Repúblicas de mulheres 50+ crescem e são alternativa à solidão feminina
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São Paulo - Morar em república depois dos 50 anos tem se tornado uma alternativa real para muitas mulheres em diferentes países. Iniciativas voltadas ao público feminino 50+ estão surgindo como resposta ao alto custo da moradia, ao aumento da solidão e às dificuldades financeiras enfrentadas por quem vive sozinha na maturidade.
Um dos exemplos é a organização sem fins lucrativos Senior Women Living Together (SWLT), criada na província de Ontário, no Canadá. O projeto conecta mulheres com 50 anos ou mais interessadas em dividir moradia, ajudando a encontrar colegas compatíveis e a organizar acordos de convivência para alugar uma casa juntas.
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Moradoras dividem despesas e aluguel
Segundo a organização, ao compartilhar o mesmo imóvel, as moradoras dividem despesas como aluguel e contas, ampliam a rede de apoio e reduzem o isolamento social. O modelo também oferece mais segurança para quem prefere não morar sozinha.
A iniciativa nasceu da experiência pessoal da canadense Pat Dunn. Em entrevista ao programa The Conversation, da BBC, ela conta que após a morte do marido, em 2014, ela voltou sozinha para Ontário depois de passar anos vivendo em um barco no Caribe durante a aposentadoria.
Com renda limitada após ficar viúva, Pat passou a enfrentar dificuldades para pagar moradia. Mesmo após vender o barco e comprar um trailer para viver parte do ano, ainda gastava mais da metade da renda com aluguel.
As dívidas cresceram e, em 2018, ela ficou sem casa. Ao buscar na internet opções de moradia compartilhada para mulheres mais velhas e não encontrar alternativas acessíveis, decidiu criar sua própria solução.
“Não tinha como manter uma casa sozinha. Foi quando pensei em procurar alguém para compartilhar”, conta.
Em fevereiro de 2019, ela criou um grupo no Facebook para reunir mulheres que também moravam sozinhas em Ontário e estavam interessadas em dividir casa. A resposta foi rápida e em um mês o grupo já reunia mais de 200 integrantes. Um ano depois, ultrapassava 1.700 participantes em toda a província.
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Com base na experiência profissional como enfermeira de saúde pública, Pat estruturou um programa para ajudar as integrantes a encontrar colegas de casa compatíveis, elaborar acordos de convivência e organizar a vida compartilhada.
No final de 2019, ela própria passou a morar com duas mulheres que conheceu na comunidade criada online. Inspirada na série Supergatas (1985–1992), a experiência deu origem à organização, que hoje oferece ferramentas, orientações e apoio para mulheres interessadas em dividir moradia.
"Deixei de ficar desesperadamente isolada e aterrorizada por ficar sem casa para ter um lar seguro, com mulheres com quem posso conversar, me sentir segura e me divertir", afirma Dunn.
"Nesta idade, já vivenciamos e nos formamos a nós mesmas, sabemos o que queremos, quem nós somos e a vida que, de alguma forma, queremos viver", complementa.
Républicas 50+ crescem no mundo
Iniciativas semelhantes também estão surgindo em outros Países. Na França, a finlandesa Hanne Nuutinen ajudou a fundar o co-living La Joie Home Base, que reúne mulheres de diferentes nacionalidades em espaços de convivência comunitária.
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O modelo combina hospedagem de curta ou longa duração (2 semanas a 6 meses) com atividades coletivas e troca cultural. O objetivo é oferecer uma experiência de vida compartilhada voltada especificamente para mulheres maduras.
Fizemos pesquisa de mercado e percebemos que essas mulheres, de todas as partes do mundo, desejam ter um pouco de tranquilidade nas suas vidas, além da comunidade", conta Hanne a BBC.
Antes de lançar o projeto, os organizadores entrevistaram cerca de mil mulheres entre 50 e 80 anos em diferentes países.
O levantamento indicou que a maioria dos espaços de co-living existentes é voltada a jovens profissionais ou nômades digitais, deixando o público mais velho sem opções adequadas.
"O que oferecemos e o objetivo do nosso serviço é atingir mulheres de classe média alta, que desejam atenção e flexibilidade", afirmou a fundadora.
Custo de moradia aumentou nos últimos anos
Segundo a BBC, o crescimento desse tipo de iniciativa está ligado a mudanças sociais e econômicas. Em vários países, o custo da moradia aumentou nos últimos anos, enquanto muitas mulheres chegam à aposentadoria com renda menor, principalmente após períodos dedicados ao cuidado da família.
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A moradia compartilhada aparece como uma solução prática para dividir custos, criar redes de apoio e manter a autonomia na maturidade. "A ideia é criar uma comunidade em que as pessoas compartilhem não apenas a casa, mas também experiências e apoio no cotidiano”, explica Hanne.
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