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Boneca Susi é tema de teatro musical, com roteiro de Mara Carvalho

Divulgação

Peça da atriz Mara Carvalho dialoga com questões geracionais - Divulgação
Peça da atriz Mara Carvalho dialoga com questões geracionais
Por Alessandra Taraborelli

03/03/2026 | 08h00

São Paulo, 03/03/2026 - Um ícone que marcou a infância brasileira, a boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966 e responsável por encantar gerações, retorna agora como protagonista de “Susi, o Musical”, idealizado e escrito por Mara Carvalho, com músicas de Thiago Gimenes e concepção e direção de Ulysses Cruz. 

A boneca está sendo interpretada pela cantora e atriz Priscilla, artista que iniciou sua trajetória ainda na infância, consolidou uma carreira sólida na música pop brasileira e vem ampliando sua atuação nos palcos e no audiovisual, destacando-se pela versatilidade vocal e cênica. A escolha da intérprete reforça o diálogo entre gerações proposto pelo musical e sublinha a força simbólica da personagem como representação de identidade, transformação e resistência cultural. 

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O musical acompanha a trajetória de Victor, um menino de imaginação fértil, absorvido por um cotidiano mediado por telas que limitam sua percepção do mundo. Em um mergulho onírico que transita entre sonho e pesadelo, ele embarca em uma jornada fantástica na qual se confronta com seus medos e descobre novas perspectivas ao lado de Susi. 

Nesse universo simbólico, surge Vênus, personagem que encarna padrões importados, discursos de perfeição e as pressões contemporâneas do consumo e da imagem, atuando como força de oposição e provocação ao longo do percurso do protagonista. Entre aliados e antagonistas, Victor atravessa um verdadeiro rito de passagem, aprendendo a lidar com as transformações e contradições da infância rumo à adolescência.

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Temas universais no palco

Entre músicas, humor e emoção, o espetáculo aborda temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento. Ao longo dessa jornada, Victor descobre sua vocação e encontra caminhos de reconexão com a própria história, enquanto Susi luta para reafirmar sua relevância diante das novas gerações. Em cena, a personagem se multiplica em diferentes versões — que representam diversas profissões, etnias e possibilidades — refletindo a pluralidade da mulher brasileira e evidenciando sua resistência cultural frente ao brilho importado de padrões estrangeiros.

A ideia de transformar a boneca Susi em um musical surgiu em 2023, a partir de uma conversa entre  a atriz Mara Carvalho, que participou de novelas da Globo (e foi esposa de Antônio Fagundes), e Ulysses Cruz sobre o impacto cultural recente de produções que revisitam ícones do imaginário coletivo. A provocação inicial deu origem a um projeto que vem sendo desenvolvido desde então, com o objetivo de resgatar memórias afetivas e, ao mesmo tempo, propor uma leitura crítica e contemporânea sobre identidade, pertencimento e consumo cultural.

Para Cruz, o impulso criativo da montagem nasce do desejo de explorar a ousadia artística do teatro musical como linguagem capaz de ir além do entretenimento. Inspirado tanto pelo impacto cultural da boneca quanto por suas próprias memórias de infância ligadas aos brinquedos da Estrela, o diretor construiu uma narrativa que combina humor, fantasia e reflexão, utilizando o teatro musical como território fértil para discutir temas pouco usuais dentro do gênero, equilibrando diversão e pensamento crítico.

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Mara Carvalho  também vê em Susi a oportunidade de dialogar com questões contemporâneas como autoconhecimento, amor-próprio e padrões de consumo.

O enredo combina humor, emoção e crítica social, resgatando um ícone da infância brasileira que, ao longo do tempo, foi substituído por referências estrangeiras. O musical propõe, assim, uma reflexão sobre identidade cultural, memória coletiva e a forma como o País lida com suas próprias criações.

A trilha sonora é assinada pelo diretor musical Thiago Gimenes. A instrumentação e a orquestração evidenciam a identidade de cada personagem e acompanham o ritmo da narrativa, transitando entre eletrônico e acústico, rock, pop, MPB, rap, trap e referências sonoras dos anos 1970. A música funciona como extensão do texto, revelando subtextos, impulsionando a ação e alternando entre momentos delicados e grandiosos para contar a trajetória atemporal de Susi e Victor.

Serviço:

"Susi, o Musical"

Local: Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP

Data: até 21de abril

Sessões: quintas e sextas 20h, sábados e domingos 16h e 20h

Vendas: Sympla ou bilheteria local 

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