Theatro Municipal de SP: saiba como é a visita guiada gratuita
Divulgação/Rafael Salvador
São Paulo - Quem passa pelo centro de São Paulo à noite e avista, ao longe, o Theatro Municipal todo iluminado tem a certeza de que está diante da representação perfeita do cartão postal da cidade.
Não raro, sua programação noturna, seja com óperas, balés ou concertos, causa uma movimentação intensa em seu edifício histórico, inaugurado em 1911 e tombado pelo Condephaat em 1981. Essa combinação de fatores dá ao local um certo ar de imponência.
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Mas o Municipal é acessível fora dos dias de espetáculos — e não é restrito apenas às plateias que vão assisti-los. Ele mantém as portas abertas para o público, de todas as faixas etárias, também durante o dia, com visitas educativas guiadas e gratuitas. É uma forma de conhecer o teatro nos detalhes e se aprofundar na sua história.
Durante 1h15, o visitante faz um giro pelas instalações, acompanhado por uma educadora ou um educador do Núcleo de Educação, setor que tem justamente a função de garantir que todas as pessoas se sintam acolhidas e convidadas a ocupar o espaço.
Visitação
Para participar desse passeio, o primeiro passo é fazer o agendamento — as visitas em português são realizadas entre terças-feiras e sábados, exceto feriados, em diferentes horários.
Há opções também em inglês e Libras. Quando o grupo atinge a capacidade máxima de 50 pessoas, ele é dividido em dois, para que a experiência seja mais bem aproveitada.
Os tíquetes ficam disponíveis no site do Theatro Municipal sempre no dia anterior ao dia da visita, a partir das 10h, mas, como eles costumam se esgotar rapidamente, a dica é garantir a reserva o quanto antes. São dois ingressos por pessoa, no máximo.
Tour
O tour começa no amplo saguão de entrada, iluminado naturalmente pela luz do dia. É lá onde os visitantes se concentram enquanto esperam o início do passeio, que começa pontualmente no horário marcado. É uma boa deixa para se desligar das redes socias, observar a beleza e a delicadeza da arquitetura eclética do local e fazer as primeiras fotos.
A sensação é de se estar entrando em um portal que leva para outra dimensão. Nesse momento inicial, chamam a atenção a suntuosa escadaria, os lustres e as Tocheiras Bacante, esculturas de bronze assinadas por Jules-Félix Coutan.
Começamos a olhar e a pensar a história do Theatro Municipal a partir desses elementos. Falamos bastante das referências que foram utilizadas para a construção desse espaço", explica Dayana Correa da Cunha, coordenadora do Núcleo de Educação.
Entre essas referências, há uma forte inspiração na arquitetura europeia, principalmente no Palais Garnier, de Paris, na França.
Visão 360º
A partir dali, a visita pode ter dois pontos de partida: subir a escadaria ou ir pela lateral para acessar a plateia. Se a opção for o segundo caminho, o grupo atravessa uma das portas que dá acesso à parte inferior da sala de espetáculos, onde ficam o palco, a plateia principal e as frisas, espécie de camarotes localizados nas laterais. Nessa área, é possível ter uma visão 360º do espaço, incluindo camarotes, balcão nobre, foyer, balcão simples e galeria (com anfiteatro), distribuídos nos andares superiores. A sala consegue acomodar até 1.440 pessoas.
Os educadores aproveitam aquele cenário, que pulsa como o coração do Municipal, para contar sobre algumas curiosidades, como a construção da sala em formato de ferradura.
É uma sala pensada, arquitetonicamente falando, para que o som seja propagado da maneira mais agradável possível, tanto que geralmente, nas apresentações de ópera, não se usa microfone", diz Dayana.
Em seguida, os visitantes são conduzidos até o outro piso, onde estão os camarotes cativos do prefeito, do secretário municipal de Cultura e do governador. O tour, então, se encaminha para a escadaria central, onde se observa o saguão de entrada sob outro ângulo. Sobe-se mais um lance de escada até outra área importante do Municipal, onde estão o Salão Nobre e a varanda.
