulfo Alves, em sua canção Meus Tempos de Criança: "Que saudade da professorinha, que me ensinou o be-a-bá".

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A cidade antes do Metrô

Atualmente, a expressão “aqui era tudo mato” é motivo de brincadeira. Mas o bancário aposentado Joel Alves, 75 , por exemplo, nasceu em uma época em que a Avenida dos Bandeirantes não existia, o metrô começava a ser realidade e o MASP ainda estava sendo construído. Acompanhe o relato bem humorado de Alves:

"Nasci em São Paulo, em outubro de 1950, no bairro da Vila Mariana. Quando eu estava com 4 anos, minha família se mudou para a vila Guarani, no bairro do Jabaquara. Na vila Guarani, nessa época ,havia poucas casas e algumas chácaras onde hoje é a Av. dos Bandeirantes. Não existia a rodovia  dos Imigrantes; ali era um brejo e tinha uma pequena favela.

Imagem da praça da Se mostra carros e árvores antes da construção do metro da Sé
Acervo Biblioteca Pública Digital de SP - Praça da Sé 1976

Vi o surgimento do Metrô, a modernização da Av. Paulista, a construção do MASP. Trabalhei quando garoto como office-boy no escritório dos engenheiros e arquitetos que construíram a Assembleia Legislativa no Ibirapuera, antes era no parque Dom Pedro.

Vi o nascimento do shopping Iguatemi, o alargamento da Av. Faria Lima.

Lembro do teatro de Alumínio na praça das Bandeiras, da construção da Câmara Municipal, que era na Líbero do Badaró.

Trabalhei no extinto Banco Noroeste, comprei no Mappin, na Mesbla, na Ducal, nas Lojas José Silva, na Garbo. Presenciei muitas mudanças na nossa querida Capital. Mas não vi o Mundial do Palmeiras (kkk)".

Obs: A redação do Portal VIVA não comenta sobre preferências de times de futebol :-)

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