Magal faz show no Rio e reflete sobre carreira: 'Não apareceu um novo Magal'
Divulgação/Denise Andrade
São Paulo - O público chama e Sidney Magal vai. Essa tem sido a tônica de seus quase 60 anos de carreira, marca que o cantor carioca radicado na Bahia celebra no palco da Qualistage, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (8), em show especial em homenagem ao Dia das Mães.
Eu costumo dizer que sou sempre o mesmo Sidney Magal, com os mesmos sucessos, com a mesma energia, com a mesma alegria", conta ao VIVA.
Essa trajetória tem como marco inicial seu álbum de estreia "Sidney Magal", de 1977, que reunia sucessos como "Meu Sangue Ferve por Você", "Amante Latino" e "Se Te Agarro com Outro Te Mato" —esta última, ele excluiu do repertório de seus shows, por associarem a letra a feminicídio.
Àquela altura, porém, Magal já estava na estrada havia tempos: tinha feito apresentações com um grupo folclórico na Europa e lançado um compacto.
Ele tinha seguido os conselhos de seu ilustre primo de segundo grau, Vinicius de Moraes: desistiu de cantar bossa nova e investiu em um estilo mais popular, pegando carona na sua juventude e boa aparência.
No entanto, o empurrão definitivo veio sob a mentoria do produtor argentino Roberto Livi, que ajudou o artista a cunhar a persona do cigano latino e sensual, e a gravar músicas com essa atmosfera. Apresentado oficialmente ao Brasil no seu disco de estreia, Sidney Magal estourou de imediato.
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Nos shows que celebram seus 60 anos de estrada, o cantor relembra essa jornada musical sem contar com muitas participações especiais — diferentemente da turnê "Bailamos", gravada em São Paulo em 2017. Naquela ocasião, ao comemorar os 50 anos de carreira, ele dividiu o palco com nomes como Alexandre Pires, Ney Matogrosso e Rincon Sapiência.
Isso, no entanto, não vai interferir no clima de festa. Aos 75 anos, o sempre bem-humorado Sidney Magal fala ao VIVA, de sua casa em Salvador, sobre as celebrações no palco, a longevidade da carreira e sua rotina após o susto do AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico que sofreu em 2023. Leia os principais trechos da entrevista:
VIVA: Essa turnê, ‘Me Chama Que Eu Vou’, antecede as comemorações dos 60 anos de carreira?
Sidney Magal - Pode-se dizer que sim. Pegamos agora uma série de shows muito legais. Por exemplo, em julho, vou fazer a Concha Acústica, em Salvador, onde eu já não cantava há muitos anos. No Rio de Janeiro, no Qualistage, vou fazer agora, próximo ao Dia das Mães. Vou fazer São Paulo. Enfim, tem vários lugares que vou fazendo e, como são próximos, a gente aproveitou para fazer uma miniturnê. Não é que ela seja programada já com antecedência. A gente muda sempre o nome do show e algumas músicas também, para ter alguma novidade. Eu costumo dizer que sou sempre o mesmo Sidney Magal, com os mesmos sucessos, com a mesma energia, com a mesma alegria.
A turnê de 50 anos de carreira, ‘Bailamos’, contou com convidados. É algo que vai se repetir para os 60?
Não. Isso porque, no Nordeste e no Norte, junho e julho são dois meses em que todo mundo trabalha muito. Tentei, pelo menos, quatro artistas (para fazer participações) e não consegui datas. Alguns estão morando até fora do País, outros estão trabalhando muito nessas datas.
A minha dificuldade agora foi maior do que naquela época. É por isso que eu meio que estou abrindo mão disso. Em termos, porque, por exemplo, em Salvador, em julho, vou ter a participação do Carlinhos Brown no meu show, que é uma grande alegria, provavelmente da Timbalada também. Vamos fazer um clipe com o Carlinhos, depois fazemos um clipe em outro lugar com outra pessoa e depois vamos juntar tudo para a internet, que é o veículo que todo mundo está usando agora.
O repertório-base vai ter variações nessa turnê? Homenagens a Tim Maia, Jovem Guarda?
Sim, eu mexo. Inclusive, às vezes, tem Rita Lee, Lulu Santos. Vou pela música e pelos artistas que eu admiro, lógico. Aquela música que já cantei ou que me toca muito. Estou sempre homenageando a Jovem Guarda, canto músicas em espanhol. É uma comemoração de tudo aquilo que sempre fiz e com 60 anos nas costas, que não é para qualquer um, né? Costumo brincar assim: 'Gente, não sei se vou estar cantando nos 70 anos de carreira. Não sei como é que vou estar fisicamente'.
Vocalmente, Deus me ajudou e eu estou mantendo a voz em um nível que dá para realmente agradar as pessoas."
A voz acompanha, de certa forma, o processo de envelhecimento. O que você faz para preservá-la?