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Mas, antes de chegar ao Salão Nobre, o público é "recepcionado" pela escultura Deusa de Aço, do artista grego Nikos Floros, uma homenagem à célebre soprano Maria Callas (1923–1977), que se apresentou no Theatro Municipal de São Paulo em 1951. A obra em aço fica em exposição no local até 20 de maio.
Palácio de Versalhes
Após apreciar o tributo à "La Divina", como Callas ficou conhecida, o próximo passo é entrar no Salão Nobre. Os visitantes podem explorar o espaço, caminhando, tirando fotos e até se deitando no chão. E, ao olhar para o teto, tem-se uma outra visão privilegiada: três pinturas do artista brasileiro Oscar Pereira da
Silva, que representam três expressões artísticas que fazem parte do espetáculo de ópera: dança, teatro e música.
O Salão Nobre é inspirado na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes, na França, com cristais e espelhos belgas, vitrais alemães e piso original feito de duas madeiras nobres: pau marfim e peroba-rosa. Foi pensado para ser um espaço de sociabilidade, ocupado quando há eventos culturais ou durante os intervalos dos espetáculos.
No mesmo andar, a varanda conecta o Municipal — e seu público — aos edifícios históricos e os espaços públicos do entorno, semelhantes ou dissonantes arquitetonicamente, como o Shopping Light e o Vale do Anhangabaú. "Aqui, falamos sobre a transformação da cidade de São Paulo. O teatro é de 1911 e, naquele ano, a paisagem era completamente diferente", comenta a coordenadora educacional. "É uma oportunidade de pensar o teatro ao longo do tempo."
O tour não passa pela área das coxias. O último ato da visita ocorre na galeria, onde estão bustos de personalidades ligadas à história do teatro, como as do compositor Carlos Gomes e do arquiteto Ramos de Azevedo.
Projeto e reformas
Foi o escritório de Ramos de Azevedo que assinou o projeto do Theatro Municipal de São Paulo, em colaboração com os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi.
Por seu palco, passaram importantes artistas, nacionais e internacionais, como Camargo Guarnieri, Villa-Lobos, Maria Callas, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Isadora Duncan, Nijinsky e Mikhail Baryshnikov, entre tantos outros. Vale lembrar também que o espaço sediou a Semana de Arte Moderna, em 1922, um dos eventos fundamentais da história da arte no Brasil.
O Municipal passou por três grandes reformas, sendo que a mais recente foi finalizada em 2011, quando o teatro completou 100 anos. Erguido como uma casa de óperas para a elite paulistana, ao longo de sua história o teatro foi adequando sua programação — e seu acesso — para atender a diferentes idades, perfis e camadas sociais.
"É importante lembrar que o Theatro Municipal é um patrimônio público", reforça Dayana. "Por isso, as pessoas têm o direito de conhecer esse espaço. As visitações são gratuitas para a participação livre de todos."
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Serviço
Theatro Municipal de São Paulo
Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Sé, São Paulo, SP. Telefone: (11) 3367-7200
Visitas educativas em português
Dias e horários: terça, às 10h, 11h e 17h; quarta, quinta e sexta-feira, às 11h, 13h, 15h, 17h (exceto feriados)
Agendamento: página do Theatro Municipal na Inti
Visitas educativas para grupos (20 a 50 pessoas)
Dias e horários: quarta, quinta e sexta-feira, às 10h e às 14h; sábado, às 10h (exceto feriados)
Agendamento por e-mail: educacao@theatromunicipal.org.br
Visitas educativas em Libras
Agendamento por e-mail: educacao@theatromunicipal.org.br
Visitas educativas em inglês
Dias e horarios: quartas, quintas e sextas, às 13h; sábados, às 11h (exceto feriados)
Agendamento presencial mediante apresentação de documento de identificação e passaporte. Somente para pessoas estrangeiras.
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