Teatro de Contêiner Mungunzá é desmontado após disputa com Prefeitura de SP
Reprodução/Instagram
São Paulo - Em 2016, o Teatro de Contêiner Mungunzá, complexo cultural dedicado a espetáculos de teatro, dança e música, foi construído a partir de contêineres marítimos em um terreno municipal abandonado na Rua dos Gusmões, nº 43, no bairro Santa Ifigênia, região central de São Paulo. O projeto se tornou referência em inovação arquitetônica e urbanística, sendo premiado por isso.
Dez anos depois, a estrutura foi desmontada pela Prefeitura de São Paulo, no último fim de semana, em meio a uma disputa entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes e a Cia. Mungunzá de Teatro. O local deve ser usado para construção de moradia popular.
Segundo integrantes do grupo, a retirada ocorreu sem comunicação prévia. “Estão gastando uma fortuna para destruir o teatro em vez de transferi-lo para outro terreno”, afirma publicação no Instagram oficial do Teatro de Contêiner.
O impasse começou em maio de 2025, quando a companhia foi surpreendida por uma notificação extrajudicial de despejo, que determinava a desocupação do espaço em 15 dias. Em setembro, a Justiça de São Paulo fixou o prazo para 90 dias. Artistas como Marieta Severo se manifestaram contra a desocupação.
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A Cia. Mungunzá informou que chegou a aceitar um terreno oferecido pela prefeitura na Rua Helvétia, nos Campos Elíseos. No entanto, no fim de 2025, as negociações enfrentaram impasses. Um dos principais pontos foi o tempo de cessão do local: o grupo solicitou 30 anos para evitar um novo despejo, mas recebeu como contraproposta apenas dois anos.
Outro entrave envolveu os custos da desmontagem. A mudança foi estimada em cerca de R$ 2 milhões, enquanto a prefeitura ofereceu R$ 100 mil para viabilizar o processo.
Ainda de acordo com a companhia, os contêineres retirados até domingo (22) foram levados para a Avenida do Estado, e não para o novo endereço na Rua Helvétia, onde a sede seria reconstruída.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (23), o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Nacional de Artes (Funarte) afirmaram estar perplexos com a situação e repudiaram “o início das intervenções por parte da Prefeitura de São Paulo para a derrubada definitiva do Teatro de Contêiner”.
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“É estarrecedor que o fato aconteça às vésperas do Dia Mundial do Teatro, celebrado na próxima sexta, 27 de março. Desde a total interdição do Teatro, em janeiro de 2026, o MinC e a Funarte vêm solicitando à Prefeitura de São Paulo que retome as negociações com a Cia Mugunzá para a reinstalação do Teatro de Contêiner em outro terreno municipal, como já havia sido pactuado. Lamentavelmente, a Prefeitura tem se mantido irredutível em apresentar qualquer alternativa para a permanência das atividades do Teatro de Contêiner”, diz o comunicado.
A nota acrescenta ainda que as atividades de criação e apresentações da companhia estão sendo acolhidas no Complexo Cultural Funarte São Paulo e que o governo federal, por meio da Superintendência do Patrimônio da União, busca um terreno de sua propriedade para viabilizar a reconstrução do teatro.
"O Teatro de Contêiner e a Cia Mugunzá são referências nacionais e internacionais, devem ser protegidos, fomentados, e não destruídos. Teatro não se derruba!”, conclui o texto.
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