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Sintomas de um coração cansado: como diferenciar do cansaço comum?

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Insuficiência cardíaca afeta aproximadamente 2 milhões de brasileiros - Adobe Stock
Insuficiência cardíaca afeta aproximadamente 2 milhões de brasileiros
Por Emanuele Almeida

05/07/2026 | 14h30

São Paulo - Sentir uma fadiga desproporcional após uma simples caminhada, notar as pernas inchadas no fim do dia ou sentir falta de ar ao deitar são sintomas que muitas pessoas acabam confundindo com o mero estresse do cotidiano. No entanto, esses indícios não devem ser negligenciados, pois podem ser o reflexo claro de um coração que perdeu sua força mecânica. 

Essa condição, clinicamente conhecida como insuficiência cardíaca, afeta aproximadamente dois milhões de brasileiros, com o registro de 240 mil novos diagnósticos a cada ano.

O avanço desses números está diretamente ligado ao envelhecimento da população e ao sucesso nos tratamentos de outras doenças cardíacas, o que faz com que as pessoas vivam mais e, consequentemente, demandem cuidados preventivos muito mais rigorosos.

Para compreender o impacto e a natureza do problema, o cardiologista da Kora Saúde, André Brandão explica o que realmente acontece com o órgão e alerta para os perigos do diagnóstico tardio:

A insuficiência cardíaca não significa que o coração parou de funcionar de vez, mas sim que ele está cansado e precisa de ajuda para trabalhar direito."

Segundo Brandão, quando a pessoa não recebe o diagnóstico no início, "ela entra em um efeito bola de neve, onde qualquer esforço bobo sobrecarrega o organismo e gera uma crise aguda que a leva direto para o hospital".

Ele adiciona que, o segredo para mudar essa estatística de reinternações é a informação. O paciente precisa aprender a reconhecer os sinais de alerta do próprio corpo e entender que o tratamento evoluiu drasticamente nos últimos anos. "Hoje, com os cuidados certos, dá para viver muito tempo e com excelente qualidade de vida", pontua Brandão. 

Como evitar emergências

Um dos maiores desafios no manejo dessa condição é justamente quebrar o ciclo de idas e vindas às emergências. A insuficiência cardíaca é uma das principais causas de reospitalização no País, mantendo uma média preocupante de 233 mil internações anuais apenas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para evitar que a situação evolua para uma crise de falta de ar, o automonitoramento em casa é uma ferramenta indispensável. Brandão detalha de forma prática como o paciente pode identificar os primeiros sinais de que o coração está precisando de ajuda:

“O paciente deve criar o hábito de checar o próprio peso diariamente, logo pela manhã, já que um ganho rápido de mais de um quilo de um dia para o outro pode ser um sinal de alerta para a retenção de líquidos no corpo", detalha.

Outro ponto de atenção elencado pelo especialista é ao ajustar os calçados. Ele destaca que observar se as meias estão deixando marcas profundas no tornozelo também ajuda a identificar o início de um inchaço, indicando que é hora de relatar o sintoma ao médico antes que ele se transforme em uma crise de falta de ar.

Além da observação atenta do próprio corpo, blindar a saúde cardiovascular exige algumas mudanças simples, porém efetivas, na rotina. Brandão destaca que a prevenção passa por adotar:

  • Dieta rica em alimentos frescos;
  • Redução do uso de sal;
  • Evitar produtos ultraprocessados;
  • Abandono definitivo do cigarro.

Ele adiciona que é fundamental também manter o controle rigoroso de problemas pré-existentes, como hipertensão e diabetes, além de investir em atividades físicas leves e supervisionadas — como caminhadas ou hidroginástica — para fortalecer o músculo do coração.

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