Clonagem de cartão lidera ranking de fraudes no Brasil; veja lista completa
Envato
São Paulo - O 20º Anuário de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, confirma um cenário de crescimento acelerado dos golpes financeiros no Brasil e na América Latina. Os dados mostram que os criminosos têm abandonado ataques diretos aos sistemas bancários e passaram a manipular as próprias vítimas para obter dinheiro e informações.
Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), feita a pedido do Observatório Febraban, os golpes mais frequentes contra brasileiros são:
- Clonagem ou troca de cartão: 45%
- Golpe do WhatsApp: 34%
- Falsa central bancária: 31%
- Golpe do Pix: 24%
- Uso indevido de CPF por SMS: 13%
- Leilão ou loja falsa: 10%
Leia também
De acordo com o levantamento, todos esses golpes têm um ponto em comum: usam engenharia social. Essa técnica de manipulação psicológica induz a vítima a entregar dados, instalar aplicativos, repassar cartões, informar códigos de autenticação ou fazer transferências por conta própria.
Nesse caso, o golpista não precisa quebrar sistemas de segurança bancária. Em vez disso, explora emoções como medo, urgência, confiança ou expectativa de ganho fácil. Assim, a própria vítima realiza uma operação que parece legítima, mas beneficia o criminoso.
Fraudes crescem 155% na América Latina
Relatório da BioCatch, divulgado em abril de 2026, aponta que as tentativas de fraude por engenharia social cresceram 155% na região em um ano. O levantamento utilizou dados de 36 instituições financeiras latino-americanas, que juntas atendem mais de 300 milhões de clientes. Além disso, outros indicadores também subiram:
- Uso de ferramentas de acesso remoto: aumento de mais de cinco vezes
- Ataques com malware: alta de 225%
- Fraudes com aparelhos roubados: crescimento de 344%
- Contas-laranja identificadas: aumento de 42%
Para a BioCatch, esse padrão mostra como os criminosos estão se adaptando: como os bancos reforçaram a autenticação, ficou mais difícil obter senhas e concluir o golpe só com credenciais roubadas.
Por isso, a fraude migrou para ataques “em tempo real”, onde o golpista manipula a vítima para ela mesma aprovar a transação ou usa controle remoto para operar o celular durante o acesso ao banco.
Além disso, o relatório também destaca uma falha estrutural na prevenção bancária. Segundo o documento, os bancos focam principalmente em monitorar quem está enviando o dinheiro, mas ainda avaliam pouco o perfil e o comportamento de quem está recebendo.
Essa brecha permite que valores roubados sejam rapidamente distribuídos por contas-laranja, o que dificulta o rastreamento e reduz as chances de recuperação do dinheiro pelas vítimas.
Golpes de personificação sobem 140% no Brasil
Em 2025, o crescimento geral de golpes foi moderado, mas as fraudes por personificação subiram cerca de 140%. Nesses casos, o criminoso finge ser funcionário de banco, empresa, órgão público ou até conhecido da vítima. O golpista utiliza dados pessoais reais para parecer confiável e convencer a pessoa a transferir dinheiro ou fornecer acesso a contas.
Outro ponto destacado pelo relatório é a ligação entre roubos físicos e fraudes digitais. Os casos envolvendo celulares roubados cresceram cerca de 340% no Brasil, com concentração maior no último trimestre de 2025.
O levantamento aponta que o aparelho roubado não é mais valioso apenas para revenda. Hoje, ele virou uma porta de entrada para aplicativos bancários e contas digitais, além de dar acesso a dados pessoais que ajudam o criminoso a recuperar senhas e assumir contas.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.