Tem barzinho de música brasileira em Tóquio; o dono é japonês fã de MPB
Luana Pavani
Por Luana Pavani
12/10/2025 | 10h00 ● Atualizado em 13/10/2025 | 07h55
Tóquio, 12/10/2025 - A bandeira brasileira e o cartaz em estilo de cordel não deixam dúvidas de que Toca de Aparecida é um barzinho de MPB, em plena Tóquio. Pudera, há tantas histórias de brasileiros descendentes de japoneses fazendo a vida do outro lado do mundo. Mas ali o ponto não é de algum dekassegui. Ao descer as escadas e falar "oi, tudo bem?", o que se ouve por detrás do balcão cheio de lembrancinhas do Brasil e personagens típicos, é a resposta com sotaque carregado japonês, do casal Willie Whopper (nome artístico), 56 anos, ao lado da esposa, Kumie Fujimoto, 54. Neste domingo, 12 de outubro, a casa comemora 19 anos.
A paixão por música brasileira começou aos 16 anos, quando Willie, que tocava saxofone, viu na televisão a transmissão de um show de Tom Jobim, em Tóquio. Ficou muito impressionado. Ouviu também Elis Regina e se emocionou.
Dali em diante, mergulhou no repertório brasileiro, consumindo tudo o que estivesse disponível, tanto de canções quanto música instrumental. Alguns anos depois também via TV a cabo, com a Rede Globo, e depois na internet.
"Ouvi no rádio do táxi uma canção e me emocionei, perguntei quem era. Logo fui a uma loja atrás de discos do Roberto Carlos, e eram tantos", relembra.
Voltou com a mala cheia de discos, prática habitual, de quem tem milhares de títulos de música brasileira em casa, fora a estante cheia de CDs e vinis à venda no barzinho.
Ele é um produtor musical e autor de livros sobre música brasileira. Ela cozinha feijoada e frango com quiabo. Os dois se conheceram em um grupo de fãs de MPB, mas já tinham repertório.
A partir de seu site sobre música brasileira, recebeu convite de uma gravadora para traduzir para o japonês encartes de discos de artistas brasileiros. Kumie, formada em língua estrangeira com foco em alemão, trabalhava numa loja de discos, na seção de World Music, onde ficavam os álbuns do Brasil. Deu match.
O Aparecida Brazil Tour mostra como é música de boteco, leva a shows no Sesc, Casa de Francisca, Ó do Borogodó, e promove encontros com músicos profissionais. Danilo Caymmi e Cláudio Nucci já gravaram participações especiais em projetos do produtor japonês, ele conta orgulhoso.
A casa nasceu primeiro com o nome Barzinho Aparecida, em 2006, e mais recentemente, quando trocou de endereço, adotou o novo nome - embora mantenha o original no perfil do Instagram, @barzinho_aparecida.
Ali acontecem rodas de samba e choro com feijoada, pocket shows, aulas de português, oficinas de culinária típica, workshops, exibição de filmes e lançamentos de livros. Quando estiver em Tóquio, dê uma passada lá!
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