Líder venezuelana disse ter presenteado Trump com medalha do Nobel da Paz
Foto: Reprodução
Por Joyce Canele e Pedro Marques
redacao@viva.com.brWashington, 16/01/2026 - A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, disse ter entregado a medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca nesta quinta-feira, 15. A venezuelana foi laureada no ano passado, para frustração de Trump, que se considerava merecedor do Nobel da Paz.
"Presenteei o presidente dos Estados Unidos com a medalha, o Prêmio Nobel da Paz", disse María Corina, ao deixar a Casa Branca. O gesto foi um "reconhecimento" pelo "compromisso único" de Trump com a "liberdade" dos venezuelanos, segundo a opositora.
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"É uma mulher maravilhosa que passou por muita coisa. María me entregou seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que fiz", disse Trump, em publicação na rede Truth Social. “Um gesto tão maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, María!”
A entrega da medalha foi meramente simbólica, já que o Instituto Nobel esclareceu que o prêmio é intransferível. Antes de receber María Corina na Casa Branca, Trump afirmou que a opositora não tem condições para assumir o comando do país após a captura do ditador Nicolás Maduro, no dia 3.
Nobel da Paz
Maria Corina Machado foi anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 em outubro do ano passado, em Oslo.
A dirigente venezuelana foi escolhida por seu papel central na defesa dos direitos democráticos da população e por sua atuação para promover uma transição pacífica no país, marcado por forte repressão política e crise humanitária.
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O Comitê Norueguês do Nobel afirmou que a decisão reconhece o trabalho persistente de Machado ao longo de mais de duas décadas, período em que se tornou figura-chave da oposição venezuelana. A indicação ressalta que sua atuação tem sido feita em meio a crescente autoritarismo, perseguições e riscos diretos à sua integridade física.
Segundo o comitê, Machado ''mantém acesa a chama da democracia em meio à escuridão", num mundo em que regimes autoritários avançam e eleições livres se tornam menos frequentes.
Mas afinal, quem é Maria Corina Machado?
Nascida em 1967, formada em engenharia e finanças, Maria Corina Machado iniciou a trajetória pública em 1992, quando criou a Fundação Atenea, dedicada ao apoio a crianças de rua em Caracas.
Dez anos depois, tornou-se uma das fundadoras da organização Súmate, responsável por promover eleições livres, oferecer treinamento e acompanhar processos eleitorais no país.
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Em 2010, conquistou uma cadeira na Assembleia Nacional com votação recorde. O mandato, porém, foi interrompido em 2014, quando o regime a destituiu.
Ela seguiria liderando movimentos oposicionistas, como o partido Vento Venezuela e a aliança Soy Venezuela, criada em 2017 para unificar diferentes correntes pró-democracia.
Em 2023, Machado anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2024, mas foi impedida de concorrer pelo governo. A oposição reorganizou-se e ela declarou apoio ao candidato Edmundo González Urrutia.
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A mobilização levou centenas de milhares de voluntários às urnas como observadores. Esses grupos registraram a contagem de votos antes que urnas e atas pudessem ser destruídas.
A oposição divulgou a documentação coletada, apontando vitória expressiva de González Urrutia. O governo, contudo, declarou-se vencedor e manteve-se no poder.
Razões da escolha e simbolismo internacional
Para o Comitê Norueguês do Nobel, Maria Corina Machado cumpre integralmente os critérios definidos por Alfred Nobel para laureados da Paz. O órgão destaca que ela:
- Unificou uma oposição antes fragmentada;
- Sustentou posição firme contra a militarização da sociedade; e
- Defendeu a transição pacífica como único caminho possível.
Ao homenageá-la, o prêmio reforça a ideia de que a democracia é fundamento da paz duradoura. O comitê afirmou que Machado representa a esperança de um futuro em que direitos básicos sejam respeitados e a população possa se expressar sem medo.
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Ela recebe o Prêmio Nobel da Paz de 2025 integralmente, com divisão de 1/1, reforçando seu protagonismo individual numa das lutas políticas mais delicadas da atualidade latino-americana.
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