INSS suspende novas concessões de consignado do Agibank por fraudes
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
03/12/2025 | 11h53 ● Atualizado | 13h35
São Paulo, 03/12/2025 – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu, nesta quarta-feira, novas concessões de crédito consignado do Agibank por graves irregularidades identificadas pela Controladoria-Geral da União (CGU).
A auditoria da CGU constatou a existência de contratos firmados sem autorização dos segurados e indícios de fraudes em milhares de operações. Agora, o caso segue para apuração da Polícia Federal (PF). Segundo o INSS, a suspensão será mantida até o fim das investigações.
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Entre as falhas apontadas, a CGU encontrou mais de 1,1 mil contratos fechados após a data de óbito dos beneficiários, entre 2023 e 2025. Desse total, 163 envolviam benefícios já interrompidos pelo INSS.
Em outro caso, um segurado de Fortaleza (CE) virou vítima de uma operação ilegal que elevou sua dívida em R$ 17.073,94.
A CGU identificou um pedido de refinanciamento – quando o empréstimo é refeito – não autorizado pelo beneficiário. A operação reuniu sete contratos, três deles inexistentes no sistema do INSS. O “troco” registrado, próximo ao valor da fraude (R$ 17.135,18), nunca chegou à conta da vítima.
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De acordo com o INSS, o Agibank realizou ainda outros refinanciamentos com juros muito abaixo do teto de 1,85% ao mês. Nos testes, foram localizados 5,2 mil contratos com taxas inferiores a 0,4% ao mês e outros 33,4 mil abaixo de 1%.
Em nota, o Agibank afirmou que não foi comunicado antecipadamente pelo INSS sobre a suspensão, sem a "oportunidade de apresentar defesa e esclarecimentos".
A instituição acrescentou que desconhece operações irregulares, mas está disposta a ressarcir integralmente os beneficiários prejudicados, caso seja comprovada a fraude, "sem qualquer ônus para clientes ou para o INSS".
Suspensões aumentam
O Agibank se soma a outras 13 instituições financeiras que tiveram a concessão de novos consignados suspensa. São elas:
- Banco do Nordeste do Brasil S/A – BNB;
- Banco Industrial do Brasil S/A;
- Banco Inter S.A.;
- Banco Master S.A.;
- Banco Seguro S.A.;
- Casa do Crédito S.A. – Sociedade de Crédito ao Microempreendedor;
- CDC Sociedade de Crédito Direto S.A.;
- Cobuccio Sociedade de Crédito Direto S.A.;
- Facta Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento;
- HBI Sociedade de Crédito Direto S.A.;
- Paraná Banco S.A.;
- Valor Sociedade de Crédito Direto S.A. (Valor Financiamentos);
- Via Certa Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento.
Desde os bloqueios, iniciados em agosto, o Banco Inter, a Facta Financeira e a Cobuccio Sociedade de Crédito Direto firmaram acordos com o INSS para devolver os valores cobrados indevidamente.
O Banco BMG, que não teve as operações suspensas, comprometeu-se a restituir R$ 7 milhões a 100 mil beneficiários, ajustar procedimentos e evitar punições futuras.
Como medida para combater fraudes, em maio o INSS tornou obrigatória a biometria facial para desbloquear operações de crédito consignado.
Leia a nota na íntegra:
O Agibank tomou conhecimento da suspensão anunciada pelo INSS sem ter sido previamente comunicado ou mesmo com a oportunidade de apresentar defesa e esclarecimentos.
A instituição reafirma que todos os contratos seguem protocolos rigorosos de segurança, como biometria facial, validação documental e cruzamento de dados em bases oficiais.
O banco desconhece contratações irregulares, mas reforça que em caso de constatação das suas ocorrências, serão adotadas providências para saneamento dos tramites internos, além de absorver integralmente o seu impacto, sem qualquer ônus para clientes ou para o INSS, com ressarcimento integral dos valores envolvidos.
O Agibank já solicitou acesso aos autos ao INSS, a fim de que possa realizar uma análise detalhada dos apontamentos apresentados pela autarquia e pela CGU.
O Agibank informa que todas as demais operações e atendimento seguem funcionando normalmente, incluindo pagamento de benefícios e outros serviços.
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