Paolla Oliveira estrela 'Herança de Narcisa', seu primeiro filme de terror
Divulgação/Olhar Filmes
São Paulo – Conhecida por suas personagens intensas na TV, com interpretações marcadas pelo gestual e pelas expressões faciais dramáticas, Paolla Oliveira se desafia no cinema, em “Herança de Narcisa”, seu primeiro filme de terror que estreia na quinta-feira (9).
Na nova produção, a atriz mostra uma atuação mais contida, em que as dores de sua personagem Ana não são gritadas aos quatro ventos. Estão concentradas no olhar melancólico, na voz baixa, nos silêncios, no corpo rígido, nos gestos tímidos.
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"É sempre tão gostoso começar um personagem e não saber exatamente para onde vai. Me falaram sobre o tom da atuação, que está mais branda, tranquila, mais comedida. Acho que o filme pedia isso, porque a gente já tem muitos artifícios”, explica Paolla.
Relação de mãe e filha
Com roteiro e direção de Clarissa Appelt e Daniel Dias, “Herança de Narcisa” usa as ferramentas do terror psicológico – ou do terror de terapia, como os dois definem – para mexer em um tema universal: a relação entre mãe e filha. Sob a ótica da psicanálise freudiana, esse vínculo é marcado pela ambivalência: toda a mãe é vista pela filha como modelo e rival, ao mesmo tempo. Para Paolla, o filme deve mexer, principalmente, com as mulheres:
Elas vão entender, as filhas, as mães, mas as outras pessoas também, porque temos laços familiares, e esses laços não são simples. Eles vêm de amor, mas, às vezes, a gente herda também as frustrações, o que não se conseguiu dizer, que é exatamente o que o filme traz.”
É justamente sob o peso dessa teoria que conhecemos Ana. As primeiras cenas do filme mostram sua volta à casa onde cresceu, no Rio de Janeiro, depois da morte da mãe, a ex-vedete Narcisa.
Ana chega sozinha, sem mencionar uma palavra. Mas, no evidente fardo que é para ela retornar, percebe-se que aquele lar foi cenário de uma relação que ficou mal resolvida. Com a partida de sua mãe, os nós do passado parecem condenados a nunca mais seriam desatados.
Sem dublê
É interessante observar que, além de Ana e Narcisa (ambas interpretadas por Paolla), há uma terceira protagonista: a própria casa. Lembra-se do filme “O Iluminado”, de Stanley Kubrick? Guardadas as devidas proporções, o casarão de “Herança de Narcisa” também tem vida – e influência direta em quem entra nela, principalmente em Ana.
Ana se hospeda no sobrado para encaixotar e separar objetos enquanto lida com o luto. O quartinho em que a mãe guardava seus figurinos, e cuja entrada era proibida para Ana e seu irmão, permanece fechado. E Ana prefere manter as antigas regras em voga.
Só que ela começa a testemunhar estranhos fenômenos dentro da casa, que a obrigam a enfrentar essas feridas do passado. Há, inclusive, cenas de possessão.
Fui fazendo minhas cenas sem dublê, eles (os diretores) quase morreram (risos), porque isso também dá uma sensação no corpo. Sou muito física”, diz Paolla.
Segundo a atriz, os momentos em que interpretou Narcisa, uma mulher expansiva, solar, o aposto da filha, também foram desafiadores. “Eu já vinha fazendo a Ana, e a Ana tinha um tom um pouco diferente de Narcisa. Então, para fazer as partes de Narcisa, o tom era um pouquinho mais alto.”
Sem dar spoiler, o filme tem a participação afetiva da atriz Rosamaria Murtinho, de 93 anos. “Era uma cena absolutamente emocionante, e estar com ela, com aquela mulher forte, firme na minha frente, impecável durante toda essa nossa diária, foi especial.”
Por que um filme de terror?
A ideia de “Herança de Narcisa” nasceu ainda na pandemia, quando Clarissa Appelt, diretora de filmes como “A Casa de Cecília”, voltou de Los Angeles e precisou passar uma temporada na casa dos pais. Em seguida, chamou Daniel, um dos roteiristas de "Nosso Sonho", sobre a história da dupla Claudinho & Buchecha, para se juntar ao projeto.
Gosto do terror, mas por razões diferentes pelas quais as pessoas gostam. Gosto da capacidade do terror de mexer com nosso inconsciente, com nosso emocional, com a nossa psicologia”, avalia Clarissa.
Segundo ela, esse é um dos gêneros mais viscerais, no sentido de “dar uma sacudida” nas pessoas. “Quando a gente tem noção disso, tem uma ferramenta muito potente em mãos.”
Veja o trailer:
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