Veja 15 clássicos da música brasileira que hoje não seriam gravados
Ilustração com IA/Gemini
São Paulo - O cancioneiro popular brasileiro faz um retrato da história do País em diferentes épocas. Músicas que antes foram grandes sucessos de rádio, trilhas de Carnaval ou até cantigas infantis hoje são vistas sob uma ótica crítica.
Com o avanço dos debates sobre machismo, racismo, homofobia e violência doméstica, muitas dessas composições dificilmente seriam gravadas ou aceitas pelo público atualmente.
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Veja 15 músicas que entrariam hoje em uma lista de composições canceláveis:
1. "O Teu Cabelo Não Nega"
De autoria de Lamartine Babo e Irmãos Valença, essa marchinha de 1931, um dos maiores clássicos do Carnaval, é considerada racista: "O teu cabelo não nega, mulata/Porque és mulata na cor/Mas como a cor não pega, mulata/Mulata, eu quero o teu amor".
2. "Fricote"
De autoria de Luiz Caldas e Paulinho Camafeu, e gravada por Luiz Caldas, essa canção de 1985, marco do Axé Music, é também associada ao racismo: "Nega do cabelo duro/Que não gosta de pentear/Quando passa na calçada/O negão começa a gritar".
3. "Se Te Agarro Com Outro, Te Mato"
Gravada por Sidney Magal em 1977, esse sucesso é visto hoje como uma apologia ao feminicídio. "Se te agarro com outro te mato/Te mando algumas flores e depois escapo".
4. "Minha Nega na Janela"
De autoria de Germano Mathias e Doca, essa faixa de 1957 traz temas sensíveis como racismo e violência doméstica. "Êta nega tu é feia/Que parece macaquinha/Olhei pra ela e disse/Vai já pra cozinha/Dei um murro nela/E joguei ela dentro da pia".
5. "Amor de Malandro"
Gravado por Francisco Alves em 1929, esse samba é criticado por romantizar a violência contra a mulher. "O amor é o do malandro, ó, meu bem/Melhor do que ele ninguém/Se ele te bate é porque gosta de ti/Pois bater-se em quem não se gosta/Eu nunca vi".
6. "Mulata Assanhada"
De autoria de Ataulfo Alves, a canção é considerada racista. "Ai, meu Deus, que bom seria/Se voltasse a escravidão /Eu comprava essa mulata/E prendia no meu coração".
7. "Faixa Amarela"
De autoria de Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luiz Carlos e Beto Gago, e gravada por Zeca Pagodinho em 1997, esse pagode traz na letra ameaças de agressão física contra a mulher: "Mas se ela vacilar/Vou dar um castigo nela/Vou lhe dar uma banda de frente/Quebrar cinco dentes e quatro costelas".
8. "Lôraburra"
De autoria de Gabriel, o Pensador e gravado por ele em 1993, esse rap é criticado por seu teor misógino e machista: "O lugar dessas cadelas era mesmo no puteiro
Só se preocupam em chamar a atenção/Não pelas ideias mas pelo burrão/Não pensam em nada/Só querem badalar".
9. "Robocop Gay"
Gravada com sucesso pelos Mamonas Assassinas em 1995, é vista por uma corrente de críticos como uma música homofóbica. "Abra sua mente/Gay também é gente/Baiano fala oxente/E come vatapá".
10. "Pequena Raimunda (Ramona)"
Versão da música dos Ramones, essa canção gravada pela banda Raimundos em 1997 é considerada misógina: "Quando eu a vejo, eu vou correndo pro bar/Encher a cara e conseguir encarar/Ela de quatro, fica maravilhosa/Essa bundinha, ela vai ter que virar".
11. "Sambas de Roda e Partido-Alto"
Gravada por Martinho da Vila em 1972, esse samba é criticado por exaltar a violência doméstica: "Se essa mulher fosse minha/Eu tirava do samba já, já/Dava uma surra nela/Que ela gritava, chega!".
12. "Maria Chiquinha"
Famosa nas vozes de Sandy & Junior, essa faixa é considerada problemática por sugerir feminicídio: "Então eu vou te cortar a cabeça, Maria Chiquinha/Então eu vou te cortar a cabeça/Que c'ocê vai fazer com o resto, Genaro, meu bem?/Que c'ocê vai fazer com o resto?/O resto? Pode deixar que eu aproveito".
13. "Aula de Piano"
De autoria de Vinicius de Moraes e Toquinho, a canção é criticada por normalizar e romantizar a relação entre a aluna (uma criança) e o professor de piano (um adulto): "A quatro mãos em concertos de amor/Mas na verdade tinham saudade/De quando ele era seu professor/E quando ela, menina e bela/Abria o berrador/Ai, ai, ai lá sol fá mi ré, tira a mão daí, dodó ré do si, assim não dá pé, mimi fá mi ré, e agora o sol fá para a lição acabar".
14. "Sambalelê"
De domínio público e gravada por diversos artistas infantis ao longo das décadas, essa cantiga retrata uma violência doméstica: "Sambalelê tá doente/Tá com a cabeça quebrada/Sambalelê precisava/É de uma boa lapada".
15. "Cabocla Tereza"
De autoria de Raul Torres e João Pacífico, esse clássico da música sertaneja de 1940 que ficou famosa na versão da dupla Tonico & Tinoco romantiza um feminicídio: "Agora já me vinguei/É esse o fim de um amor/Esta cabocla eu matei/É a minha história, dotor".
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