José Armando Vannucci
Colunista VIVA
17/07/2026 | 09h09
Sobre a
coluna
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Jornalista e escritor especializado em televisão. Passou por Jovem Pan, TV Gazeta, TV Globo e Band, além de integrar o júri do Troféu Imprensa, no SBT. Comanda o Canal do Vannucci no YouTube
Copa do Mundo só reforça a troca da TV tradicional pela internet
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São Paulo - A Copa do Mundo 2026 mudou definitivamente o mercado do audiovisual brasileiro, com importantes impactos na televisão e no streaming. O que acompanhamos desde que a bola começou a rolar nos campos dos Estados
Unidos, Canadá e México foi uma transformação profunda no comportamento do telespectador. E, principalmente, o valor de um grande evento para os veículos de comunicação.
Até mesmo quem não gosta de futebol passa algumas horas assistindo às principais partidas do mundial.
Assim como já acontece quando consumimos séries e filmes, temos a liberdade de buscar o conteúdo nos mais diferentes serviços de streaming.
Globo versus Cazé TV
Diferente de outras copas, desta vez a Globo não teve o protagonismo do evento. Durante a pandemia, com um cenário de incertezas econômicas, a emissora abriu mão dos direitos de transmissão na internet e comprou somente metade dos jogos da Copa do Mundo 2026. Com isso, abriu espaço para a iniciante Cazé TV, que garantiu a totalidade dos confrontos.
A exclusividade em mais da metade dos jogos da Copa de 2026 exibidos pela Cazé TV esvaziou a audiência da TV aberta e mostrou que o público já não é mais refém de emissoras.
A Cazé TV fez o dever de casa. Investiu na aquisição dos direitos, consolidou uma linguagem própria para as transmissões esportivas, ampliou sua base de inscritos e mostrou que o ambiente digital tem força para disputar espaço de igual para igual com os grandes grupos de comunicação. E, naturalmente, o público reconheceu uma nova forma de assistir aos grandes eventos esportivos.
O poder do público mudou as novelas
Esse fenômeno de crescimento de audiência da Cazé TV durante a Copa do Mundo não é um movimento isolado. Desde 2020, o brasileiro dá um recado muito claro aos diretores e criadores da TV aberta: queremos qualidade, criatividade, inovação e, principalmente, respeito às nossas escolhas. Já foi a época em que uma emissora de TV determinava o que assistir.
E foi justamente esse poder do público que colocou a dramaturgia brasileira contra a parede. As novelas ainda representam as maiores receitas e audiências da Globo, Record e SBT, mas já não impactam a mesma quantidade de pessoas.
A audiência vem caindo a cada ano. Em paralelo, aumentam os acessos e assinaturas no Youtube e serviços de streamings.
E há outro ponto importante: as novelas brasileiras não reinam mais absolutas entre as pessoas que gostam desse tipo de entretenimento. As produções turcas ganharam popularidade aqui no Brasil através da Band.
No dia 9 de março de 2015, a emissora colocou no ar, em horário nobre, "Mil e Uma Noites", que garantiu uma audiência que há muito tempo a emissora não registrava em sua faixa das 20h20. Com o sucesso, vieram na sequência “Fatmagül – A Força do Amor”, “Sila – Prisioneira do Amor”, “Ezel”, “Amor Proibido” e “Minha Vida”. E, mais recentemente, “Cruel Istambul” e “Guerra das Rosas”.
As produções turcas conquistaram o brasileiro com histórias fortes, elementos clássicos do folhetim e histórias com menos traições conjugais. Tudo isso atendeu a um público já cansado das tramas mais pesadas e realista da Globo.
Fenômeno no streaming
Os serviços de streaming mostram claramente essa mudança no público brasileiro. As séries estão entre os produtos mais acessados pelos assinantes porque atendem exatamente o que cada um deseja assistir. Você não é obrigado a acompanhar uma comédia porque alguém determinou que noite de terça-feira é para o humor. Você pode muito bem escolher um drama, uma aventura, uma fantasia e até um dorama.
Sim, os doramas também conquistaram o brasileiro com histórias mais românticas e leves. E, principalmente, com quantidade menor de capítulos. É o tipo de programa que a gente assiste para passar o tempo, se emocionar e sonhar com um final feliz.
TV ainda domina a audiência no Brasil
Apesar de toda essa mudança de comportamento do público, a televisão continua a dominar a audiência no Brasil. Além disso, prende o público por muito mais tempo diante da tela com seus conteúdos. Entretanto, o digital continua avançando mês após mês e, com isso, amplia sua presença no mercado audiovisual.
Em junho, de acordo com o Cross Plataform View, novo estudo do Ibope, o brasileiro ficou 4h57 à frente da TV por dia. E usou 2h41 diariamente para consumir conteúdo nas plataformas digitais. Com isso, nessa medição feita a partir de roteadores domésticos, a TV linear ficou com 63% do público e o streaming com 37%, no mercado nacional.
A Globo fechou o mês de junho na liderança da audiência no Cross Plataform View. A emissora conquistou 25,8% do público do mercado nacional. Na sequência, aparece o YouTube com 17,2% de share. Em comparação com abril, a plataforma avançou 1 ponto percentual. O terceiro lugar do ranking ocupado pela Record, com 7,1% do mercado nacional, seguido pelo SBT com 5,5% e TV Paga com 5,1% de share.
As cinco posições seguintes do ranking da audiência apurada no Cross Plataform View são ocupadas por serviços de streaming e redes sociais. A Netflix fechou o mês de junho com 3,86% de share e o TikTok com 3,84%. Logo depois, vem o Globoplay com 1,1% de share, seguido pelo Prime Video com 0,7%. A Disney+ com 0,4% fecha o Top 10 do Cross Plataform View do Ibope em junho.
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