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Trabalhar no Médicos sem Fronteiras não é só para médicos; veja requisitos

Médico Sem Fronteiras (MSF)

MSF atua em 75 países; na foto, profissionais de colete branco descarregam suprimentos para vítimas do terremoto na Venezuela. - Médico Sem Fronteiras (MSF)
MSF atua em 75 países; na foto, profissionais de colete branco descarregam suprimentos para vítimas do terremoto na Venezuela.
Por Claudio Marques

23/07/2026 | 08h00

São Paulo – O forte terremoto na Venezuela, que causou grande destruição em áreas do país e a  morte de mais de 5 mil pessoas, chamou a atenção para a organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

A entidade atua no fornecimento de assistência de saúde a populações fragilizadas por desastres socioambientais, pobreza extrema, guerras, epidemias e deslocamentos forçados em mais de 75 países.

A visibilidade obtida pelo seu trabalho leva muitos profissionais da saúde a se perguntar: o que fazer para se tornar parte da instituição? Mas o que muita gente não sabe, é que a entidade também contrata profissionais de vários outros setores.

Médica nefrologista e com atuação em clínica médica, Denise Viuniski da Nova Cruz integra equipes do MSF há cinco anos, tendo participado de projetos em Líbano, Moçambique, Congo e Quênia. Ela desmistifica a percepção de que a atuação nos projetos ocorre por meio de trabalho voluntário. 

“Não há trabalho voluntário no  Médicos Sem Fronteiras, somos todos contratados e remunerados. É uma remuneração justa, adequada para que a gente possa abrir mão da nossa zona de conforto, do nosso local de trabalho e possa dedicar esse tempo para os cuidados de saúde dessas populações tão necessitadas”, afirma.

De acordo com a médica, trabalhar na própria atividade profissional com pessoas que mais precisam de ajuda no mundo inteiro, é uma oportunidade de carreira.

Para se candidatar a uma vaga de Médicos Sem Fronteiras é preciso que você tenha uma formação sólida e experiência na área a qual você pretende trabalhar. No caso de ser médica ou médico é preciso ter uma experiência profissional de pelo menos dois anos.”
Denise Viuniski parada em frente de um avião da MSF com a porta aberta
Denise Viuniski da Nova Cruz já participou de quatro missões do Médicos sem Fronteiras - Arquivo Pessoal

Mas não só. Inglês fluente, proficiente, é uma habilidade importante possuir, porque é nessa língua que as equipes – compostas por pessoas de várias nacionalidades – se comunicam. “Outros idiomas são um diferencial, porque Médicos Sem Fronteiras atua em mais de 70 países e, portanto, outras línguas são um diferencial para trabalhar nas organizações humanitárias”, diz Nova Cruz. 

Para democratizar o acesso a essas posições, o MSF criou um programa de aperfeiçoamento em língua inglesa focado em diversidade e inclusão. A iniciativa é voltada a minorias raciais (pessoas pretas, pardas ou indígenas) e/ou regionais (pessoas nortistas ou nordestinas) no Brasil, que já possuam o perfil técnico exigido pela ONG.

O objetivo é capacitar os candidatos até o nível B2 de inglês. Após a conclusão, os participantes devem ter disponibilidade para projetos de até seis meses e firmar um compromisso de um ano com a organização.

Entidade também contrata para outras atividades

A médica salienta que, por trás de cada profissional de saúde na linha de frente (como médicos, enfermeiros e psicólogos), há uma imensa cadeia de dezenas de outros profissionais essenciais trabalhando para que a atuação do Médicos Sem Fronteiras seja possível.

Essa rede inclui especialistas em:

  • Saneamento
  • Eletricidade
  • Engenharia
  • Logística
  • Suprimentos
  • Recursos Humanos
  • Advocacy (a área que faz a interface enrtre a população e as autoridades de saúde)
  • Comunicação 
  • Direito
  • Relações Internacionais
  • Administração
  • Finanças

Vale ressaltar que nem sempre há vagas para todas essas atividades, sendo necessário consultar no site do MSF a disponibilidade.

Ainda assim, lembra Nova Cruz, existe ampla possibilidade de atuação para diversos profissionais que sejam motivados e compartilhem os princípios da medicina humanitária: imparcialidade, equidade, diversidade e liberdade de ação, livres de quaisquer preconceitos de religião, etnia, idade ou gênero.

Financiada majoritariamente por doações de pessoas físicas e jurídicas, a ONG mantém atuação guiada por princípios de independência, imparcialidade, neutralidade, equidade e diversidade, sem restrições de religião, etnia ou gênero.

MSF também atua no Brasil

No território nacional, as oportunidades se dividem entre o escritório institucional no Rio de Janeiro, equipes de Diálogo Direto (que atuam na captação de doações nas ruas e pontos pré-determinados do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) e projetos de ajuda médico-humanitária no Norte do País. O escritório carioca concentra contratações para Comunicação, Captação de Recursos, Finanças e Recursos Humanos.

No campo médico-humanitário brasileiro, equipes atuam em Roraima e no Pará. Em Roraima, o MSF combate a malária na terra indígena Yanomami, na região de Auaris, e apoia a Casa de Saúde Indígena, em Boa Vista. No Pará, o trabalho é focado em ampliar o acesso à saúde de populações quilombolas e ribeirinhas na Ilha do Marajó, em Portel.

Para atuar no Diálogo Direto há exigência de ensino médio completo, idade acima de 18 anos e características como empatia, resiliência, capacidade de comunicação e propósito. O setor oferece trilha de carreira com possibilidades de ascensão a Líder de Equipe e Líder Regional, além de permitir transições para outras áreas da organização.

O que é preciso fazer para se candidatar?

Para começar, quem deseja atuar em MSF deve visitar o site da instituição para conhecê-la melhor e as atividades desenvolvidas. Depois, é necessário conferir os requisitos de seleção e, havendo compatibilidade, seguir os passos indicados na página para submeter a inscrição.

Vale ressaltar que, para as oportunidades em campo, o currículo deve ser enviado obrigatoriamente em inglês ou francês, pois o documento passará por avaliação de departamentos localizados em escritórios da entidade no exterior.

No caso de trabalho no exterior, o candidato não concorre a um posto em um país específico; na verdade, ele se candidata para fazer parte do banco internacional de profissionais, sendo alocado conforme o seu perfil e as demandas de cada projeto.

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