Olha, vou agora encher um pouco a minha bola; nunca fiz nada para trabalhar ou para conservar minha voz."
Estudei canto numa época durante cinco anos seguidos, para aprender a respirar, colocar voz e tal. Isso me deu, pelo menos, alguma técnica para me manter cantando. Agora, a ajuda de Deus foi fundamental, porque nunca parei de fazer show e nunca faltei a um show sequer por rouquidão.
Tomo água gelada no show. Quando entro no camarim com ar-condicionado, peço para aumentar o frio e, quando eu entro no carro quando saio do show suado, peço para aumentar o ar-condicionado. É bem na contramão. Lógico, você vai ficando mais cansado e tem que evitar certos esforços em termos de notas agudas. Enfim, o que você vai fazer para poder se poupar um pouco. E isso eu faço, mas não faço gargarejo, não faço vocalize, não faço nada.
Pensando nos clássicos, “Sandra Rosa Madalena” é seu grande sucesso?
"Meu Sangue Ferve" disputa pau a pau com "Sandra Rosa". Recebo vídeos diariamente até hoje da Itália, de Portugal, de festas nas ruas, do Pelourinho, do Rio de Janeiro, no Carnaval. "Me Chama Que Eu Vou" também, a lambada, que tem uma parcela muito grande nisso. Então, eu carrego essas três músicas no meu repertório como um trunfo para atrair as pessoas, e é um momento em que o show explode, em que as coisas acontecem.
Você vê herdeiros musicais para o Magal?
Vai parecer presunçoso, mas estou afim de ser sincero, a partir dos meus 75 anos, eu fiquei muito assim.
Tenho que agradecer a Deus que não apareceu, nesses 60 anos, ninguém sobre quem pudessem dizer assim: É um novo Magal. Ou 'ele tem o estilo do Magal', 'faz melhor do que o Magal'. Isso não apareceu. E eu gostaria que fosse assim até o final."
No Brasil, principalmente o sertanejo tomou muito conta do mercado. E não consigo me ver nem cantando o que eles cantam para me enturmar nem esperando que eles tenham a minha performance, porque sei que isso vai ser difícil. Falo isso para o Ney Matogrosso: temos uma característica muito forte e somos únicos. Tomara que continue assim, tomara que eu não seja o primeiro dos Magais, que eu seja só o Magal eternamente.
A imagem do cigano fez sucesso, principalmente nos anos 70. Ficou com receio de ser associado àquela figura sensual?
De jeito nenhum. Sou espírita de religião. Sou espiritualista e tenho uma história de quando eu cantava em boate, em restaurante. Eu tinha 19, 20 anos de idade, mais ou menos. E eu cantava muitas músicas em espanhol. Quando eu cantava essas músicas em espanhol, normalmente nos locais tinham aqueles vendedores de flores, e as pessoas compravam flores e jogavam elas, para mim em cima do palco. Eu pegava aquelas flores e ficava super feliz.
Uma vez, uma mulher levantou e disse para mim assim: 'Olha, que linda essa tua apresentação. Eu amei os ciganos que dançaram em volta de você' E eu disse: 'Que cigano?'. Não tinha ninguém no palco, era só eu e a banda. Ela disse: 'Os ciganos que espiritualmente dançam em torno de você e te protegem'. Fiquei com aquilo guardado na minha cabeça.
Então, foi tomando tanto conta de mim que hoje, nos meus shows, tenho que ter rosas vermelhas no camarim para jogar algumas para o público em homenagem aos ciganos que aquela mulher viu dançando comigo.
Você sofreu AVC em 2023. Como passou a se cuidar depois disso?
Nunca me cuidei. Sou uma pessoa mais relapsa do que você pode imaginar. Nunca me cuidei fisicamente, nunca me preparei fisicamente para encarar o palco. Depois do AVC, sou obrigado. Mas continuo não fazendo as coisas fisicamente que deveria.
Sou preguiçoso ao extremo. Não gosto de caminhar, não gosto de me exercitar."
Tomo de 10 a 12 remédios em função do AVC. Remédio para tudo, até anticoagulante. Então, tomo muitos remédios religiosamente, com isso sou muito chato. Mas não fiquei: 'não come isso, não come aquilo'. Imagina, moro na Bahia, meu amor. Vou deixar de comer um bom acarajé, uma boa moqueca, pimenta e tomar uma boa cerveja gelada? É impossível. A vida para mim tem mais importância do que a minha vida.
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Serviço
“Me Chama Que Eu Vou”
Dia: Sexta-feira, 8 de maio
Horário: 21h30
Abertura dos portões: 19h30
Local: Qualistage
Endereço: Avenida Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: A partir de R$ 70,00
Venda: site da Qualistage e bilheteria oficial: Shopping Via Parque - Av. Ayrton Senna, 3000 - Barra da Tijuca - RJ
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